segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Vem aí o Natal

 

Já chegou o convite para participação na nova coletânea de Natal, da Editora Lugar da Palavra. É uma oportunidade de partilharmos o que escrevemos e ir deixando uma marca - por pequena que seja - no mundo em que vivemos. Já escrevi o meu conto. Apesar de o ter lido, relido, corrigido muitas vezes, ainda está a marinar. Há tempo para o envio: final de outubro.

Boa participação e boas escritas!



LUGARES E PALAVRAS DE NATAL – VOLUME XIV

Coletânea de poemas e contos 2025

Este Natal chegamos ao Volume 14! E continuamos a contar consigo! Participe!

REGULAMENTO

1. O prazo de inscrição para participação na coletânea LUGARES E PALAVRAS DE NATAL e envio de textos decorre até 30 de outubro de 2025.

2. Os textos devem ser enviados em suporte informático (tipo word) e remetidos para editora@lugardapalavra.pt

3. Serão admitidos textos do género lírico (poemas) e narrativo (contos).

4. Cada autor poderá participar com um ou vários textos, que pode(m) ocupar até um máximo de quatro páginas, sendo que cada página corresponde a um conjunto de 1700 caracteres (incluindo espaços) ou 1400 caracteres (sem espaços), para os contos, ou 30 linhas de verso (incluindo espaços de transição de estrofe e eventuais versos demasiadamente longos).

5. A ordem de publicação obedecerá a um critério a definir, posteriormente, pela organização.

6. Os autores podem utilizar pseudónimo, embora sejam obrigados a identificar-se e o seu nome ser incluído na breve biografia a constar do livro.

7. Os autores devem enviar uma curta nota biográfica, que será publicada, com um máximo de 600 caracteres, incluindo espaços.

8. O tema de todos os textos é o Natal e/ou os valores à data associados.

9. No caso de a organização entender que o número de participantes não é suficiente para a edição do livro, os textos serão publicados on.line no site da editora Lugar da Palavra, em www.lugardapalavra.pt e enviado um exemplar em formato pdf a todos os participantes. A organização é soberana na seleção dos textos a incluir na obra.

10. O preço de venda ao público (PVP) será definido em função do número de páginas, sendo certo que os autores beneficiarão de vantagens na sua aquisição diretamente à Lugar da Palavra Editora.

11. Todos os textos serão alvo de revisão, com vista a apresentar um trabalho da maior qualidade possível, comprometendo-se, obviamente, a organização a nunca desvirtuar o original do autor.

12. Os participantes disponibilizam os seus textos exclusivamente para a presente publicação, sendo-lhes, obviamente reconhecido o seu direito de autor (pelo qual assumem essa responsabilidade), mas não serão pagos quaisquer direitos patrimoniais. Ou seja: o participante envia textos da sua autoria (se já publicados, com a respetiva autorização competente) e cede-os exclusivamente para o fim em questão, não resultando da sua publicação a obrigação da editora de pagamentos de direitos patrimoniais ao autor.

13. Será constituído um Conselho Editorial.

14. A participação implica a aceitação de todos os termos do presente regulamento.

15. Os casos omissos serão resolvidos pela organização




sábado, 27 de setembro de 2025

Roupa, pra que te quero?

 

Nunca fui de comprar muita roupa, mas já comprei bem mais do que compro agora. Só vou às lojas quando preciso mesmo, porque, para além de não ter muita paciência, penso melhor, e vejo que, afinal, tenho peças de roupa suficientes para qualquer estação. Se bem que as diferenças de temperatura vão sendo cada vez mais pequenas. 

Por vezes, compro algumas coisas on-line. Em segunda mão, recordo-me de comprar uma blusa branca em Bordéus, já lá vão muitos anos, mas acho que nunca a vesti. Lavei-a várias vezes, mas o tamanho era pequeno para mim e interrogava-me sobre quem a teria usado. Contudo não me desfiz dela durante muito tempo porque achava-a bonita. Há dias, seguiu, com outras coisas, para a loja social que está aberta perto de mim. 

Também entre nós são cada vez mais as lojas de roupa em segunda mão, o que será um modo sustentável de reutilizar a roupa e evitar o seu excesso. Já para não falar do espetáculo degradante de ver roupa abandonada e espalhada pelo chão, junto de qualquer contentor.

As lojas de arranjos também são ótimas para tornar diferente uma peça de roupa, evitando, assim, nova compra, novos gastos e novos desperdícios. Às vezes, nem parece a mesma peça, graças apenas a um ou outro adereço e pequenas modificações.

A propósito, é tempo de arrumar o guarda-fatos para o outono. Eu, que não sou nada exemplo de celeridade, já comecei. Que remédio, o frio já nos vai vestindo e o fim desta tarde prevê-se com sinais da tempestade Gabrielle, que esteve nos Açores e que também vai passar por cá.

Mesmo assim, gostava um dia de voltar ao arquipélago. Ainda me lembro do vestido que levei da primeira vez que fomos aos Açores, porque saímos do avião e senti um ar quente e húmido que me colou o tal vestido ao corpo. Talvez fosse um sinal de que não precisamos de muita roupa para viver. Para mais, o aquecimento global vai-nos tirando muita roupa de cima.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Arrumações


Não sei o que se passa comigo

Só me apetece arrumar

Armários e gavetas

Que não quero entulhar


Separo roupas antigas

E também limpo a poeira

Que se vai acumulando

Durante uma vida inteira


E lá vou pondo em sacos

Coisas pra dar ou contentor

Ou para a loja social

Onde se vendem restos de amor


E durante a arrumação

Não deixo de me lembrar

Do mundo desarrumado

Que o Poder quer conservar


O mundo não é sempre igual

Mas ver afastar a verdade

Ao mundo faz muito mal

E vai arrumando com a Liberdade!


quarta-feira, 24 de setembro de 2025

A caixinha dos artistas

 

Todos os dias o Jornal de Notícias nos chegava a casa. Depois do almoço, o meu pai lia o jornal, prestando mais atenção às páginas de desporto. Quando era hora de ele retomar o trabalho, a minha irmã e eu pegávamos no jornal e a nossa maior atenção ia para as páginas que mostravam artistas de cinema e da canção.

Ora, a nossa vontade era logo recortar as fotos dos ídolos da época e guardá-las numa caixa de papelão, a que chamávamos caixinha dos artistas. Estavam lá Brigitte Bardot, Marisol, Adamo, Rita Pavone, Alain Delon e muitos mais, em folha fininha de jornal e a preto e branco. 

