segunda-feira, 27 de abril de 2015

sábado, 25 de abril de 2015

Obrigada, 25 de Abril!

 Partilho, aqui, um breve testemunho de duas jovens que, felizmente, nasceram em Liberdade.
Este pequeno texto e outros que recebi
 são simples mas belas celebrações do 25 de Abril. Obrigada.

Ontem não fomos ao Facebook… Fomos procurar uma realidade passada, relativamente recente até. Percebemos como era viver antes do 25 de Abril ou, deveremos dizer, sobreviver. Fomos confrontadas com expressões como PIDE, opressão, tortura, falta de liberdade de expressão, lápis azul, colónias portuguesas, desigualdade de géneros e pobreza. Percebemos, mas não sentimos… Porque, graças à luta de outros, hoje podemos dizer que somos livres! Alegramo-nos em dizer que podemos reunir-nos com os nossos amigos, sem medo e sem restrições de horário pelos nossos pais… É tão bom partilhar com o mundo a nossa opinião, independentemente se vai ou não ao encontro de entidades “superiores”. É tão bom ser mulher não sendo dependente de um homem nem servindo sobretudo para a realização das tarefas domésticas. Agora pensamos e agradecemos todos os dias a variedade de comida, de tecnologia, de oportunidades de educação ao nosso dispor. No final da página, na Internet, lia-se : ” Somos livres, somos felizes, somos sonho, somos expressão, somos NÓS. Obrigada, 25 de Abril!! “
Rita Carvalho e Liliana Lopes, 11º 3 (ESG)



Nota: Outros textos poderão ser lidos em Letras não são tretas,
 mencionado em "A minha lista de blogues".

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Liberdade

Clarice Lispector - O pássaro da Liberdade
— Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.   

Miguel Torga, in 'Diário XII'

quinta-feira, 23 de abril de 2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Uma exposição, um livro, um anúncio e duas fatias de quiche. Simplesmente.

Ir a um Centro Comercial ao fim da tarde de segunda-feira pode não ser mau; ter tempo, enquanto o carro é lavado e não haver compras obrigatórias a fazer é muito melhor.
Foi o que aconteceu hoje. Para além da exposição de pintura - presente em Arte no Parque - entrei na Bertrand e comprei um livro de Luís Sepúlveda. Só estava eu como cliente e falámos sobre alguns livros - porque, muitas vezes, quem vende livros também lê e gosta do que lê. 
Vi também, num pequeno expositor, em cima do balcão, o anúncio de um "Porto de Encontro" com João Tordo, no dia 26 de abril (Casa das Artes).
Ah, e comprei duas fatias de quiche numa loja de produtos (ditos) naturais.
Se pudesse, saboreava mais vezes um final de tarde assim. Simples(mente).

Arte no Parque - Com Memórias

Fernando Neves é um artista de Rio Tinto que expõe, atualmente, no Parque Nascente de Gondomar, quadros a lápis e aguarela aos quais deu o título "Memórias de Rio Tinto".
Vi a exposição e gostei muito. Das fotografias que tirei, selecionei esta (peço desculpa pela luz do flash), porque me lembra os campos e as casas da minha infância (passada não muito longe de Rio Tinto).
Quando vi a exposição, hoje, pelas sete da tarde, havia sossego no Centro Comercial. As pinturas ajudavam  a saborear a tardinha (gosto desta palavra de final da luz do dia) sem correrias e com as cores que os pintores sabem reunir, preservando tantas memórias.
Nas longas horas de bulício, aquele espaço (em frente ao Jumbo) poderá ser um pequeno oásis em que cada um, só ou acompanhado, revisitará muitas situações observadas ou vividas.
Não tivesse a arte a arte de construir memórias.


Orquídeas em profusão


domingo, 19 de abril de 2015

Agora, que as azáleas estão floridas




Ela chegou a casa e olhou as flores. Estavam mais floridas do que da última vez que as tinha observado. Mais cores e mais flores. A primavera a fazer-se notar pela silenciosa beleza perfumada.
Foi ao quintal e sentiu diferentes aromas de cor verde.
Pensou que era tempo de arranjar mais tempo para olhar tantos belos sinais da natureza. Sem esquecer a humana, é claro.
E pensou que era a altura certa - agora que as azáleas estão floridas.


sábado, 18 de abril de 2015

(Também gosto muito de magnólias)

Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma página
E aproveito o facto de teres chegado agora
Para te explicar como vejo o crescer de uma magnólia.
A magnólia cresce na terra que pisas – podes pensar
Que te digo alguma coisa não necessária, mas podia ter-te dito, acredita,
Que a magnólia te cresce como um livro entre as mãos. Ou melhor,
Que a magnólia – e essa é a verdade – cresce sempre
Apesar de nós.
Esta raiz para a palavra que ela lançou no poema
Pode bem significar que no ramo que ficar desse lado
A flor que se abrir é já um pouco de ti. E a flor que te estendo,
Mesmo que a recuses
Nunca a poderei conhecer, nem jamais, por muito que a ame,
A colherei.
A magnólia estende contra a minha escrita a tua sombra
E eu toco na sombra da magnólia como se pegasse na tua mão
Daniel Faria, 2012: Poesia (in dos líquidos); Lisboa, Assírio & Alvim


Obrigada, IAzinha, 
pelo teu postal de fim de semana e pelo envio deste poema de Daniel Faria
que partiu tão novo (1971/1999).
O poema de Luíza Neto Jorge - "A magnólia - ,
que também partilhaste,
 merece, igualmente, uma calma leitura.

sexta-feira, 17 de abril de 2015




Deténte, sombra de mi bien esquivo,
imagen del hechizo que más quiero,
bella ilusión por quien alegre muero,
dulce ficción por quien penosa vivo.

