Fui cedo passear o cão ao passadiço. À hora em que pouca gente passa, a não ser os peregrinos. Ou pessoas que moram por ali e querem aproveitar as horas em que não chegam os banhistas com sacas e caixas de farnéis, com os guarda-sóis, tapa-ventos e muitos etecetras.
Ora, sentados, na beira do passadiço, estavam dois homens a conversar. Faziam-se ouvir e bem. O outro ruído era o do mar e, comparando com as vozes deles, era bem mais brando.
Apeteceu-me abrandar para ouvir o que diziam, não fosse o cão puxar-me com toda a força. Mas deu para ouvir algumas coisas.
Falavam de futebol e de política, tudo misturado. E não havia frase nenhuma - todas muito curtas - em que não entrassem palavras começadas por cê, por pê, por efe…
E como o cão puxava com tanta força, até pensei: será que o cão não gosta de palavras a que não está habituado? E ainda deu para ouvir: F…
Ou fui eu que pensei???
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