De alguns artistas, havia várias fotos, ou porque viessem a Portugal ou porque deles se falava muito no momento. Uma dessas figuras era a belíssima e talentosa Claudia Cardinali, sempre com o seu risco preto nos olhos e sorriso sedutor. Nasceu na Tunísia em 1938 e morreu ontem em França. 

A caixinha dos artistas, que íamos preenchendo na infância e folheando com fascínio, há muito desapareceu. Porém, alguns filmes que a atriz protagonizou, como O Leopardo, esses ficarão para sempre.


terça-feira, 23 de setembro de 2025

Bruce Springsteen - Streets of Philadelphia

Tantas ruas há na América!




segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Olá, outono!





O outono chegou hoje e logo se fez sentir. Está mais frio, apesar do sol acolhedor, que empalideceu e amarelou um pouco. 

Colhi marmelos e olhei os dióspiros ainda verdes.

Observei as inúmeras belas-donas que, adormecidas até agora na terra, renascem coloridas e viçosas em canteiros, cantos e recantos, tornando-os vivos e festivos.

Vi que as hidrângias estão em despedida. Irromperam na sua plenitude azul que, ao longo do verão, se foi acastanhando e secando. Não sei, contudo, qual é a sua fase mais bela.

Tirei algumas fotografias, que nunca ficam perfeitas. A imperfeição também tem a sua beleza.

Pus umas tigelas de marmelada a secar ao sol da janela e lembrei-me de gestos que repetimos em muitas estações.

Procurei músicas para partilhar aqui e gostei destas. Oxalá gostem também.

Feliz outono!




sábado, 6 de setembro de 2025

Praia de (quase) outono!

  

Gosto muito do mar, ainda que raramente entre nele, porque não sei nadar (quando vejo as minhas filhas e os meus netos, felizes, a nadar, fico ainda mais feliz).

Também gosto de praia, mas não fico na areia durante muito tempo. No entanto, gosto de sentir o verão com todas as suas delícias e cores dadas pela presença das pessoas, pelas barracas, pelos guarda-sóis; por poder partilhar prazeres naturais e descontraídos que a praia oferece...

Porém, para mim, quando se aproxima o outono, a praia ganha dimensões que me agradam particularmente: abre-se, alarga-se e acalma. Olhar a praia deste (quase) outono é ouvir mais silêncio, é rever muita coisa (boa ou menos boa) que irrompe da memória. Parece que o tempo também se estende um pouco mais.

Que não se pressinta um adeus nostálgico a muitos dias de agosto: aos netos e sobrinhos-netos, todos juntos em bricadeiras divertidas e ruidosas ou em zangadas e infantis teimosias, esquecidas dentro de momentos; ao prego na esplanada do Fernando, à esplanada do Raminhos donde se avista mais areia e mais mar e se respira mais maresia, ao reencontro com pessoas amigas que a praia também chamou, à celebração dos aniversários em família em que sinto prazer de ver o prazer que dá a sopa de peixe que acabei de fazer...

Pronto, foi bom mas acabou-se, ou melhor, interrompeu-se. Para o ano há mais, como sempre se espera.

Logo que possa, quero ir a Mindelo, para olhar, calmamente e devagar, a praia bem mais sossegada, tal como a maioria das praias do país. 

O outono está aí e a chuva parece que está também a chegar. Venha ela, é bem-vinda, mas sem fazer estragos. Que venha serena, como se espera que seja o outono, apesar do tumulto dos últimos dias.



quinta-feira, 4 de setembro de 2025

O verão está de partida?

Derniers baisers’:




terça-feira, 2 de setembro de 2025

domingo, 31 de agosto de 2025

Ter… terapias


É cada vez mais frequente ouvir-se falar de terapia (quando se pode pagar, é claro): eu faço terapia, a terapia ajuda-me muito, consegui resolver isto porque tenho terapia…

Pois bem, julgo que não é parvo dizer que ninguém escapa a problemas, sejam eles de que natureza forem e tenham eles a dimensão que tiverem; venham eles do passado, de factos inquietantes do presente, de ansiedades sobre o futuro…

Tantas coisas que escurecem a vida que, legitimamente, queremos clarear.

Vem isto a propósito de uma conversa que ouvi de alguém que dizia: com a ajuda da minha psicóloga, consigo falar sem chorar de coisas do passado que me traumatizaram.

Ouvi a frase e logo a memória se abriu a coisas menos boas que me ficaram incrustadas nos muros das lembranças desagradáveis que não se apagam e que, de uma maneira ou de outra, acontecem a todos. Às vezes, são pequenas situações, mas que se afiguram grandes quando somos nós a senti-las e a vivê-las.

E é sorte encontrar a pessoa certa para ouvir e ajudar com parecer ou propostas de soluções. Sei de um caso em que a terapeuta dá até tarefas à paciente, assim como conheço outro em que apenas ouvia no período de tempo que estava estipulado, findo o qual recebia o dinheiro da sessão e esta terminava.

A escrita, a leitura, a dança, o treino físico, ter uma horta… também podem ser boas terapias e, por vezes, bem mais baratas, ainda que sem retorno aparente no momento, embora acalmem e deem alguma felicidade. Também a família e os amigos mais próximos são uma ajuda essencial. 

E, perante o estado atual do país e do mundo, cada um terá mesmo de encontrar a sua terapia. Nem que seja caminhar um pouco para ir emagrecendo alguns problemas.

Para mim, comunicar através deste simples blogue é muito bom. Obrigada, bom domingo e um abraço!


sábado, 23 de agosto de 2025

Amores (antigos?) de verão!

 



sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Não há andorinhas só na primavera!


Hoje vi  andorinhas logo pela manhã. Em bando apressado. Ou em divertimento? Ou em fuga a fumos que só o mar impede de sobrevoarem?


 

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Praia ainda a gosto!

 


domingo, 17 de agosto de 2025

Oficinar e festejar!








Se há festa, venha ela!

 

Um dia, ouvi alguém dizer: estou na praia, mas prefiro ficar em casa a ler durante a tarde. Naquela altura, eu tinha as filhas pequenas e, mesmo que quisesse, nunca me poderia dar a esse luxo.

Agora, tendo por perto netos e sobrinhos-netos também não é fácil, porque as brincadeiras ruidosas, engraçadas e muitas, são entremeadas de algum choro porque os que têm idades próximas querem os mesmos brinquedos…

Mas é bom pensar que todos eles estão a crescer e as memórias felizes também.

