A criançada andava toda na brincadeira.
De repente, faz-se ouvir um apito que vinha do fundo da rua.
- Olha, é o assobio do amolador das facas - disseram os mais velhos.
- Ainda me lembro de um que passava na rua da minha infância - disse outro ainda jovem, mas já não tão jovem assim.
É a primeira vez que oiço este som - disse um dos mais novos.
- E o amolador vinha também de carrinha e com altifalante? - perguntou uma das crianças.
- Nem pensar! - logo alguém respondeu. Vinha numa espécie de bicicleta adaptada onde cabia a ferramenta necessária ao afiar das facas. Tocava um apito para chamar os clientes.
A carrinha já próxima, a criançada quis experimentar o serviço. Os adultos foram buscar duas facas para afiar.
O homem abriu a porta de trás da carrinha e ligou um rodízio moderno.
Quando devolveu as facas afiadas, recebeu cinco euros de cada uma.
O mais velho dos mais novos logo disse:
- Com este dinheiro, mais valia comprar facas novas.
Valeu pela memória antiga do assobio - pensei eu, enquanto a carrinha se afastava com o apito eletrónico e a peripécia terminava por ali.
Como uma onda diferente que se mistura, lentamente, no oceano da memória.
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