domingo, 19 de novembro de 2017

Um livro interessante


Disse muitas vezes aos meus alunos que não utilizassem o adjetivo "interessante" e, apesar disso, usei-o no título. Foi o que me ocorreu para este livro de contos - histórias curtas que relatam vivências da autora, como é dito em textos preliminares.
Gosto do estilo: frases curtas, objetividade na narração dos factos, às vezes aparentemente pequeninos como são os dos comuns mortais; outros de grande complexidade, tal como são também muitos dos comuns mortais.
A autora, nascida no Alasca, em 1936, morreu na Califórnia, em 2004, tendo deixado dezenas de contos escritos. Este livro é uma coletãnea dos considerados melhores.
Comecei a ler e, se pudesse, não parava durante horas seguidas.
As histórias abordam temas ligados às profissões que a autora teve para sobreviver, relações familiares tempestuosas, casamentos falhados, mas também uma adesão sem reservas à vida, mesmo na profundidade dos mares.
O título da obra é de um dos contos.
Vale a pena ler. Tem vivacidade, fala do mundo, nem sempre cor-de-rosa, mas as cores da natureza humana nem sempre o são. E isso é interessante. Muito.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Abbey Road e a imagem que ficou


Algumas pessoas atravessam a passadeira com o mesmo movimento de braços que os Beatles, o que faz do local - já bonito em si - um lugar de observação e divertimento. E talvez algumas das músicas ainda andem no ar ou na memória.

Curioso!

Já estive várias vezes em Abbey Road e, curioso, nunca atravessei a mítica passadeira para peões, eternizada por um álbum dos Beatles. E, curioso também, passam lá diferentes gerações e não apenas as que mais os ouviam e dançavam. A avaliar pelas fotografias que são tiradas por pessoas de todos os continentes, parecem vir de propósito àquele local como se vai a outro sítio onde se sente mais vivamente a presença de quem lá esteve ou viveu.
Vêm, não sei se por nostalgia, se por amor à música que engloba o mundo e a vida, se por desejo de transpor uma passadeira de fama nem que seja por segundos. E que por sinal já está um pouco gasta.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Caído no chão

Ontem, um homem velho caiu junto à porta de um grande supermercado. Ia só.
Era muito alto, forte e usava óculos. Feriu-se na testa, donde escorria algum sangue, mas sorriu por não ter partido os óculos.
Foi difícil levantá-lo porque era muito pesado. Um casal aproximou-se logo e mais duas pessoas que passaram depois da queda ajudaram a levantá-lo. Quando se viu de pé, o homem agradeceu e disse ter escorregado nas folhas húmidas do chão.
Afinal, já não ia ao supermercado.
Ainda era um homem bonito. 
Não sei se a sua intenção era ter companhia enquanto bebia o café em copo grande que era oferecido a todos os clientes com cartão.
Voltou para o metro e um homem indiano disse que o levava até à estação.

domingo, 12 de novembro de 2017

Sharing the wonderful world

Namíbia
Palau

Obrigada, F. e M. J., pelas fotografias, tiradas na última semana, e por poder partilhá-las aqui. De facto, existem, às vezes perto, outras vezes longe de nós, lugares de incalculável beleza, como estes - o primeiro, na África austral, junto ao Atlântico; o segundo, um pequeno país insular no Pacífico.


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Peregrinação de cada um!


Há dias, fui ao cinema Trindade, no Porto, ver o filme Peregrinação, do realizador João Botelho.
Quando entrei, a sala estava quase vazia. Minutos depois, começaram a chegar muitos idosos, ocupando quase todos os lugares.
Ouvi depois que eram utentes de um lar e que estar ali resultava de uma "Caixinha dos desejos", que, desta vez, se traduziram numa ida ao cinema. Achei uma bonita  ideia.
Via-se que alguns daqueles idosos não estavam habituados a ir ao cinema.
Ora, o filme dura 110m, sem intervalo, e exibe muitas das dificuldades e relações violentas vividas pelos marinheiros portugueses, no séc. XVI, através dos olhares de Fernão Mendes Pinto, que os transpôs para o seu livro Peregrinação.
Atrás de mim, ouvia-se uma voz que repetia: "Nunca mais acaba", outra: "Preciso de ir à casa de banho".
Talvez, quando regressassem ao Lar, dissessem que não tinham gostado muito do filme.
Talvez os cuidadores presentes, numa atitude muito louvável, ficassem satisfeitos com a oportunidade de proporcionar aos velhos um cinema sem barreiras arquitetónicas, ver um filme português, aprender um pouco mais da nossa História, conviver, conversar depois sobre diferentes assuntos, conhecer uma boa obra de arte, etc.
Talvez os dinamizadores do cinema Trindade ficassem felizes  ao verem que o grupo estava feliz por vir ao cinema.
E talvez  alguns idosos retivessem somente cenas bonitas, paisagens bonitas, músicas bonitas, jovens bonitas, para atenuar as cenas mais violentas ou aflitivas de confronto humano ou com forças da natureza.
Porque às vezes já basta a longa e pesada peregrinação de cada um!

domingo, 5 de novembro de 2017

Árvores da quinta da CCDRN - ao Campo Alegre

Tronco da canforeira
Canforeira



Feto arbóreo
Arália
Araucária

Bananeira
Feto arbóreo negro

A "Rota das árvores" é uma iniciativa da CCDRN, muito louvável e gratuita.
Algumas das fotos não têm legenda, porque tive dúvidas sobre os nomes das árvores, mas acho que a sua beleza é sempre boa para os olhos. E não só, é claro.

Olhando árvores e paisagens do Porto

Dentro da Quinta do Gólgota:

Eucalipto azul da Tasmânia
Faia - de mais longe e de mais perto
Azevinho (o que tem bolinhas vermelhas é fêmea)
Murta
Plátano
Espero não me ter enganado nos nomes! Se o fiz, peço desculpa e será uma maneira de rever árvores do Porto, seja no outono ou noutra estação.