sábado, 8 de agosto de 2026

Coisas de verão - o amolador de facas


criançada andava toda na brincadeira.

De repente, faz-se ouvir um apito que vinha do fundo da rua. 

- Olha, é o assobio do amolador das facas - disseram os mais velhos.

- Ainda me lembro de um que passava na rua da minha infância - disse outro ainda jovem, mas já não tão jovem assim.

É a primeira vez que oiço este som - disse um dos mais novos.

- E o amolador vinha também de carrinha e com altifalante? -  perguntou uma das crianças.

- Nem pensar! -  logo alguém respondeu. Vinha numa espécie de bicicleta adaptada onde cabia a ferramenta necessária ao afiar das facas. Tocava um apito para chamar os clientes.

A carrinha já próxima, a criançada quis experimentar o serviço. Os adultos foram buscar duas facas para afiar. 

O homem abriu a porta de trás da carrinha e ligou um rodízio moderno.

Quando devolveu as facas afiadas, recebeu cinco euros de cada uma. 

O mais velho dos mais novos logo disse:

- Com este dinheiro, mais valia comprar facas novas.

Valeu pela memória antiga do assobio - pensei eu, enquanto a carrinha se afastava com o apito eletrónico e a peripécia terminava por ali. 

Como uma onda diferente que se mistura, lentamente, no oceano da memória.


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