Si al imán de tus gracias atractivo
sirve mi pecho de obediente acero,
¿para qué me enamoras lisonjero,
si has de burlarme luego fugitivo?

Mas blasonar no puedes satisfecho
de que triunfa de mí tu tiranía;
que aunque dejas burlado el lazo estrecho

que tu forma fantástica ceñía,
poco importa burlar brazos y pecho
si te labra prisión mi fantasía.



Juana Ines de la Cruz,  poeta mexicana, nasceu a 12/11/1651 e morreu a 17/4/1695
  (informação da livraria Poetria)

terça-feira, 14 de abril de 2015

A long time ago




Percy Sledge 1941/2015

Domingos à tarde. Bailes de garagem. Gira-discos. Vinil. Ídolos. Calças à boca de sino.
Sonhos. Sorrisos interrompidos. Tens de chegar a casa cedo. Música ao ouvido.
Slows. When a man loves a woman. We danced. A long time. A long time ago.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

"Expresso curto" com erros e beijinhos

Ultimamente, tem-me sido enviado por mail (obrigada, Álvaro!) o "Expresso curto" que são notícias curtas muito bem servidas todas as manhãs pelo Expresso.

Estou certa de que mo enviam tal qual é publicado on-line.
Hoje, dia 13 de abril, logo no início, pode ler-se:

Bom dia,
O noticiário global está hoje dominado pelo que o vento nos trás dos Estados Unidos....

Voltei a ler. O jornalista, Martim Silva, confunde a 3ª pessoa do singular do verbo Trazer (traz), no presente do indicativo,  com a preposição (trás). 
Vá lá, sr jornalista, olhe para trás, porque o seu texto traz erros.

Na rubrica intitulada Números, pode ler-se também:

7300
Pedidos de ajuda de famílias sobrendividadas que chegaram à DECO...

Ora, consultando o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, fica a saber-se que, segundo o Novo Acordo Ortográfico, se diz sobre-endividadas.

Outro número que faz pensar pelos erros cometidos por muitos jovens, mas não por razões linguísticas é este:

50%
O aumento de queixas por violência no namoro em meio escolar, num único ano, noticia o jornal Público.

Todos nós vamos conhecendo alguns casos de violência também no namoro. Muitas vezes, vindos de onde menos se espera!

O artigo  termina  deste modo:Tenha um grande início de semana. Cheio de beijos bons.
 Este final tem a ver com o "Dia do Beijo" que se celebra hoje,

Daí lembrar-me do filme Casablanca de Michael Curtiz.


Resultado de imagem para Dia do beijo - Casablanca



 Beijinhos!
Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990: sobre-endividamento.

"sobreendividamento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/sobreendividamento [consultado em 13-04-2015].
Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990: sobre-endividamento.

"sobreendividamento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/sobreendividamento [consultado em 13-04-2015].
Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990: sobre-endividamento.

"sobreendividamento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/sobreendividamento [consultado em 13-04-2015].
Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990: sobre-endividamento.

"sobreendividamento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/sobreendividamento [consultado em 13-04-2015].

sábado, 11 de abril de 2015

À espera dos Bárbaros



Resultado de imagem para kavafis


Mas que esperamos nós aqui n'Ágora reunidos?

É que os bárbaros hoje vão chegar!

Mas porque reina no Senado tanta apatia?
Porque deixaram de fazer leis os nossos senadores?

É que os bárbaros hoje vão chegar.
Que leis hão­‑de fazer os senadores?
Os bárbaros que vêm, que as façam eles.

Mas porque tão cedo se ergueu hoje o nosso imperador,
E se sentou na magna porta da cidade à espera,
Oficial, no trono, co'a coroa na cabeça?

É que os bárbaros hoje vão chegar.
O nosso imperador espera receber
O chefe. E certamente preparou
Um pergaminho para lhe dar, onde
Inscreveu vários títulos e nomes.

Porque é que os nossos dois bons cônsules e os dois pretores
trouxeram hoje à rua as togas vermelhas bordadas?
E porque passeiam com pulseiras ricas de ametistas,
e porque trazem os anéis de esmeraldas refulgentes,
por que razão empunham hoje bastões preciosos
com tão finos ornatos de ouro e prata cravejados?

É que os bárbaros hoje vão chegar.
E tais coisas os deixam deslumbrados.

Porque é que os grandes oradores como é seu costume
Não vêm soltar os seus discursos, mostrar o seu verbo?

É que os bárbaros hoje vão chegar
E aborrecem arengas, belas frases.

Porque de súbito se instala tal inquietude
Tal comoção (Mas como os rostos ficaram tão graves)
E num repente se esvaziam as ruas, as praças,
E toda a gente volta a casa pensativa?

Caiu a noite, os bárbaros não vêm.
E chegaram pessoas da fronteira
E disseram que bárbaros não há.

Agora que será de nós sem esses bárbaros?
Essa gente talvez fosse uma solução.


  Konstantinos Kafavis, considerado o maior poeta grego do tempo moderno (1863/1933).