sábado, 31 de março de 2018

Feliz Páscoa!

 Ontem, uma amiga (Obrigada, D.) enviou-me uma mensagem.
Como gostei muito, também quero partilhar uma boa parte.
Feliz Páscoa!


 "Para a Quaresma, o Papa Francisco propõe 15 simples atos (...) que ele mencionou como manifestações concretas de amor:





 *1. Sorrir, um cristão é sempre alegre!
 *2. Agradecer (embora não “precise” fazê-lo).
 *3. Lembrar ao outro o quanto o ama.
 *4. Cumprimentar com  alegria as pessoas que vê todos os dias.


 *5. Ouvir a história do outro, sem julgamento, com amor.
 *6. Parar para ajudar. Estar atento a quem precisa de si.
 *7. Animar alguém.
 *8. Reconhecer os sucessos  e qualidades do outro.



 *9. Separar o que você não usa e dar a quem precisa.
 *10. Ajudar alguém para que ele possa descansar.
 *11. Corrigir com amor; não calar por medo.
 *12. Ter delicadeza com os que estão perto de você.


 *13. Limpar o que  sujou, em casa.
 *14. Ajudar os outros a superar os obstáculos.
 *15. Telefonar ou Visitar Seus Pais."


 

quarta-feira, 28 de março de 2018

As páscoas de A Páscoa

Foto da net
A nossa infância e juventude estão quase sempre presentes na nossa vida, para o bem e para o mal. Recordo-me, por isso, dos dias de Páscoa e das páscoas, umas flores pequeninas que brotavam em canteiros e jardins por alturas de abril ou maio.
Como também me lembro do compasso - um grupo de homens de fato e opa branca que entravam em todas as casas que estivessem dispostas a recebê-los e que eram todas ou quase todas.
 À frente, vinha o padre, presença que passou a ser ausência porque as vocações religiosas há muito escasseiam. Trazia uma cruz que era dada a beijar para celebrar a ressurreição de Cristo, por entre água benta e a palavra Aleluia.
Para se fazerem anunciar, um dos elementos do grupo tocava uma campainha. A grande maioria das pessoas não saía de casa, enquanto a visita pascal não se efetuasse. Às portas, eram colocadas flores e folhas que convidavam à entrada.
Quando eu era menina, havia muitas crianças que seguiam o compasso, correndo e saltando porque era grande a diversão. Como os habitantes de várias casas ofereciam ao grupo rebuçados ou amêndoas, a seguir, as guloseimas eram distribuídas pelas crianças. Recordo até que as atiravam ao ar e as crianças quase se acotovelavam para as apanharem. Confesso que não era muito bonito de se ver, como não eram outras coisas dos anos sessenta.
Era então por essa altura que as flores, a que chamávamos páscoas, iam aparecendo, muito delicadas e branquinhas. Nós, as meninas, apanhávamo-las e fazíamos raminhos que segurávamos nas mãos pequeninas enquanto jogávamos à patela ou corríamos pelos carreiros ou calçadas.
Onde vivo, ainda passa o compasso em domingo de Páscoa e há páscoas em muitos sítios. No entanto, existem menos casas abertas nessa data e as meninas e meninos quase não sabem o que é o jogo da patela.
Mas sabem outras coisas, por isso, não deixa de ser Páscoa, nem as páscoas deixam de renascer.

domingo, 25 de março de 2018

Os ramos de Os Ramos

Foto da net
Quando eu era pequena, a minha mãe fazia uns pequenos raminhos de alecrim e oliveira, que decorava com flores, tudo cultivado por ela no jardim da nossa casa. Lembro-me sobretudo da cor dos goivos e do seu perfume. Sempre que vejo goivos, lembro-me desses domingos, assim como os ligo à chegada da primavera.
Em grupo, íamos a pé até à igreja para benzer o ramo. Depois de benzido, era tradição ser colocado numa jarra, em casa, para apaziguar tempestades ou trovoadas.
Quando chegávamos ao adro da igreja, logo víamos as pessoas, cada uma com o seu ramo, habitualmente pequeno. 
No entanto, havia rapazes e homens, ligados à agricultura, que carregavam grandes ramos de oliveira ao ombro. Talvez aproveitassem partes da árvore que haviam sido podadas.
Aos meus olhos infantis, os troncos pareciam tão pesados como uma cruz e não encontrava explicação para aquilo. O tempo não era de grandes explicações e todos os anos o ritual se repetia.
Um dia, passados muitos anos, passei pelo adro da igreja, em domingo antes da Páscoa, e vi muita gente sem ramo e os que vi eram muito pequenos. Senti saudades dos grandes ramos de oliveira que via na minha infância.
Muito perto, estava uma vendedora de flores, entre as quais havia goivos. Aproximei-me para sentir o cheiro e ver melhor a cor. 
Quis acreditar que eram semelhantes aos que a minha mãe punha no nosso ramo em Dia de Ramos.


terça-feira, 20 de março de 2018

Sinais de primavera


Também os nossos (ex-)alunos anunciam a primavera!

