sábado, 18 de maio de 2019

Há alertas menos urgentes!


Conversa ao pé da porta


- Quando estou muitos dias sem escrever, 
  começo a ficar triste.
- A sério? E para quem escreve?
- Boa pergunta. Espero sempre que não seja só para mim.





Algumas imagens do desfile de escolas de Valbom

Foi na tarde do dia 14 de maio que desfilaram, da escola secundária de Valbom 
até à Fundação Júlio Resende,
os trabalhos que muitos professores, alunos e encarregados de educação
elaboraram, em diferentes escolas do Agrupamento, sobre o tema 'Viagem e multiculturalidade'.
Era nítido o trabalho de alegre e boa colaboração, 
assim como o envolvimento de uma grande comunidade.
Felizmente há escolas assim!
Estas boas iniciativas deveriam ser mais conhecidas 
para que não se tornem 
cada vez mais raras!

Tal como o cartaz abaixo indica, os trabalhos encontram-se expostos
na Fundação Júlio Resende. 
Merecem a visita. 
Ainda não o fiz, mas não quero perder a oportunidade.



quarta-feira, 8 de maio de 2019

Da Secundária de Valbom ao Lugar do Desenho

Na tarde da próxima terça-feira, dia 14 de maio, a Escola Secundária de Valbom vai organizar um cortejo até ao Lugar do Desenho, em Gramido, Gondomar.
O tema são as viagens multiculturais e os materiais produzidos, e que vão ser divulgados, resultaram de um longo trabalho da Comunidade Educativa.
Os materiais ficarão expostos no Lugar do Desenho. Merecem uma visita, assim como todo o Lugar que, apesar de não ser grande, mostra trabalhos de grandes artistas.

Num tempo em que se fala tanto de cansaço (e com razão) de muitos professores, é fantástico ver a dedicação de tantos profissionais.




segunda-feira, 6 de maio de 2019

Uma boa comunicação


Nota - O Lugar do Desenho situa-se em Gramido, Gondomar

Conversa ao pé da porta

- Olá, professora. Lembra-se de mim?
- ...
- Sou o António.
- Sim, sim, lembro-me. Parece que estou a vê-lo na sala de aula.
- Reconheci-a logo. Está tudo bem consigo?
- Sim, obrigada... 

Despedimo-nos com dois beijinhos. E lá foi passeio fora a mancar pelas pernas frágeis. 
Tal como antigamente nos corredores da escola. Tal como a memória que tantas vezes é frágil.

sábado, 4 de maio de 2019

Dia(s) da(s) Mãe(s)

 
Cristina Gauer


"Mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente. 

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente. 

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz. 

lê isto: mãe, amo-te. 

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.?"

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

'mãe, eu sei...'

Postal enviado pelo Clube das Histórias


'mãe, eu sei que ainda guardas mil estrelas no colo.
eu, tantas vezes, ainda acredito que mil estrelas são
todas as estrelas que existem'.
José Luís Peixoto

Poema Fala de Mãe e Filho


“Meu filho:
onde vais
que tens do rio o caminhar?”

Não espreites a estrada, mãe,
que eu nasci
onde o tempo se despenhou.

“Meu filho:
onde te posso lembrar
se apenas te dei nome para te embalar?”

Mãe, minha mãe:
não te pese saudade
que eu voltarei sempre
como quem chega do mar.

“Meu filho:
onde te posso nascer
se meu ventre seco
nunca ninguém gerou?”

Mãe, nascerás sempre
na pedra em que te escuto:
a tua ausência, meu luto,
teu corpo para sempre insepulto.

Mia Couto

sexta-feira, 3 de maio de 2019

'Verifiquei que a Madalena sou eu...'