 Há dias, fomos (não todos porque somos muitos e há programas de férias diferentes) às Festas da Agonia, em Viana do Castelo. Vi e apreciei o cortejo da mordomia e gostei particularmente da ‘romaria para crianças’, com muitas atividades ligadas às tradições. Ver as crianças a correr em jogos tradicionais, a desenhar, a recortar, a pintar, a produzir peças como corações… é melhor do que ler um livro no sossego da casa, mesmo respirando maresia!

A minha filha que vive em Londres ficou encantada com as múltiplas e bem organizadas atividades para crianças e mais ainda por serem gratuitas.

Temos muita coisa desagradável à nossa volta  (os incêndios e aparente indiferença de quem governa; leis nada católicas, influenciadas por quem se diz muito católico, etc), mas vivemos num país com gente maravilhosa que cria, que faz, que se entusiasma, que rema contra muitas marés difíceis, que não cessa de abrir o belo sorriso…

Numa das exposições fotográficas na Festa da Senhora da Agonia, via-se o ar bem mais triste e pesado das mordomas nos anos sessenta, ao contrário dos sorrisos atuais, bem mais abertos, desempoeirados e libertos. Felizmente.

Nesse tempo, vivia-se numa praia sem se desfrutar da praia,  tão grande e generalizada era a agonia.

Que agora é nome de Festa e, se há festa, e da boa, venha ela!

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Junto dos cardos, também se abrem flores!


 

sábado, 9 de agosto de 2025

O que fará um gato nas dunas?

 





Sentirá o prazer da areia limpa que ninguém pisa?

Pensará que as dunas protegidas são portas transparentes que se abrem ao oceano?

Andará à procura de raizes ou surpresas entre a vegetação? 

Olhará o mar que deseja liberto de neblina?

Esperará alguma gaivota que o ensine a ficar?

Buscará apenas uma saída sem se picar nos cardos que a maresia ajudou a plantar?


quinta-feira, 31 de julho de 2025

'Pouco prato e muito sapato'


Tenho uma amiga que tem uma horta que fornece quase tudo o que precisa: batatas, cebolas, abóboras, feijão, couves, tomates, fruta, etc. É inspirador ver o que produz e ouvi-la nomear o que produz e a forma como o faz. Fala do sabor das rodelas de cebola na salada como se se tratasse de cozinha gourmet. E tem razão. É melhor que gourmet comer coisas da horta tratadas sem produtos químicos que fazem crescer de forma rápida para, rapidamente, serem vendidas.

Que o diga um agricultor que, não muito longe de mim, tem um campo que, pouco tempo depois da sementeira ou da plantação, fica todo verde porque os supermercados têm pressa e que o aspeto dos legumes e hortaliças seja viçoso e sem qualquer inseto. Por isso, a minha amiga cultivadora diz que em casa só se consomem produtos da sua horta.

Ora, hoje encontrámo-nos e vieram à baila coisas que comemos e também a nossa idade. E, qual não foi o meu espanto, quando vi que era uns anos mais velha do que eu. E faz coisas que não faço com medo de cair: subir a escada ou escadote para colher fruta, para afastar o silvado invasor de terreno vizinho porque o tempo é de incêndios...

Com um sorriso, contou que lhe perguntam o segredo de tanta vitalidade. E que, como resposta, repete o slogan: 'Pouco prato e muito sapato'!

- E comer as coisas da minha horta, acrescentou abrindo ainda mais o alegre sorriso.


quarta-feira, 30 de julho de 2025

O inferno


Quando eu era miúda, a palavra inferno dava para muita coisa. Bastava fazer uma asneirita que se ouvia logo: olha que vais para o inferno! O inferno era muito mostrado como lugar para onde iam os maus (e tantas vezes as asneiritas eram tão pequeninas!). Assim, os bons iam para o céu e os que tinham pecadilhos não muito grandes iam para o purgatório, à espera de entrada no reino celestial. 

Com o tempo, felizmente, essa distinção e sobretudo o lugar de fogo e de eterno castigo foram desaparecendo da catequese, homilias, etc. porque a educação e interação pelo medo nunca trouxeram bem a ninguém. Mas, se desapareceu a ideia desse lugar tenebroso e sem redenção, vivemos na terra muitos infernos nos dias que correm. E de que maneira! Por estes dias, os incêndios são um inferno avassalador que destrói tudo por onde passa e a que bombeiros e populações dão luta, embora o fogo seja o elo mais forte, ajudado pelo vento e calor. As pessoas e as terras atingidas são muitas vezes as mais desprotegidas e esquecidas porque são poucos os votos que garantem. 

Outro inferno atual que muitas imagens, nomeadamente de fotojornalistas, mostram ao mundo são de pessoas que morrem à fome em Gaza. Vemos, através delas, vidas humanas reduzidas a quase esqueletos. O olhar de sofrimento comove e revolta. As imagens terríveis da fome extrema em Gaza - cruel genocídio - têm proliferado em muitos jornais e revistas, alertando, juntamente com muitas instituições, para o que lá se passa, perante muita e longa indiferença de governantes de muitos países. Que não conhecem nem querem conhecer de perto o inferno de tantas vidas indefesas, porque têm sempre os mais variados paraísos à sua disposição. Que os servem e dos quais não querem deixar de se servir.


sábado, 26 de julho de 2025

Sou católica, mas não gosto de ver aquilo

 

Embora entre mais em igrejas quando passo a qualquer hora e vejo com agrado as portas abertas do que em horas marcadas para cerimónias litúrgicas, considero-me católica. E, de vez em quando, gosto de ir à Fátima, julgo que mais para agradecer do que para pedir, embora também não escape ao 'se isto acontecer, faço isto ou aquilo!', como acontece em tantas promessas. Mas, como se costuma dizer, cada caso é um caso e cada um faz como melhor entende e como dita a dureza do momento.

Chegando lá, gosto de olhar a vastidão do recinto, a cruz estilizada que se eleva e onde vejo arte e elegância, a capelinha onde, a quase todas as horas, existem rituais, missas, cânticos, orações, música... irradiando, independentemente do grau da crença de cada um, calma e espiritualidade.

Ora, ontem, fui com um grupo de amigas ao santuário de Fátima, viagem que já se vai tornando um ritual em cada verão. Quando chegámos, a missa estava prestes a começar e seria acompanhada pela voz límpida de uma jovem cantora. Como já não tínhamos lugares sentadas, ficámos de pé, sentindo uma brisa refrescante no corpo e na alma. Pouco depois, tivemos de dar uns passos em frente porque, sem repararmos, estávamos a pisar o corredor onde as pessoas passam  de joelhos cumprindo as suas promessas.