Este texto foi-me enviado por uma ex-aluna. Gostei muito, disse-lho (desculpa, Bia, pela demora da resposta!) e perguntei-lhe se o poderia partilhar. Disse que sim e fiquei contente.
Obrigada, Bia. É tão bom ser sempre aprendiz!
"Aprendiz
Tanto tempo passou e ainda não me consegui reconstruir. Juntar pedacinho a pedacinho daquilo que me levaste e não devolveste. A revolta passou, a raiva também, a vontade de estar contigo, de te ver, de te abraçar também. A dor já não é a mesma, já não me permite exprimi-la, gritá-la, deitá-la fora. Aprendi a viver com a impossibilidade de te ter, com a improbabilidade de te encontrar. Remeto-me à esperança, aquela intocável e implícita esperança que sei que nunca irá desaparecer. Finalmente deixei de viver para ti, libertei-me, pensei que não conseguia. Consegui. Se te amo? Amor que é amor nunca deixa de existir, apenas fica arquivado de forma diferente. Amar-te-ei para sempre.
Raros são os dias em que acordo e penso em ti, raras são as noites em que adormeço com o teu sorriso no meu pensamento. Porém, recordo-te. Vejo o teu sorriso todos os dias, sinto o teu perfume, sinto o teu toque. Ainda sou capaz de fechar os olhos e remeter-me até há dois anos e sentir tudo, com a mesma intensidade e vivacidade que me fez considerar esses os melhores anos da minha vida. No entanto, já não dependo de ti para ser feliz, para sorrir com a maior verdade, para me rir até me doer a barriga, para ter a consciência que mais tarde ou mais cedo amarei alguém, não como te amei porque ninguém é comparável, mas para amar. Simplesmente isso: amar.
Por vezes, durante todo este processo, achei que o tempo estava a ser traiçoeiro comigo e não estava a fazer o seu trabalho: atenuar aquela dor, tão forte, tão solitária, tão terrível, porém, não o podia ter feito da melhor forma. Fez-me perceber o quanto o amor dói, apesar de não haver nada mais poderoso no mundo que o amor. Tudo é amor, pode não ser demonstrado da melhor forma, pode não ser compreendido como era suposto ser compreendido, mas tudo o que fazemos é por amor apesar de continuar a ser uma pequena aprendiz e espero que para sempre o seja, não quero que o dogmatismo leve o melhor de mim, ou seja, a curiosidade, a cor da vida.
Muitas vezes pergunto a mim própria quanto tempo mais é preciso para poder ser capaz de me interessar por alguém, deixar de ter medo de viver, arriscar, voltar a ser quem era antes de ti. Mas é impossível. A vida e as suas circunstâncias modificam-nos a cada segundo. Sinto que esta impossibilidade me tira a respiração, mas também é por ela que respiro, para tornar a vida possível.
Agora, aqui sentada, vislumbro o horizonte que outrora vislumbrámos, relembro os planos que fizemos, as conversas que tivemos e as que não tivemos. Imagino como seria se, agora, aqui sentada,  tu estivesses ao meu lado, envolvidos no silêncio e no frenesim que era o nosso silêncio. Penso e repenso tudo o que disse e o que não disse, tudo o que sonhei e deixei de sonhar, tudo o que vivi mas não vivi, contigo e comigo. É a vida - dizem eles.
Para sempre serei uma mera aprendiz, que nada sabe mas que pensa, inofensiva e imaturamente, tudo saber, tudo viver. Um dia, quando souber verdadeiramente o que é o amor, prometo procurar-te, para te contar tudo o que descobri, para dissertar acerca do tudo e do nada, estejamos à distância que estivermos, vivamos a vida que vivermos.
Mas ... tenho uma coisa para te dizer: eu nunca irei procurar saber o que o amor é, pois, de e para sempre, desejo ser uma eterna aprendiz.
Bia"

quarta-feira, 14 de março de 2018

Stephen Hawking - Um homem muito especial




Hoje o Expresso Curto noticia:
"Aos 76 anos, morreu na sua casa em Cambridge, no Reino Unido, um dos mais conceituados e geniais cientistas do planeta. O físico autor de "Breve História do Tempo". O homem que aos 21 anos viu ser-lhe detectada uma doença degenerativa rara (esclerose lateral amiotrófica), com uma esperança de vida de cerca de dois anos, e que sobreviveu mais de meio século depois disso. O cientista que nos habituámos a ver agarrado a uma cadeira de rodas e a comunicar através de um computador. Stephen Hawking. O anúncio foi feito em comunicado pelos seus filhos."

