quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Há mar e mar: sentir e cantar

"Meu querido mês de agosto"

Estas imagens são de Castro S. Paio, uma praia e grandes rochedos, entre Vila Chã e Angeiras.
Convida a uma bela caminhada até lá. Já a fiz várias vezes. Este ano, com uma das minhas filhas, saboreei belas  maresias e pedrarias, sentada numa pequena esplanada que lá existe. 
No cimo do castro, existe uma pequena capela rodeada de um grande adro. Aproximando-me dela e olhando as ondas, lembro-me sempre das Cantigas de Amigo, versos amorosamente escritos no princípio da nacionalidade, sendo D. Dinis um dos seus cultores.
Hoje chega ao fim o mês de agosto, mas, felizmente, estas belezas continuam. Talvez agora com um pouco mais de silêncio, aberto ao azul.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

E finalmente caiu a chuva

Agosto está quase no fim - a avaliar por muita coisa, incluindo as nuvens e as contas para pagar.
O tempo e talvez um pouco mais de recolhimento pedem leitura. Tenho-me atirado a livros de Elena Ferrante. Ontem, terminei um (A amiga genial) e hoje comecei o segundo volume (História do novo nome). Estou encantada e apetecia-me ler, ler, ler...
Como as obras remetem para os anos sessenta, verifico que as histórias,  que se passam em Itália e sobretudo em Nápoles, não eram assim tão diferentes das que vivíamos em Portugal, como a violência doméstica, a pobreza de muitos e a riqueza de alguns, o desejo de libertação e a queda noutros aprisionamentos...
E é fascinante o gosto pela leitura de algumas personagens, a rebeldia, a inteligência, a vontade de estudar e de saber...
Tudo numa escrita tão fluente e coloquial que parece que se está a assistir ao desenrolar dos factos de forma direta e sem artifícios. Escrever assim é um dom e significa ter trabalhado muito a linguagem e a observação do mundo.
Se não tivesse outras prioridades, reabria o livro e fechava-o só ao fim da tarde.
Não posso. Não se pode ter tudo.
Mas felizmente veio a chuva.