domingo, 15 de setembro de 2013

A diferença que uma caminhada faz


Sê parte do milagre do momento.
Thich Nhat Hanh

O meu pai e eu caminhávamos muitas vezes juntos, mas depois de ele ter passado pelas cirurgias de bypass cardíaco e das costas, tivemos que encarar a realidade de os seus dias de longas caminhadas terem acabado aos setenta anos. No entanto, por milagre, apenas um ano após estes revezes, ele conseguiu acompanhar-me através do País de Gales, num percurso de cerca de 300 quilómetros, de costa a costa.
Um fim de tarde, enquanto transpúnhamos uma longa e sinuosa cordilheira, deparámo-nos com uma mulher de idade e o seu cachorro beagle. Vacilante, apoiada numa bengala, ela trazia um capacete de automóvel e segurava na mão um ramo de flores selvagens. Cumprimentei-a e, depois de algumas palavras trocadas, ela disse-nos que tinha quase noventa anos. Observei-a minuciosamente e nem queria acreditar na forma excelente em que se encontrava. Parecia tão saudável e satisfeita!
“Qual o segredo para uma vida longa e feliz?” perguntei.
Ela sorriu e disse suavemente “Momentos.” Fez-se uma pausa tranquila antes de continuar. “Momentos, é tudo o que temos. Um verdadeiro caminhante sabe isto.”
Disse-nos adeus e lá continuou o seu caminho, com o cão a correr uns passos à frente dela. Mesmo antes de desaparecer no horizonte, eu olhei de novo para ela, a caminhar com custo, com um porte e uma postura intemporais, e sorri para o meu pai. Ela tinha razão: é tudo o que temos.

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