Respeitando todos os sentimentos e os motivos que levam a tão difícil percurso feito de joelhos, custa(-me) ver aquele deslizar penoso ainda que protegido por joelheiras.

Alguém perguntou: Nossa Senhora ficará contente com este sofrimento?! Concordei com a pergunta que, por coincidência, também me estava a ocorrer.

Impossível ficar indiferente


Os jornais dos últimos dias têm publicado fotografias chocantes de crianças que estão a morrer à fome em Gaza. Impressiona o olhar desses meninos e meninas sem culpa de nada, que as mães abraçam em supremo sofrimento, e que os governantes esquecem porque nas suas cabeças apenas cabem o ódio, a ambição, a vingança, a manutenção de privilégios … tudo o que o ser humano tem de pior para se manter no poder e mandar em tudo quanto pode.

O mundo, felizmente, vai reagindo, alertando, mas quem mata, quem impede que os camiões com os alimentos avancem na faixa de Gaza continuam a fazê-lo… e os mais fracos não cessam de sofrer, desnutridos e indefesos, e a morrer num dos piores massacres a que o mundo tem assistido. Nós, os anónimos, sentimo-nos perplexos e impotentes, os governantes querem estar de bem com Deus e com o Diabo para não perderem o lugar e conquistar cada vez mais, se possivel… e assim o horror continua sem dar tréguas. 

Enquanto isso, muitas pessoas vão sendo mortas, também enquanto esperam por alimentos ou desesperam por água.

Depois de as armas terem sido acionadas e muita gente morta, os assassinos sentam-se à mesa farta sem terem qualquer indigestão.

Que os media não se calem - cresce esse receio! - nem deixem de mostrar estes horrores para que também não se normalizem, como está a acontecer a tantos outros.

Às vezes, a sociedade civil, mesmo sem armas, trava alguns avanços de monstros que destroem o mundo para salvarem a própria pele, por onde o sangue devia escorrer mais à vista por tanto mal que ja fizeram e continuam a fazer à Humanidade. E parece que nada lhes acontece. Raisparta!


terça-feira, 22 de julho de 2025

Chapéus… afinal, há poucos!

 

Há umas semanas, procurei um chapéu para levar a um casamento, fazendo a vontade à noiva. Depois de lhe dizer que não era o meu estilo, que não estava habituada, acabei por aceder e até achei piada à ideia.

Tinha era de me despachar. Já faltava pouco tempo para a cerimónia. Comecei por procurar na net. Sem sucesso imediato. Dava jeito comprar no Porto, aonde já não ia há bastante tempo, apesar da proximidade. Na net, encontrei duas lojas onde, à partida, poderia encontrar chapéus como eu queria: uma na rua Sá da Bandeira, outra na rua Nova de S. Crispim. Na primeira, muito perto da estação de S. Bento, nem entrei quando lá cheguei. De fora, vi logo que eram para homem. E que gostasse de chapéu à cowboy. Voltei a subir a rua, notando a proliferação de lojas para turista: muito souvenir, muita esplanada, muito pastel de nata de múltiplos sabores. O calor apertava e os turistas enchiam os passeios da rua. Mesmo assim, ainda entrei noutras lojas onde ouvia o mesmo: não temos chapéus e nem sei onde os possa encontrar!

Nessa tarde, já nem tive vontade de ir à tal outra chapelaria. Ficaria para o dia seguinte.

Cheguei a casa e telefonei para a loja. Atendeu-me uma senhora de voz antiga e meiga. Sim, havia um chapéu como eu pretendia. Posso reservar, se quiser. E o tamanho? Era melhor medir. Tem fita métrica de costureira em casa? Sim, tenho.  Como indicado, medi a cabeça, mas medi mal. Precisaria de um tamanho maior, mas só vi isso quando lá fui no dia seguinte.

Para experimentar o chapéu, era dado um lenço de papel ao cliente para limpar a testa e depois uma touca de plástico.

Tantos cuidados e tão poucos chapéus para mulher, pensei eu. Para homem, abundavam, de muitas formas e muitas cores! E bonitos, muito bonitos. Para todos os estilos. Do mais vaidoso, ao mais sóbrio.

E saí desconsolada, pondo-me uma questão que me fez esquecer o que eu procurava e não tinha: Será que volto às Galerias Lafayette em Paris? 

E lá veio a resposta-promessa: Se for, não saio de lá sem um chapéu!


segunda-feira, 21 de julho de 2025

Na manhã deste domingo


Na manhã deste domingo, fiz parte de um grupo  de pessoas de Gondomar que gostam de ler, escrever e que publicam, seja em poesia ou prosa. 

Presentes estavam impulsionadores da iniciativa e autores de poesia e prosa que foram, nos últimos tempos, aderindo ao grupo por convite, por amizade, por vontade própria…

Partilharam-se livros já publicados, leram-se textos, conversou-se, reencontraram-se pessoas, conheceram-se outras, sentindo-se feliz comunhão pelo gosto de escrever. 

Foi boa a manhã de ontem em espaço público e aberto (Jovim). A chuva era anunciada, mas o sol abriu-se. O encontro trouxe alegria, amizade, boa comunicação, empatia…

Venham mais manhãs assim. Ou tardes ou noites. No mundo atual, as boas palavras são cada vez mais necessárias. Ditas ou escritas.


sexta-feira, 18 de julho de 2025

O que vou fazer para logo à noite?


Segundo o Expresso, na edição anunciada para esta semana, são os portugueses que mais gastam em comida.

Há muitos anos, uma pessoa alemã, ligada à nossa família, passou connosco uns dias e perguntou à minha mãe se não se cansava de passar tanto tempo na cozinha para fazer almoço e jantar. Já para não falar do lanche, porque com muita frequência, sobre a mesa havia ou aletria, ou leite creme, ou rabanadas para aproveitar pão seco, etc.

Nessa época,  passei um tempo na Alemanha e o jantar era sempre umas fatias de um pão escuro e maravilhoso a que juntávamos queijo ou salame. Tenho saudades desse pão que não voltei a encontrar em lugar algum.

Mas, voltando à notícia do jornal, fiquei surpreendida por sermos os mais gastadores na alimentação. Será pela quantidade ou pela qualidade dos alimentos? Estou com curiosidade de ler o texto na íntegra.

