segunda-feira, 27 de abril de 2026

Na 'minha cidade com mar ao fundo'!

 

Ontem, fui à 'minha cidade com mar ao fundo' - Espinho. Cheguei pela hora da abertura das lojas. Depois de um cafezinho,  estava na rua 19. Uma das primeiras lojas aonde entrei foi a bonita Bertrand. Eu tinha uns livros em mente e um vale ainda do Natal que queria descontar.

Entrei e parei a ver os livros mais em evidência, aqueles que à entrada estão dispostos de modo a chamar logo a atenção. Um deles era de um apresentador da tvi. E outros que devem vender bem. Muito bem. E veio-me à cabeça a frase que agora muita gente diz: 'Toda a gente escreve livros'. E, se são figuras mediáticas, os livros vendem-se. E muitos. E se as editoras têm dinheiro para a publicidade, ainda se vendem mais. Muito mais.

Se calhar, alguém diz a mesma frase quando, modestamente, publico os meus livros. Já agora, estou a trabalhar numa história para crianças que gostaria de publicar ainda este ano e que está a ser ilustrada. Só que, como tanta gente que gosta de escrever, sou desconhecida, anónima e as editoras, que aceitam publicar, têm poucos recursos e são pequenas. Só é grande o prazer de escrever, ver ilustrado e concluído um livro, feito honestamente, com amor, com criatividade, que, de uma forma ou outra, também anda por aí.  

Pois bem, os livros que eu queria comprar eram da Capicua e cuja coleção, julgo, tem o titulo 'Mão Verde'. Ao balcão, estavam duas jovens, simpáticas e educadas, que me informaram que, pelo menos, um desses livros só estava à venda online. Perguntei por outros livros de Capicua, também para crianças. Para além de ser muito talentosa e escrever muito bem, ela aborda temas importantes do dia a dia, como de ligação à natureza. Também compõe músicas muito bonitas e motivadoras para as crianças. 

Uma das jovens pesquisou livros da autora no computador e foi buscá-los a outro espaço que não estava acessível ao público. E pensei o óbvio: há autores e livros muito bons que não estão visíveis nas livrarias. E é pena. Muita pena. Os leitores ficavam a ganhar. 

Portanto, o que está logo à frente dos olhos de quem entra nas livrarias são muitas vezes livros que rendem muito dinheiro: à livraria, aos editores, a quem os escreve.

Não costumo interessar-me por esses livros e acho que o farei cada vez menos. 


2 comentários:

  1. Bom dia
    Fiquei particularmente satisfeito por saber que gosta de Espinho cidade, pois para mim Espinho é também uma cidade que me diz muito, pois foi onde estudei, trabalhei e ainda hoje visito com bastante regularidade, tanto para fazer compras ou apenas disfrutar de um passeio à beira mar .
    Penso que é a única cidade portuguesa que tem as ruas com números em vez de nomes, o que simplifica muito a sua visita .

    JR

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  2. Boa tarde!
    Que bom Espinho trazer-lhe boas recordações.
    Sim, gosto da cidade, embora não conheça muita coisa. E só sei os números de algumas ruas.
    Também os meus pais gostavam de lá ir e a minha mãe dizia muitas vezes, referindo-se às lojas: 'Em Espinho, há tudo'. E acho que tinha razão.
    Como é uma cidade pequena, vejo que muita gente se conhece, o que é bom, num tempo em que muitas vezes as pessoas parecem indiferetes.
    E ter o mar tão perto também é muito bom.
    Bom fim de tarde, Joaquim!

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