domingo, 28 de setembro de 2014

Olhando o Porto: Carlos Alberto e rua das Flores


Para quando o Dia da Lembrança?



Eu acho que deveria haver o Dia da Lembrança. Mas não me refiro ao souvenir, nem à “recordação” que gostamos de trazer para a família e amigos, muito embrulhadinha, de sítios distantes que visitamos. Não, nada disso. Para mais, os dinheiros vão sendo poucos. Seria o Dia da Lembrança Completa e Verdadeira.
Juntavam-se as perguntas que, por direito, se fazem a ministros e às quais, por dever, teriam de responder. Seria uma espécie de máquina da verdade, mas sem máquinas nem aparelhos complexos a forjar argumentos para o motor andar em busca de novas peças.
Não sei se me faço entender.
Por exemplo, nesse Dia da Lembrança, perguntava-se a um ministro:
Senhor Doutor (eles gostam, embora alguns não sejam doutores), o Senhor (convém escrever com letra maiúscula) declarou os seus vencimentos ao Fisco?
Convém não acrescentar “como nós, os cidadãos comuns”. Eles não gostam, chamam-nos piegas e mudam habilmente de assunto.
Ora, nesse Dia, se o Sr Ministro dissesse que não sabia, que não se lembrava, que não tinha presente, que de certeza que sim porque sempre assim faz, que tem a consciência tranquila, que vai entregar o caso a quem de direito, que tem de ter tempo para pensar porque é remediado, mas não rico em todas as memórias e outras generalidades, mesmo que fossem ditas em tom pausado e sério, revelador do “sentido de estado” - tão apreciado pelos políticos (às vezes fecham os olhos como se estivessem a cantar um fado aos pobres cidadãos) - haveria um sinal revelador de que o que estava a ser dito era só para encher salsichas (O Sr 1º Ministro falou delas a propósito da Educação).
Não sei muito bem como esse sinal poderia ser emitido, mas o projeto seria entregue, por concurso alargado (não só a familiares e amigos), com regras e fórmulas claras, o que faria com que o número de licenciados que emigram também fosse menor.
Pois, se tal acontecesse, os políticos com grandes esquecimentos tinham de apresentar um atestado médico como padecem de uma doença que lhes afeta a memória. E disso eles não gostam, porque apregoam que nunca estão cansados, que estão sempre preparados para o que der e vier, “que não têm dúvidas e raramente se enganam”…
Vá lá, é só um dia. Ainda restam mais de 360 para continuar a mentir!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Ontem



Desde pequena que tenho medo de trovoadas.
Há bastantes dias que o nosso país vai estando sob nuvens pesadas e ameaças de relâmpagos e trovões, sobretudo no Norte. O que vale é que há pedaços do dia e do céu onde brilha o azul e o sol.
Ontem ao fim da tarde, o céu carregou-se de nuvens negras que desabaram em forma de chuva, granizo e trovoada. A natureza, ameaçadora, parecia clamar a sua existência.
De vez em quando, eu entreabria a porta para ver se os céus se acalmavam. Mas não. O negrume ia rodando, tomando conta dos diferentes pontos cardeais. De vez em quando, aparecia um breve arco-íris.
E lembrei-me do livro que tinha lido durante a tarde: Breviário das almas de Joaquim Mestre – um belíssimo retrato da vida num monte do Alentejo, em meados do século XX.
O livro vai-se tecendo sob forma de contos que, no final, revelam uma unidade.
E, curioso, a narrativa inclui uma oração a Santa Bárbara “para a tempestade se afastar”. Mal sabia eu que a tempestade se aproximava.
Oxalá hoje os céus estejam mais calmos. De outro modo, lembrar-me-ei, com certeza, das palavras que são transcritas na obra (da editora Oficina do Livro):
“santa bárbara se descalçou, seu caminho foi seguindo, jesus cristo a encontrou, e lhe perguntou, aonde vais, bárbara? Vou espalhar esta trovoada… espalha-a lá, para bem longe, onde não haja eira nem beira, nem ramo de figueira, nem galo nem galinha, nem gadelinha de lã, nem alminha de cristã”).
E agora digo eu:
 
Vá lá, Santa Bárbara,
Nada de esquecimento.
Já chega de trovoada;
Devolve o azul ao firmamento!

domingo, 14 de setembro de 2014

Hoje

O rio Douro, visto do Palácio de Cristal

Assim, a Feira do Livro do Porto está bem melhor!


          Falei há dias de “um sobe-e-desce” dos estrados na Feira do Livro, no Porto. Pois bem, a situação alterou-se. Deve ter havido muitas vozes que se levantaram, sendo, felizmente, ouvidas.
Agora, os estrados estão ligados, sem interrupções, ao longo dos stands e existem rampas para facilitar o acesso a todos e não só a quem sobe e desce com facilidade.
O espaço dos Jardins do Palácio é motivador, as atividades culturais são ricas e abundantes. E os livros, que são a razão da Feira, ganham em visibilidade. Ainda bem!

Porque hoje é domingo



Abro a porta. A minha cadela, como quase sempre, aproxima-se quando ouve os primeiros movimentos da manhã.
Nuvens pesadas. Talvez venha chuva. Talvez anunciem trovoada. Ninguém diria depois do dia de ontem, em que vi Espinho com um sol apetitoso e esplanadas cheias e luminosas.
Como é domingo, pequeno-almoço mais pausado. Televisão ligada. Baixinho. Desfile das capas de jornais. O incontornável, insondável, impensável BES. Sempre. Notícias sobre o que se sabe ou se julga saber, porque o incontável resto está no segredo dos (que se julgam) deuses.
Depois, Revista da Imprensa com Pedro Chagas Freitas, um jovem apresentado como Vencedor de vários prémios literários. Disse já ter sido barman, nadador salvador e tudo lhe permitiu ser feliz e conhecer o mundo à sua volta.
Gostei de o ouvir falar de um livro que escreveu – Prometo falhar. Esclareceu que não faz a apologia do erro, mas que este é inerente à vida humana. E julgo que também o ouvi dizer que o amor só acontece quando se admite o próprio erro e o do outro.
Atenção, perfecionistas, cuidem-se!
E falou do uso da vírgula – um dos sinais de pontuação que tem sido motivo de estudo e de reflexão de uma pequena mas empenhada Oficina de Língua de que faço parte.
Pois, a propósito deste sinal gráfico, que tantas vezes é tão mal usado, mas que pode alterar todo o sentido do que queremos dizer, Pedro Chagas Freitas referiu o uso de peças de lego, em cursos de escrita criativa, para exemplificar “os blocos” que a vírgula ajuda a construir.
E fico-me por aqui. O texto já vai longo. Apesar de as frases serem curtas, usei mais de uma dezena de vírgulas.
Se falhei, o que é natural, foi apenas erro meu e não por ser domingo!