E, a propósito, nem sei o que vou fazer para o jantar!

quarta-feira, 16 de julho de 2025

MEO Deus, ou uma questão de vírgula!


Ontem, liguei para a MEO, a minha operadora de telemóvel, porque me apareceu uma mensagem com uma conta que não reconheci: 123 euros mais iva.

Interroguei-me: será 123  ou 1,23 euros? O que é certo é que aparecia 123 sem qualquer ponto ou vírgula.

O melhor seria telefonar para a MEO. Felizmente não me apareceu a senhora virtual a pedir o assunto do contacto exigindo apenas as palavras programadas e mais nenhuma.

Não, foi voz humana que me atendeu. Voz de homem mal disposto. Expus o assunto. Quis que eu lesse a mensagem recebida. Cumpri o pedido. Perguntou-me se eu tinha a certeza que a mensagem era da MEO e se o número 123 não era 1,23. Repetiu a pergunta com secura. 

A má disposição começou a contagiar-me. Repeti a questão: o custo mencionado na mensagem era de 1,23 ou 123 euros? O que estava escrito era 123 e a mensagem era da MEO, por isso, a operadora é que teria as respostas, e não eu. Se eu soubesse a resposta, não tinha contactado. O funcionário mal disposto continuava mal disposto. Pacatamente, pedi-lhe que tivesse mais paciência, porque a minha dúvida era legítima.

Depois de alguma desconversa, pediu-me para aguardar para ver então o que se passava. Finalmente, depois de algum tempo, comunicou-me que era 1,23 e não 123 euros. Que não tinha a vírgula, mas que eu deveria saber que era 1,23 euros.

Irritada, eu disse apenas obrigada e desliguei, lembrando-me do anúncio: Humaniza-te!


terça-feira, 15 de julho de 2025

No sofá com RGC e NM


Hoje de manhã, apressei-me nas tarefas domésticas para, de tarde, poder ler o livro que comecei há muito tempo e também jornais em atraso. Em papel, chega-me o Expresso, trazido pela minha filha que o compra todas as semanas e que, depois, mo passa para mim.

E o que não perco são as crónicas habituais do suplemento Ideias do semanário. A de Isabela Figueiredo é sempre uma maravilha pela maneira sedutora como escreve e pela bravura que revela também na seleção e desenvolvimento de temas atuais e importantes.

Ora, na mesma página, há outra crónica que não dispenso: a do jornalista e escritor Rodrigo Guedes de Carvalho. Vejo na sua escrita sensibilidade, ternura e vontade de transformar o mundo. Para melhor, é claro. Na crónica de 27 de junho, elege a coragem como ‘uma das mais belas palavras’ e dá o exemplo do cantor brasileiro Ney Matogrosso, que tem ‘a coragem de sermos quem somos, venha quem vier’. 

Em tarde quente e sossegada, há textos e músicas que nos refrescam e descansam. E se neles cabem ‘belas palavras’, ainda melhor.


Voltou o calor

 

Perto do Porto, onde vivo, nem sempre o calor aperta como noutras zonas do país. Talvez por sempre cá ter vivido, prefiro temperaturas mais amenas. Acho até que me daria bem em países mais a norte da Europa, ainda que o sol nem sempre brilhasse como acontece com tanta frequência no nosso país.

Quando está muito calor, penso nas pessoas que vivem em espaços pequenos e muito quentes, o que dificulta a vida e aumenta a solidão, sobretudo dos mais velhos.

E o que é certo é que, pelos dados que existem, não  vamos para melhor, pelo contrário. O aquecimento global vai-nos esturricando o corpo e a alma. E erros fatais continuam a destruir a natureza, apesar de todos os apelos.

 Porém, as crianças e jovens, nas escolas, fazem trabalhos, aparentemente simples, mas fundamentais para que o clima não se canse nem se zangue, como é o caso de plantação de árvores, separação de lixos, reciclagem, criação de pequenas hortas, etc.

Possam frutificar estas sementes que tantas pessoas vão lançando para que o calor excessivo não traga tantos males como incêndios e seca e tantos outros.

A propósito, vou beber um copo de água. 


segunda-feira, 14 de julho de 2025

Les Bonbons, de Jacques Brel (hoje no Expresso Curto)!



‘Les portugaises’ e o 14 de Julho



Em França, quando se fala de ostras, também são referidas ‘Les portugaises’, cujo nome tem a ver com a antiga importação desses bivalves por portugueses. Isto fiquei a saber num estágio para professores de francês em que participei há muitos anos, num mês de julho, em Bordéus. Com outras colegas, visitei vários viveiros de ostras da região, com vista a um trabalho que realizámos. Também pudemos saborear algumas, é claro. Ao todo, éramos um grupo de uma dezena de professoras portuguesas e os colegas dos outros países também diriam ‘Les portugaises’ referindo-se a nós e atendendo ao nosso país de origem, porque as palavras são ricas em diferentes sentidos.

Ora, durante esse estágio, pudemos também assistir à festa nacional francesa do 14 de Julho, em que se celebra a tomada da Bastilha, em 1789, fortaleza e prisão, símbolo do absolutismo monárquico, espaço que deu lugar à atual Praça da Bastilha.


Nessa data, fundamental para a França e importante para nós vivê-la como experiência, lá fomos todas alegremente para a rua participar da Festa Nacional Francesa e comemorar a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, símbolos da Revolução Francesa. Impossível esquecer essa Festa.
Oxalá que o 14 de Julho seja sempre celebrado em feliz Liberdade.


Nota: Imagens da net

domingo, 13 de julho de 2025

Bom domingo de verão!













sábado, 12 de julho de 2025

O filme que já era e uma crónica que chegou

 

Para o meu leitor (ou leitora, não sei) que, com alguma razão, me apontou preguiça por não publicar há alguns dias!


Há muito que não ia ao cinema. Um grupo de amigas convidou-me e logo disse que sim. E acrescentei: desta vez não vou dar nega.

O filme escolhido foi uma comédia divertida francesa. Como pede o verão e o tempo (com coisas tão sinistras) que vivemos. E também havia, felizmente, coisas boas para festejar, para além da amizade.

O filme era às 13,30. Chegámos um pouco apressadas à bilheteira do Alameda. Pois, mas o filme já não estava em exibição! Não teve saída - disse o jovem funcionário do outro lado do balcão. Ai o preconceito dos filmes franceses - dissemos nós.