'Não gosto nada de blogues... o amigo Vítor já sabe!
No entanto, visito a carruagem, sempre que posso...e partilho a opinião de Dolores Garrido: vale a pena!
Lá, encontramos sugestões feitas de experiências conseguidas, opiniões muito válidas e uma humildade apoiada em conhecimento sólido. Por isso, a Carruagem 23 é o único blogue que conheço.
Mas porque a vida é feita de esperas, encontros, desencontros e reencontros, partilhas e confidências, aconteceu chegar-me às mãos um livro com o título 'A VELHA CASA e outros dias', e com uma dedicatória - «Fev.º 2019 - Para a Ana Rosa com um beijinho - Dolores Garrido». Foi o meu amigo Vítor que mo deu. Olhei para a contracapa e reconheci o rosto da autora, era-me familiar... Vou ler!
Folheando ao acaso, li, no espaço dos agradecimentos da última página, outro nome que conheço dos bancos da FLUP: Ana Cardoso. E assim a teia se foi construindo...
À medida que me ia embrenhando na velha casa, em A Ver O Rio e ia viajando até Paris, verifiquei que a Madalena sou eu... que quem escreveu este diário fui eu... Desculpe-me Dolores! Eu explico:
Amor pelos livros e pelas arrumações, sou eu a autocaracterizar-me. Tento, em cada dia, reconhecer o que de bom me acontece na vida, quero estar satisfeita, mas...zás, aparecem os contratempos, parece que a vida não quer que eu me sinta bem! Também sou o centro de uma sanduíche, tenho os meus pais que precisam de mim e uma filha que também precisa (embora esta nem sempre o saiba, da altura dos seus 22 anos). O carinho pelos meus alunos, a troca de mensagens com eles, o orgulho que sinto de os ter ajudado a serem quem são, a escola que circula nas minhas veias, porque é inseparável de mim, são aspetos que reconheci em Madalena. O prazer numa curta conversa e o olhar atento a quem nos rodeia e a quem connosco partilha os seus dias, como é o caso do sr. Delfim...
Adorei! Não só porque me reconheci, como já expliquei, mas também pelo estilo escorreito e sem rodeios.
Foi par dizer MUITO OBRIGADA que vim a este blogue e creio que já me alonguei... Será que passei a gostar de blogues? "On verra!"
Beijinho'.
Ana Rosa Silva

Nota - O blogue a que Ana Rosa Silva se refere é http://carruagem23.blogspot.com, magnificamente dinamizado por Vítor Oliveira. As viagens nesta Carruagem são sempre diferentes e, à saída, fica-se sempre a saber mais e a pensar melhor.

Resposta à Ana Rosa - Antes de mais, MUITO OBRIGADA também pela felicidade que me deu ao fazer-me sentir que valeu a pena ter escrito a Velha Casa e outros dias. E que, por isso, valerá a pena continuar a escrever.
Para além da escrita, devo dizer que eu podia viver também sem o meu blogue, mas, para mim, não era bem a mesma coisa, apesar de ser bem simples. Porém, tal como a Ana Rosa, também visito poucos, se calhar por inércia ou indisciplina minhas.
A 'Carruagem 23' é um dos que visito com mais frequência. Obrigada, Vítor, pela profundidade, pertinência e atualidade dos teus posts. E por, através de ti e do teu blogue, ter tido o grande prazer deste dia: abrir o olamariana e ler o comentário da Ana Rosa, a quem agradeço imenso as palavras tão saborosas. Também refere a Ana Cardoso (felizmente, minha amiga, tal como o Vítor). Foi ela que apresentou generosa e maravilhosamente este meu diário, num dia também muito feliz para mim. De facto, o mundo é pequeno, mas as pessoas podem torná-lo bem melhor e bem mais habitável.
 Obrigada, Ana Rosa, por ter lido o meu livro com tanta atenção e por ter escrito o comentário que 'puxei' para página principal (espero que não me leve a mal), porque entrou no post de 3 de junho, já bastante recuado e, como tal, mais difícil de ser visto e partilhado.
Adorei a sua alegre e cúmplice vivacidade ao declarar-se também autora do livro, identificando-se com  diversas situações que refiro e que são vivenciadas por imensos professores. Também isso lhe agradeço. E se me diz que consegui convocar algumas, fico ainda mais feliz.
Um grande abraço e, mais uma vez, OBRIGADA.
Dolores


domingo, 28 de abril de 2019

E Madrid aqui tão perto!