Do Expresso Curto também retirei " algumas das mais emblemáticas citações de Hawking:
Remember to look up at the stars and not down at your feet

My goal is simple. It is a complete understanding of the universe, why it is as it is and why it exists at all

Life would be tragic if it weren’t funny

We are just an advanced breed of monkeys on a minor planet of a very average star. But we can understand the Universe. That makes us something very special"

 

terça-feira, 13 de março de 2018

Convite de "Mimos e Livros"

segunda-feira, 12 de março de 2018

Refugiados e escritores

Lendo diferentes obras de J. M. Gustave Le Clézio para uma tese de mestrado, antes de este autor de língua francesa ter recebido o prémio Nobel em 2008, tomei contacto com dramas de refugiados, sobretudo chegados a França, vindos do norte de África, embora o mundo ainda não estivesse abalado pelo terrorismo, como nos dias de hoje.
Com a sua vasta obra, Le Clézio mostra que - recorrendo eu a palavras de Marguerite Yourcenar, em Les Yeux ouverts - é um escritor "qui ressent, qui regarde, qui agit".
Na coletânea de cinco contos Printemps et autres saisons (julgo que não está traduzido em português), esse autor conta histórias de cinco mulheres árabes, de diferentes idades, que erram pela França, nomeadamente no Sul, em busca de acolhimento e também de si próprias. 
Muitas delas foram vítimas de passadores que as abandonaram, sem qualquer escrúpulo, depois de lhes terem extorquido grandes quantias de dinheiro, fazendo lembrar os atuais naufrágios no mar mediterrâneo, afundando toda a poesia desse elemento mítico que tanto fascina os seres humanos.
"No mar não há Primavera nem Outono
No mar o tempo não morre"
Sophia de Mello Breyner
Várias vezes falei aos meus alunos. de Jean-Marie Gustave Le Clézio, escritor franco-mauriciano, em cujas obras aborda problemas cruciais do nosso tempo.
Quando vinha a propósito o tema dos refugiados, alguns alunos insurgiam-se contra a sua presença em países da Europa, repetindo, talvez, o que ouviam em casa: que vinham roubar os empregos e criar instabilidade social.
E lá pelo meio vinha o argumento, que me surpreendia e desagradava profundamente: "Se Salazar fosse vivo, ninguém entrava cá". E era preciso repetir-lhes que se Salazar fosse vivo, não poderiam sequer exprimir-se livremente, nem estariam na escola, à qual, felizmente, todos têm agora acesso. 
Repetiam que era o que os avós diziam. Parecia que muitos dos mais velhos  não tinham sofrido por terem começado a trabalhar demasiado cedo, de terem tido acesso apenas a uma escolaridade mínima, de não terem conhecido a liberdade de expressão, de terem estado fechados ao mundo...
De facto, a nossa capacidade de esquecimento supera atrocidades históricas.
Os escritores ajudam a que a memória não se perca e tentemos viver melhor e com mais consciência do papel de cada um no mundo. Quero acreditar que sim.

domingo, 11 de março de 2018

"Une pensée par jour"

O Clube das Histórias lançou um blogue em francês. 
Vale a pena lê-lo pela beleza das mensagens e ilustrações.

Aqui vai o link para o partilharmos.





Aucun homme n’est une île. Tout homme est un morceau d’un grand continent, une partie de l’ensemble. Si une motte de terre était emportée par la mer...