Olhámos o painel dos filmes - ou não nos interessavam ou o horário não nos convinha. E se fôssemos à Arcádia tomar alguma coisa e pôr a conversa em dia?! Foi o que fizemos e que bem que soube! 

E da conversa, que é como as cerejas, resultou também o envio, no dia seguinte, desta crónica de Elena Ferrante (obrigada, Idalina!) de que gostei muito e que agora também partilho. Oxalá gostem também.


«Medos                                                                                     27 de Janeiro de 2018

 

Não sou corajosa. Tenho medo sobretudo de qualquer coisa que rasteje, e acima de tudo de cobras. Tenho medo das aranhas, dos carunchos, das melgas e até das moscas. Tenho medo das alturas e, portanto, dos elevadores, dos teleféricos, dos aviões. Tenho medo da própria terra onde assentamos os pés quando imagino que poderia escancarar-se ou, devido a uma avaria imprevista no mecanismo universal, como na lengalenga que recitávamos em pequenas enquanto fazíamos uma roda (a roda a girar, o mundo a tombar, tomba tomba o chão, todos para o chão – como me aterrorizavam estas palavras). Tenho medo de todos os seres humanos quando se tornam violentos: tenho-lhes medo se berram, se insultam, se ostentam desprezo, cacetes, correntes, armas brancas ou de fogo, bombas atómicas. E contudo em rapariga, em todas as ocasiões em eu era preciso ser-se destemida, eu obrigava-me a ser destemida. Depressa me habituei a temer menos os perigos reais ou imaginários e mais, muito mais, o momento em que os outros ou as outras reagiam como eu, paralisada, não conseguia reagir. Assim, as minhas amigas gritavam por causa de uma aranha? Pois bem, eu vencia a minha repulsa e matava-a. O homem que eu amava propunha-me férias na montanha com os seus inevitáveis voos de teleférico? Eu ficava a escorrer suor, mas lá ia. Uma vez, com uma pá e uma vassoura, aos gritos, pus fora uma cobra que o gato me trouxera para debaixo da cama. E, se alguém ameaça as minhas filhas, a mim, qualquer ser humano, qualquer animal não agressivo, venço a vontade de fugir. A opinião corrente é que quem age como eu tenazmente me treinei a reagir tem verdadeira coragem, a coragem que consiste precisamente em vencer o medo. Mas não estou de acordo. Nós, as pessoas timoratas-combativas, pomos acima de todos os nossos medos o medo de perdermos a estima por nós próprias. Atribuímo-nos imodestamente um valor muito grande e, para não termos de nos confrontar com uma imagem degradada de nós próprias, somos capazes seja do que for. Em suma, repelimos os medos não por altruísmo, mas por egoísmo. E, por isso, devo reconhecê-lo, tenho medo de mim. Sei desde já há algum tempo que posso exceder-me e portanto estou a tentar atenuar as reacções agressivas a que me forcei desde pequena. Estou a aprender a aceitar o medo, e até mesmo a mostrá-lo com autoironia. Comecei a fazê-lo quando compreendi que as minhas filhas se assustavam se me viam defendê-las com exagerado ardor de perigos pequenos, grandes, imaginários. Talvez devamos ter acima de tudo medo da fúria das pessoas aterradas.»

                                               Ferrante, Elena, A Invenção Ocasional, 2019, Relógio D´Água, pp. 13-14.


sexta-feira, 4 de julho de 2025

E viviam aqui tão perto!


Apesar de morar a curta distância dos dois irmãos que faleceram no terrível acidente de carro, não os conhecia pessoalmente. Pelo que se sabe, não procuravam a fama por dá cá aquela palha, mas, antes, a construíram com o seu trabalho diário e constante.
Os louvores têm sido imensos sobretudo a Diogo Jota, que começou no futebol de Gondomar, tal como o irmão, e, em menos de uma dezena de anos, chegou ao Liverpool. Também os meios de comunicação britânicos o elogiam pelo ser humano que sempre foi e pelo excelente desempenho no futebol.
É bom perceber que ainda se sabe reconhecer o talento, o trabalho e a honestidade de quem merece. Porém, os elogios chovem sobretudo depois da morte. Oxalá que estes dois jovens  tenham ouvido em vida uma grande parte desses elogios que hoje são partilhados.
Os dois jovens vão  fazer muita falta à família e ao mundo - porque bons exemplos, seja a que nível for, são cada vez mais necessários. 
A sua terrível morte mostra mais um caso de desconcerto do mundo.
 Amanhã,  sábado, a Gondomar vão chegar muitas figuras conhecidas pelo seu papel na política, no desporto, etc. Possam algumas dessas pessoas aprender com a vida exemplar destes dois rapazes que, sem vaidade nem estratagemas, se tornaram uma boa referência para todas as idades, nomeadamente para os jovens.

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Coisas de verão

 

Levantei-me cedo para regar o jardim e a horta, mas deixei a horta para logo à tardinha (gosto muito desta palavra). Desliguei a torneira porque, apesar de pouco passar das oito da manhã, já corava de calor e as moscas andavam, doidas ou aflitas, não sei,  em meu redor, o que detesto. Mas gosto de ver as plantas refrescadas, já que nós andamos cheios de calor. E a zona onde vivo nem se pode queixar muito, em relação a regiões que se tornaram tórridas por estes dias - muito difíceis para muitas pessoas. Para juntar a outras dificuldades.

Andava a regar e vi que na caixa do correio havia várias cartas: impostos que vou ter de pagar. Como faço sempre, é claro. E sempre penso e desejo: que sejam por uma boa causa, mas ao pensamento vem-me sempre também: porque é que tanta gente que ganha rios de dinheiro paga pouco ou até nem paga nada? Que raio é este desconcerto do mundo que se alarga pelo mundo fora e também no nosso país?! 

Nasci em julho. Há dois anos, também  em julho, tive de ser operada de urgência em Londres, onde estava em visita à minha filha, e para festejarmos, juntas, o meu aniversário. No ano passado, no mesmo mês, fiquei bastante doente e fui operada em agosto. Diz-se que não há duas sem três!!! Como agora há tanta coisa às avessas, espero que não!

No meu quintal, tenho ameixas quase maduras e limões que, de tão robustos, até caem ao chão. Em breve vou ter aqui em casa a minha neta que vive em Londres. Ela adora ir ao quintal colher o que houver e pôr numa cestinha. Ao vê-la, apetece-me sempre tirar-lhe fotografia, mas, mesmo que não o faça, a imagem bela fica-me na memória. 