Fui a Madrid nos últimos dias.
Conhecia/conheço mal a cidade. E gostei do que vi, embora muitíssimo mais houvesse para ver.
Partilho algumas das imagens que captei.
Não ficaram os pinchos quentinhos comidos no Mercado de S. Miguel, o sossego de algumas ruas, o bulício das avenidas, a polícia com armas, os cartazes dos candidatos às eleições de hoje...
A simpatia no atendimento, o desconhecimento da língua portuguesa, a ligação imediata de Portugal a Ronaldo...
A rapariga loira a pedir esmola sentada junto de uma esplanada, a Grândola, vila morena que vinha de uma janela de uma casa antiga na tarde de 25 de Abril, a maratona de ontem que corria a cidade, os cafezinhos acolhedores onde o abacate é rei...
A visita de locais de arte de referência, como o Museu do Prado, que se encontra revestido para obras, nunca descurando a beleza...

Respirar as árvores da cidade

Duas fotos do parque Casa de Campo
Parque do Retiro

A bela diversidade dos edifícios



No Metro, também há arte


quarta-feira, 24 de abril de 2019

25 de Abril

 

'A Forma Justa

Sei que seria possível construir o mundo justo 
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo'


Sophia de Mello Breyner

E não há plano B. Vale a pena ver, ler e agir.

https://multimedia.expresso.pt/ambiente2018/?utm_content=Salve%20o%20planeta%20e%20depois%20invista%20€1&utm_medium=newsletter&utm_campaign=436053183f&utm_source=expresso-expressomatinal


terça-feira, 23 de abril de 2019

Conversa numa livraria para crianças


- O livro está muito bonito, mas não vende em livrarias.
- Porquê?
- Como a capa não é grossa, as pessoas não compram.
- Mas assim fica até mais barato e as crianças poderão ler mais.
- Cada vez mais as pessoas compram livros apenas para oferecer e não para as crianças lerem em casa. Como são um presente, preferem capas duras.
- A sério? 
- A realidade é esta: as crianças leem cada vez menos e os adultos compram cada vez menos livros também.  As provas de aferição e os exames vieram matar muita leitura por gosto.
- É pena. Há livros maravilhosos para crianças, tanto pelo texto como pela ilustração. Com eles, podem aprender tanto!
- Sim, é uma área fascinante, mas muito pouco rentável.
- Talvez os professores do ensino básico devessem interessar-se mais pela leitura.
- Muitos preferem outras áreas de ensino e não lhes faltam constrangimentos.
- Pois, as Clarinhas, as Marias, os Josés, as Matildes... vão vivendo tantas histórias para contar. Mesmo assim, o melhor é não deixar de as escrever e ilustrar...
- Para que o mundo não fique com uma capa ainda mais dura!!!

Alguns tesouros

Postal enviado pelo Clube das Histórias

segunda-feira, 22 de abril de 2019

No Dia da Terra

A Terra



Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!


Miguel Torga

quarta-feira, 17 de abril de 2019

terça-feira, 16 de abril de 2019

Maria Alberta Menères 1930/2019


https://images.search.yahoo.com/search/images?p=Maria+Alberta+meneres+poesia&fr

Nossa Senhora!



Na primeira vez que fui a Paris, há muitos anos, um dos objetivos principais era visitar Notre Dame e ver os vitrais. Apreciá-los de dentro da igreja faz(ia) calar as palavras e demorar o olhar nos desenhos cheios de luz.
Neste momento, talvez estejam estilhaçados e caídos no chão.
Ontem, as imagens do incêndio da catedral assemelhavam-se ao ruir brusco e rude de muitos sonhos que pareciam não ter fim. Era o tombar do que parecia erguido para nunca ser derrubado.
Nossa Senhora!
As notícias dizem que muitas pessoas, que estavam por perto, choravam. E não foram só elas. 
Notre Dame chamava multidões, mostrando-lhes, com beleza e generosidade, a arte de que todos os seres humanos precisam. E amor. E espiritualidade. E história(s). E recreio. E harmonia. E força. E tanta coisa que cada um procura.
Ainda que não exclamasse: Nossa Senhora!