sábado, 10 de março de 2018

Coisas da memória

Ana Vidigal, 2000

Muitos nomes e rostos de alunos continuam na minha memória. Como uma adolescente muito loira, muito bonita, muito estudiosa e que tinha um desgosto inimaginável: chamava-se Porcina.
Um outro aluno, cujo apelido era Ludmila, fazia questão, com alguma arrogância e orgulho familiar, de ser chamado assim e não pelo nome próprio, bem mais comum.
Tantos casos curiosos fui gravando na memória.
De excelentes desempenhos por parte de alguns alunos. Por vezes, dava comigo a pensar que gostava de atingir aquela perfeição porque  nada ficava por fazer, nada ficava por perguntar, nada ficava por completar.
O contrário também acontecia: jovens que bocejavam, que olhavam mais para fora da sala de aula do que para dentro, que perdiam o manual e o caderno, que esqueciam a pen  no dia da apresentação de um trabalho, que não tinham esferográfica, que inventavam dezenas de truques para usar o telemóvel na sala de aula, que nunca agradeciam nem pediam desculpa...
Recordo também algumas sessões de língua portuguesa para adultos (trabalho de que também gostei), muitas dúvidas surgiam: onde colocar a vírgula? Por que é à e não ? Qual é a diferença entre vêm e veem?
Para além de alguns dados sobre o Novo Acordo Ortográfico, explicávamos e voltávamos a explicar, porque alguns mecanismos vão perdendo o vigor em trabalho duro de anos a fio, indiferente a estas coisas que, só regressando à escola, parecem ser importantes. 
Ah! E houve uma formanda já de certa idade que, no final de uma destas sessões, pediu para ler um poema que tínhamos incluído no guião. Leu-o com tal sentimento que o grupo lhe bateu palmas. 
E disse com um sorriso de sentida vitória:
- Sempre gostei de poesia. Obrigada. 
Eu acrescentaria: as boas memórias também agradecem. 

sexta-feira, 9 de março de 2018

A recessão aguça o engenho?

Pollock - The Flame

Num dia muito frio do ano passado, eu estava em Paris, fui ao museu da Orangerie e vi a exposição de pintura americana dos anos 1930.
Num dos painéis de uma das salas, podia ver-se que foi no dia 29 de outubro de 1929 que a Bolsa de Nova York colapsou, arrastando os Estados Unidos para uma crise tanto económica como de dignidade.
A exposição organizava-se por temas, tais como: Contrastes americanos: poderio industrial e retorno à terra; a cidade espetáculo; a história revisitada; pesadelos e realidade; para uma arte moderna americana. Para ilustrar estes temas, eram expostas obras de autores como Grant Wood, Charles Sheeller, Arthur Dove, Helen Lundeberg, Pollock, Hopper...
Essa crise, começada no outono de 1929, era bem evidente em quadros com rostos de grande secura e austeridade, evidenciando carências também alimentares. Excertos de filmes e painéis ajudavam a compreender melhor as consequências de uma recessão.
Também a crise portuguesa dos últimos anos, para além dos prejuízos causados, abriu novos caminhos suportados pela imaginação e criatividade. Mas o melhor será não haver réplicas de tão grande terramoto. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

"Mulher é desdobrável"

Menez - Figura, 1989

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado

quarta-feira, 7 de março de 2018

Visita(s) ao Porto


Já tenho feito algumas visitas ao Porto, dinamizadas pela Câmara Municipal, pela Casa do Infante, etc. Ontem, olhando a Muralha Fernandina, mandada construir por D. Afonso IV, no século XIV, lembrei-me de um desses percursos. E o que mais me ficou na lembrança foi a vista para o rio do alto das largas muralhas, das quais ainda restam altos torreões, ameias, pedras autografadas, casas encostadas aos grossos e seguros muros, etc.
Lembrei-me de ter visto também um denso laranjal num vasto pomar junto do torreão das traseiras da igreja de Sta Clara, bem perto do tabuleiro superior da ponte Luís I. Os citrinos deviam destinar-se, na época, ao consumo dos religiosos das imediações. 
  Enquanto subíamos e descíamos a escadaria junto a uma das muralhas, um homem novo disse que emigrara já menos jovem do que muitos  portugueses, que vivia em Haia e que, sempre que vinha ao Porto, fazia visitas guiadas para conhecer mais sobre a sua cidade; um homem tinha um site sobre o Porto com fotografias que tirava apenas quando dava passeios sozinho, uma vez que só assim podia fixar melhor os pormenores; uma mulher de meia idade  fotografava tudo e mais alguma coisa, fazendo perguntas para as quais já tinha sido sempre dada a resposta; uma jovem tirava apontamentos sem falar nunca com ninguém; um homem de barba grisalha e forte dizia que o Porto era a sua cara completa e a mulher (que não estava presente) era a sua cara metade; a senhora mais idosa do grupo tudo ouvia com atenção  e nunca ficava para trás; um homem alto e de ar solitário sorria se olhavam para ele, mantendo-se  sempre na cauda do grupo; um casal fazia poses, fotografava-se e falava alto enquanto o guia dava explicações; uma mulher de voz grave ia explicando o que sabia aos amigos, sobrepondo-se ao guia...
      De facto, para além dos passeios a pé, dos factos históricos que se conhecem, há pequenas histórias engraçadas que completam as paisagens que, mesmo vistas milhares de vezes, parecem sempre bonitas.