Bom dia de verão: se possível com mais frescura e alguma maresia (outra palavra de que gosto muito).


segunda-feira, 23 de junho de 2025

Já chegou o São João


Já chegou o S. João,

Sem vontade de sorrir;

Deve estar preocupado

Com tanta guerra pra vir!


S. João, alegre e santo,

De tanta coisa és um ás;

Dá juízo a quem mal governa

Já que o mundo é incapaz!


Meu querido S. João,

Escreve nos manjericos 

Que a paz vai ser possível,

Mas, para longe os mafarricos!


quinta-feira, 19 de junho de 2025

Será possível ainda falar de coisas simples e boas?

 

Hoje levantei-me cedo. O tempo estava fresco e orvalhava, não bastante para regar as plantas. Liguei a água do poço e, daí a nada, estava a regar. Água abundante. Até quando será assim?

Enquanto regava, fui cortando as rosas velhas. Iam caindo junto da raiz - também um modo de fortalecer as vindouras.

Estendi roupa que sempre seco ao sol e ao vento. E reparei nas florzinhas pequeninas e azuis que renasceram. Uma amiga tinha-me dado o vaso há bastante tempo por causa dessas flores que, disse-lhe eu, me faziam lembrar Londres, onde as via em bonitos canteiros. Ela deve ter reparado que me ‘estava a fazer’ à planta e, como é simpática e generosa, deu-me o vaso.  Agora, de novo com as florzinhas bem mimosas, vou tirar uma foto e mandar-lhe. Deve ficar contente por ver que estimei o presente que me deu.

Enquanto escrevia este post,  fui participando num grupo de amigas do WhatsApp. E vários assuntos vieram à baila, como, por exemplo, o último livro de Mário Cláudio, em cujo título entra a palavra cruzeiro. E como as palavras são como as cerejas (tenho comido algumas bem boas!), veio à baila o gosto de fazer um cruzeiro. Eu, não, disse eu de imediato. Sobretudo em mares revoltos! Morreria de medo! O único que fiz foi há muitos anos - um pequeno cruzeiro no Báltico. Ficou-me na memória a serenidade daquele mar naquele fim de tarde. Ainda nem se falava dos horrores e medos por guerras que abalam regiões próximas e vão chegando, por diferentes formas, a todo o mundo.

Por tanta violência que parece aumentar em cada dia, interrogo-me se ainda tem cabimento falar das pequenas alegrias do dia a dia. A resposta é-me dada logo pelos meus botões: são cada vez mais necessárias para que o mundo não fique ainda mais triste!


domingo, 15 de junho de 2025

A roupa

 

Sobre o tema do título, posso dizer que cada vez gosto menos de comprar roupa. Falta-me paciência. Se é pela net, muitas vezes, o tamanho não coincide com o meu; se é na loja, fico cansada e cheia de calor nos provadores.

Por outro lado, abro o meu guarda-fatos e concluo que tenho a roupa de que preciso durante bastante tempo e para diferentes ocasiões. Para quê então acumular mais, gastar mais dinheiro, ocupar mais espaço em casa?

Seja como for, de tempos a tempos, as arrumações vão separando roupas que já não se quer. Fui juntando assim algumas num saco que hoje meti na mala do carro para depositar num contentor. Logo que via algum, parava o carro, tirava o saco e lá tentava rodar o dispositivo para o introduzir, mas nada, porque estava cheio. Ao quarto contentor por onde passei, nem parei o carro porque muitas peças de roupa saíam, avulsas, pelo contentor fora, sem qualquer cuidado ou arrumação.

Moral da história: o saco ficou na mala do carro, à espera de contentor com espaço para o receber e a roupa poder seguir um bom caminho.

Ah, ainda não disse, mas tentei dar essa roupa; agradeceram-me muito, mas a instituição já não tinha espaço para tanta roupa recebida.

Há uns anos, fiz voluntariado numa instituição de pessoas sem abrigo, que recebia todo o tipo de objetos para serem vendidos e, assim, ajudar pessoas em situação de muita necessidade básica. Pois bem, dado o seu volume, muita roupa era vendida ao desbarato e uma grande parte - a que tivesse alguma mazela - voltava para os sacos e ia para reciclar.

Por isso, o excesso de roupa é um problema cada vez maior e mais sério. Doada ou depositada nos contentores próprios, pode ser muito útil para muitas pessoas ou instituições, mas, pelas notícias conhecidas, muita roupa vai parar a países muito pobres, aumentando ainda mais o horror da poluição. 

Quando há moderação nas compras, sabe melhor comprar uma roupa nova, como o vestido para casamento que comprei e que já está na cruzeta - no cabide, como se diz mais para o sul do país.


quinta-feira, 12 de junho de 2025

‘Para pior já basta assim’


 Fui assinante do jornal Expresso durante um par de anos e continuo a ler este semanário. Habitualmente, a minha filha compra-o ao sábado e na semana seguinte vem até mim. E há, atualmente, o suplemento Ideias que não dispenso, sobretudo pelas crónicas.

Pois bem, cancelei a assinatura há coisa de um ano. Estava tão irritada que também queria deixar de receber o Expresso Curto, que recebo, sem pagar, todas as manhãs, e que acho muito bom.

Ora, o  que me levou ao cancelamento da assinatura do jornal foi o destaque - na minha opinião, é claro - que era dado a André Ventura. Ele era título gordo de primeira página, ele era fotos enormes, etc. Julgo não errar se disser que não havia edição do semanário em que o A.V. não fosse uma das principais figuras e notícias.  A favor ou contra, lá estava ele a marcar o seu território que lhe era dado nas páginas principais.

Acho que agora o jornal - que continua a ser de referência - já está mais moderado quanto a essa opção. E ainda bem, porque o tempo também traz ensinamentos. Espero que vários leitores tenham também reagido.

As televisões, porém, continuam a andar atrás do Sr Ventura. Logo que ele se aproxime de um microfone, lá estão as televisões. Um dos exemplos mais ridículos foi quando Ventura se sentiu mal na campanha eleitoral e as televisões, julgo que sem exceção, o seguiram incessantemente até às consultas no centro de saúde. Mesmo depois de se saber que a má disposição não era grave.

É que isto das audiências deve envolver muito dinheiro que as televisões não querem perder.