domingo, 14 de abril de 2019

Ficam sempre bem


Quando eu era pequena, a minha mãe fazia, para mim e para a minha irmã, uns raminhos para serem benzidos na missa do domingo de Ramos.
Para além de raminhos de oliveira e de alecrim, punha flores. Lembro-me sobretudo dos goivos cor-de-rosa e muito perfumados.
No adro da igreja, eram inúmeros os ramos que iam chegando. De todos os tamanhos. Havia lavradores com ramos de oliveira tão grandes e pesados que tinham de os levar ao ombro.
Nunca tive uma oliveira no meu quintal, mas acho que um dia destes vou plantar uma. Não para a cortar, mas para vê-la crescer. Tenho, porém, alecrim que me cheira a dias festivos da infância.
Estas recordações chegaram-me pelas imagens da televisão e pelo raminho que estava a fazer. Não para ser benzido, mas para ser oferecido. E, num caso ou no outro, as flores ficam sempre bem.


sábado, 13 de abril de 2019

Livros ao pé da porta

- Ontem, apresentei um trabalho com mais duas colegas num Encontro de Professores de Português, em Leiria.
- Correu bem?
- Sim, correu. Falámos sobre o concurso "Vamos contar um conto", que realizámos na escola durante seis anos consecutivos e que levou à publicação de seis livros.
- O vosso trabalho era pago?
- Achas? A adesão de bastantes alunos, professores e outros elementos da Comunidade era o melhor prémio.
- Já em férias escolares, havia muitos professores a fazer formação?
- Muitos, embora menos do que em anos anteriores.
- Não vi notícia nenhuma.
- Estas coisas não se escrevem na televisão.


quarta-feira, 10 de abril de 2019

Conversa ao pé da porta

- Hoje vi numa praceta um cartaz que dizia: "Elogiem-se".
- Ótimo. Há pessoas que vivem tristes porque nunca têm um elogio.
- Concordo. Isso vê-se melhor do que um cartaz.
- Isso o quê?
- Olha-se para alguém e vê-se logo se tem o hábito de ouvir elogios.
- E vê-se como? 
- Por tanta coisa dita ou calada; por tanta coisa que se esconde ou se grita...


O EXPRESSO CURTO dá boas sugestões

terça-feira, 9 de abril de 2019

Ouvi e gostei

Flores sem Brexit

Hoje - num canteiro, perto do centro de Londres.

Conversa ao pé da porta

- Acho que sempre viveu infeliz.
- E parecia ter tanta coisa.
- Queria a felicidade absoluta. Havia sempre um mas...
- Assim, realmente é complicado.
- O mal é a gente não dar valor aos bons momentos do dia a dia.


sábado, 6 de abril de 2019

Tudo contou boas histórias!

Algumas das palavras que eu disse sábado, dia 30 de março, 
na apresentação das Histórias da Clarinha,
 seguida de um workshop de expressão plástica para crianças, a convite da BMG, e realizado pela ilustradora do livro, Cristina Pinto.

 "Bom dia a todos. Obrigada por terem vindo.
Estou muito contente por estar na Biblioteca Municipal de Gondomar, de ter aqui a minha família e tantos amigos.
 Obrigada a todos e um miminho especial à minha neta e às minhas filhas por acharem sempre que sou capaz.
Também agradeço à Editora Lugar da Palavra, à Biblioteca Municipal de Gondomar, à professora Glória Varão, pela bela leitura que fez do livro. 
Obrigada também, amigos mais próximos, tão importantes na minha vida.

E um agradecimento muito especial à ilustradora, Cristina Pinto, por todo o talento, trabalho e dedicação. Estou profundamente reconhecida pela obra produzida e muito feliz por ver tantas crianças, porque o livro foi feito a pensar nelas, embora tenha nascido há três anos, quando nasceu a minha neta. E com ela cresceu (...).

Também estou muito grata por todo o trabalho que a Cristina Pinto pensou e realizou para o workshop que se vai seguir".

Mais uma vez, obrigada, Cristina. Melhor era impossível.



No workshop, as crianças, sentadas à volta da mesa, dispunham de "clarinhas", desenhadas pela ilustradora do livro, para recortar, pintar, vestir a partir de pequenos moldes disponíveis. 
Foi muito bom ver as crianças, acompanhadas pelos adultos, a desenhar, a pintar, a mostrar, felizes, o seu marcador que levaram para casa.
Também o workshop contou boas histórias.
De facto, melhor era impossível.


