O relógio
Como habitualmente, o telefone toca. Oito menos dez. A filha está a chegar ao trabalho. Atende ainda um pouco ensonada. Sim, está tudo bem. E tu? Pois, acho bem que arranjes tempo para ir ao ginásio. Para te manteres bem como estás. Sim, imagino que te soubesse bem uma folga. Deixa lá, amanhã já é fim de semana.
A mesa
Um cheirinho bom a café acabado de fazer. A compota de figo e maçã, os ovos mexidos acabadinhos de saltar para o prato. O pão que teve a noite para descongelar e parecer fresco.
A manhã com tempo
Toma o pequeno almoço nas calmas. Sem obrigações nem pressas. À frente, a televisão sem som. Com títulos a passar rápidos: as trapalhadas do Neves, as meias palavras do Montenegro, as habilidades do Ventura, as trumpalhadas do Sr América que quer pôr em tudo o nome da América! E outras.
Continua a saborear o seu querido pequeno almoço neste início de setembro porque já lá vai o querido mês de agosto. Do sol e do dia do seu eclipse, da praia e de muitas maresias, de alegrias pelas alegrias da criançada da família, de muitos pratos na mesa perto do churrasco, de aniversários com músicas de ídolos dos pré-adolescentes, de preocupações para que nada falte e tudo esteja a contento de todos!
É setembro. Com calor, depois de uma semana de chuva. As hidrângeas amadureceram. Os dióspiros também vão mudando de cor. Continua à mesa. Degustando memórias recentes. Também de alguns cansaços. Olha pela janela. O sol tem brilhos de final de verão. Levanta-se. Põe a loiça na banca e deixa-a por lavar. A máquina está avariada. Crente que não vai ficar assim o novo dia.