A comunicação social - fundamental para a informação e formação dos cidadãos - terá de refrear muitos ímpetos. E nós, leitores, ouvintes, telespectadores também, mostrando o nosso desagrado por certos exageros que só contribuem para a desinformação. E para a normalização de casos muito graves de violência, vindos de grupos extremistas.

Quanto à selva das redes sociais mais comuns, nem me pronuncio, porque não as uso. Para ‘pior já basta assim’.

terça-feira, 10 de junho de 2025

Hoje, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

 

Neste dia, os elogios à seleção portuguesa  ainda se ouvem. E ainda bem, apesar das incontáveis fortunas que o futebol mobiliza.

A vitória veio também do trabalho persistente e do esforço para vencer e isso é bom, não só pela alegria coletiva (e tanto precisamos dela!), mas também porque dá exemplos às novas gerações. Muitas figuras públicas são conhecidas de todos não porque ajudam a Humanidade, mas pelo que fazem para manipular os outros e assim aumentarem o seu poder. Por isso, bons e estimulantes exemplos são bem-vindos.

Camões, que viveu no século XVI, não foi indiferente a temas que ainda persistem de forma notória: ambição, vaidade, falsidade…

Daqui a pouco, nos discursos públicos e políticos, surgirão, por certo, citações de versos do nosso Épico. Mais valia não os encaixarem tanto neste Dia e dar mais relevo à cultura no dia a dia.

Julgo que as cerimónias públicas deste 10 de Junho começam às 10,30. Gostava de ver e ouvir  sobretudo Lidia Jorge, personalidade que muito aprecio e de quem já li alguns livros.

Vejamos se as cerimónias públicas serão uma mais-valia para todos, dentro e fora do país. Nem que fosse um grão de areia.

E vejamos se os estrondos ou pesados silêncios diários, que lembram tanto desconcerto do mundo’ de que Camões também falou, se atenuam um pouco, mas deve ser difícil pelo que se vê e escuta.

Hoje, aqui pelo Norte, também se prevê muito estrondo de trovoada. Pudesse, no final de tantas tempestades, vir a bonança. De que o mundo tanto precisa.


domingo, 8 de junho de 2025

As motas de água e o jogo quase a começar


Hoje, domingo, fui almoçar com a família a um restaurante à beira-rio. O céu estava azul quase por completo e, por cima das nossas cabeças, havia redes finas para que as glicínias não nos caíssem no prato. Se fosse no cabelo, não fazia mal; era sinal de casamento feliz entre o verão e a alegria.

Já à mesa, e olhando o estreito mas comprido areal do outro lado do rio, muita gente desfrutava da água e do sol. Mas, se procuravam o calor no corpo e o silêncio na alma, pelo menos este seria interrompido. 

 Umas três motas de água não cessavam de fazer manobras aos esses e aos saltos. E, para que as sensações fossem ainda mais vibrantes, procuravam as ondas que os barcos grandes deixavam atrás de si, para que a mota subisse da água e caísse de repente na ondulação mais apelativa.

Isto durou o tempo todo em que estivemos no restaurante, incluindo a espera pelo polvo com filetes do mesmo. Ouvindo todos aqueles motores e choques na água, eu disse para o meu neto: Não gosto de motas de água, fazem muito barulho e assustam os peixinhos!

Ele, nos seus bonitos e vivos quatro anos, que não o deixam ainda pronunciar os erres, disse: Eu adoio poque adoio andá depessa!

Sorri e imaginei que se ouvisse as motas de água no seu continuo rodopio barulhento, durante toda a tarde, não acharia piada nenhuma. E, se pudesse, não andaria depressa, mas escapava-me de lá o mais depressa possível.

Como é habitual, saltando de assunto em assunto, em conversa amena, lá chegou o polvo e estava bom, tanto o que vinha dentro,  como o que vinha fora do arroz. 

Embora o polvo seja um molusco e não um peixe, a pouco menos de uma hora do jogo Portugal-Espanha, gostaria que Portugal jogasse como peixe dentro de água. E ganhasse, é claro, mas sem fazer o alarde que fazem as motas dentro de água. A menos que seja depois de golos vencedores.


quarta-feira, 4 de junho de 2025

Amanhecer


Hoje, quando abri a janela, chuviscava. Uma espécie de orvalhada ligada aos santos populares que se festejam em breve. A minha intenção era ir cedo regar a horta, mas já não fui, embora os espinafres, as couves e os alhos franceses apenas tenham sido refrescados na pele e não na raiz.

Ontem, vi um réptil bem perto de uma porta da minha casa. Não lhe conheci a forma. Não era sardanisca (essas conheço-as bem porque, leves e fugidias, moram nas redondezas dos vasos e nos canteiros), nem sardão, nem salamandra... O que seria, então, perguntava-me eu, intrigada e assustada. Fui à net: era uma osga. Como o dr Google sabe tudo, fiquei a saber que eram inofensivas e que têm até a vantagem de comer insetos, como moscas e mosquitos. Uma amiga disse-me, descontraída, que as via por toda a parte em Timor. Outra chamou-lhe 'bichinho que faz parte do ecossistema'. Eu queria era certificar-me que não me tinha entrado em casa. Ao fim da tarde, vi-a encostadinha a um canto da parede exterior mas perto da porta. Hoje, quando acordei, fui ver se lá continuava. Não estava. Pelo sim pelo não, fechei a porta. Onde estará a osga, pergunto-me eu. Daqui a pouco, vou varrer folhas do pátio e já sei que vou estar sempre a olhar para as paredes!



Enquanto tomava o pequeno almoço, de café com leite e pão com compota de mirtilo, que fiz há dias, lembrei-me das palavras que ouvi um dia destes: 'Desde que foi despedida do trabalho, não quer sair de casa e não quer falar com ninguém'. E pensei que a solidão não afeta só os mais velhos. Fazemos pouco, incluindo-me também nesse número, para ajudar pessoas que precisam e que vivem perto de nós. Não se sabe o que fazer, nem há tempo e sobretudo não haverá vontade, porque pensamos nos problemas que também se agarram a nós. Como osgas. Que nem sempre desaparecem.

Quando passo junto de alguns jardins públicos da zona onde moro, fico muito agradada por ver flores de muitas cores que estão a ser plantadas. E não só jardins, mas rotundas, à volta de chafarizes, etc. Porém, o meu lado crítico logo me diz: vê-se que as eleições estão à porta! Mas, de facto, é um regalo ver espaços públicos bem tratados. Oxalá continuem assim. Mesmo depois de setembro!


Há muito que amanheceu! 

                       Um bom dia para todos!