O teu marcador ficou muito bonito, Inês

Fiquei com vontade de escrever mais!


Tantas palavras que gostei de ouvir sábado passado, na apresentação do livro Histórias da Clarinha, feita por Glória Varão. 
Tantas histórias que gostei de ouvir ler.
Aqui transcrevo algumas.
Obrigada, Glória.

"(...) É um livro cheio de ternura e carinho  que, se por um lado, nos faz olhar para os nossos filhos, os nossos netos, por outro lado, faz-nos voltar atrás no tempo e lembrar muitas das coisas por que passamos na nossa infância.
Penso, por exemplo, no poema o moranguinho (...):

Comendo-o, sente alegria
E até ri com emoção,
Vendo o suminho a escorrer,
Dando beijinhos na mão!


Sendo este um livro infantil, encontramos nele muitos dos elementos favoritos das crianças (...):

No meio das florzinhas,
Vive um grande e verde sapo,
Um porquinho, cogumelos
E, de vez em quando, um gato.

(...)

As brincadeiras ajudam a crescer, a aprender, a conhecer e, por que não dizê-lo, a criar o mundo (...):

Com a ajuda de forminhas,
Que se ajustam aos dedinhos,
Faz bolas, gatos e cães
E também outros bichinhos.

 (...)

Sabemos que todas as crianças criam um mundo próprio que é reflexo do mundo real. Se tudo tem um nome, os brinquedos também o têm:

Os brinquedos da Clarinha
Têm nomes engraçados,
Todos, todos diferentes,
Todos muito apreciados!

É a boneca-carrapito,
O peixe de boca aberta,
O boneco narigudo,
A bonequinha-risota,
O panda que é sortudo
E o cãozinho sem casota.

No mundo das crianças tudo serve para brincar! Mas umas galochas e, ainda por cima vermelhas, é o que de melhor pode acontecer. Qual é a criança que não gosta de fazer tchap, tchap nas poças de água?

(...)

Fazer tchap tchap na água
É pois muito natural;
Se a Clarinha quer brincar,
E se as galochas voaram,
Quero até perguntar:
- Como não saltar pocinhas
Se saltaram sobre o mar?

Sim, porque as galochas vieram do outro lado do mar, de outro continente (...). 
A família é outra constante nesta obra.
É a avó, os primos, os pais (...)... Todos, à sua maneira, são fundamentais para o desenvolvimento e crescimento harmonioso da Clarinha.

- Eu gosto tanto de ti,
Tia Ana tão querida,
Ensinas-me tanta coisa
Importante para a vida.
  
(...) Os pais, claro, surgem também como essenciais para esta aprendizagem. São eles que, com o seu exemplo, transmitem não só conhecimentos, mas também hábitos, nomeadamente hábitos de leitura.(...)
(...)

A família diz: - Clarinha,
Livros não são de roer.
As histórias são tão lindas;
É melhor ouvi-las ler!

E começa a perguntar,
Pouco sabendo dizer:
- Se os papás devoram livros,
Por que não os posso comer?!

(...)

A leitura e as histórias educam o coração de uma criança (...).
Todas as histórias são de encantamento.(...).
Estas minhas afirmações estão, na minha opinião, presentes neste livro.
Afinal, todos os poemas são histórias, como nos diz a autora.
(...)
E desafia os leitores a inventar, a contar  as suas próprias histórias.
(...)
Dando pistas, dicas: 

Olha bem à tua volta:
Tanto para ver e contar!
Sobre um gato ou um cão,
Um passeio ou canção,
Uma pessoa gentil,
- E olha que há muitas mil -,
Uma qualquer descoberta...
E com a janela aberta...

E termino exatamente com o poema que dá início a este livro (...):

Quando eu disser Clarinha,
Podes o nome trocar;
E em vez dele pôr o teu,
De irmãos ou de amiguinhos,
De primos ou de vizinhos
E até mudar a ação,
Pra todos assim caberem
No teu e no meu coração."