terça-feira, 7 de julho de 2026

Adiós!

  

Ontem o resultado

Não foi como se queria

Correu bem aos espanhóis 

Que levaram a alegria


0 Ronaldo até chorou

Mas não o selecionador

Que diz sempre muito bem

E que tudo é o maior!


Lá estava o nosso Primeiro

Que de jogos não falha um

E gosta de chutar a bola

E que a apanhe qualquer um


Mas a vida é mesmo assim

Ele é ganhar e perder

Na próxima vai correr melhor

Dizemos nós animados

À espera que haja sorte

E nem sempre organizados!


E será que tudo vai ser

Como queremos de truz?

Quem vai gerir tantos talentos:

O Conceição ou Jesus?


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Alegria procura-se!

 

Em jogos como o de logo à noite, entre Portugal e Espanha, fico um pouco ansiosa e, se o digo às minhas filhas, logo querem saber a razão. Quando veem que é por causa da bola, riem-se e desvalorizam.

Enquanto adolescentes, eram adeptas e sócias do FCP (eu também fui durante uns anos e ainda conservo o meu cartão azul).

Foram crescendo, seguindo as suas vidas e perderam essa vontade de ir a jogos de futebol. Desse tempo ficaram só os cachecóis que levavam ao pescoço ou atados à cintura. Moram cá em casa como objeto feliz de que não me quero desfazer.  Recordam momentos bem mais fervorosos e inocentes do que as negociatas que envolvem a banca, políticos, empresários e muito, muito dinheiro. E muitas muitas influências!

Porém, nos jogos da seleção, a minha filha que vive fora do país vê os jogos e, lá em casa, torcem todos por Portugal, apesar das nacionalidades diferentes. A minha neta quis até uma camisola da seleção portuguesa e veste-a para ver os jogos em casa. Por acaso não sei o número que tem nas costas, mas tenho curiosidade.

Será que é por estar fora que presta mais atenção à seleção portuguesa do que a irmã que vive cá? Não sei. Emigrada há muitos anos, vejo-a como uma cidadã do mundo (parece lugar comum, mas é o que sinto), apesar de ela manter vivas as raízes portuguesas. Não procura  porém, um restaurante português só porque tem saudades. O marido, que é americano,  é capaz de o procurar com mais facilidade e apetite. E como ele gosta de pratos de bacalhau! Quando lá vou, lá vão umas postinhas do fiel amigo na mala!

 Pois bem, não sei ainda se vou ver o jogo de logo à noite. A dúvida até me trouxe  uma quadra:

Será que logo à noite

Vamos perder ou ganhar?

Nem sei até se vou ver o jogo

Ou se prefiro jardinar!


E ‘afinal havia outra’:


Nestes jogos decisivos,

Há sentimento e  emoção!

E se é a Espanha que ganha?!

Oh! Não, isso é que não!


Bom jogo e que ganhe Portugal! 

E, já que estamos no Texas: Alegria procura-se!


sexta-feira, 3 de julho de 2026

Afinal há inferno?

 

Quando eu era pequena, assustavam-nos com o inferno. Dizes asneiras, vais para o inferno; não obedeces, vais para o inferno…

Nos últimos anos, a mentalidade mudou e chegou-se à conclusão de que não havia inferno. Que alívio!

Mas, afinal, há! Muita gente o sente por estes dias: quem vive ou trabalha na rua ou ao sol, quem vive em casas pequenas e quentes, quem vive só e quase não vê ninguém, quem está a ser atingido por incêndios…

Tudo isto é inferno!

E fomos nós, humanidade, que fomos deitando achas para esta fogueira que cada vez controlamos menos: lixos atirados à toa, construção de casas em lugares errados, agentes poluidores à solta e tanta coisa mais que ‘vemos, ouvimos e lemos’!

Não nos falte água - que também vai escasseando - para nos hidratarmos e apagarmos os fogos que fomos ateando - uns bem mais do que outros. E que agora nos incendeiam o corpo e a alma.

Desculpe, mãe, muitas vezes lhe disse que não havia inferno, mas afinal há. É muito diferente do de antigamente, mas não deixa de ser inferno.


quinta-feira, 2 de julho de 2026

Calor, solidão …


Os dias tórridos que estamos a viver não são novidade para ninguém e dizer que está calor ainda aquece mais o ambiente, às vezes sufocante.

E, na noite passada, para além do calor, houve vento, muito vento. Perto de minha casa, há estufas e eu estava sempre a ver quando voava, com estrondo, alguma cobertura de zinco, como já aconteceu. 

Quase desfeito ficou,  porém, um guarda-sol que voou da casa vizinha. Ainda bem que a minha cadela não andava, naquele momento, em passeio de busca noturna. 

Pela hora do almoço, dois funcionários do Serviço do Ambiente tocaram-me à porta, para recolha de verdes. Enquanto faziam o trabalho, pediram-me água. A garrafa que tinham na carrinha estava vazia e torta pela exposição ao calor.

E isto são apenas uns ínfimos pontinhos de uma geografia afogueada e quase toda pintada a vermelho.

Bem mais angustiante será viver em casas pequenas e quentíssimas. E sem ninguém para falar, a quem se queixar, a quem dirigir um gesto e receber um abraço. Para abrir ou fechar uma janela para que o sol não atordoe mais, para que o ar seja mais suportável e alivie a solidão. Curiosamente, o tema da solidão foi abordado hoje no programa Sociedade Civil do canal 2. 

Ao longo dos 60 minutos, ficámos a conhecer muito trabalho solidário no sentido de ajudar pessoas a interagirem mais, irem ao encontro de quem vive só, não pode sair e precisa de comunicar para que a vida faça sentido. Cinco pessoas de cinco instituições - todas elas mulheres e ainda jovens - expuseram projetos de amor aos outros e de ligação afetiva às comunidades.

Houve calor humano, bem diferente do calor que nos está a assolar. Este era dispensável, o outro  - o calor humano - anda muito faltoso mas é cada vez mais urgente e necessário. 


sábado, 27 de junho de 2026

Uma das 'minhas' músicas!

 


Futebol

 

Futebol se joga no estádio?

Futebol se joga na praia,

futebol se joga na rua,

futebol se joga na alma.

A bola é a mesma: forma sacra

para craques e pernas de pau.

Mesma a volúpia de chutar

na delirante copa-mundo

ou no árido espaço do morro.

São voos de estátuas súbitas,

desenhos feéricos, bailados

de pés e troncos entrançados.

Instantes lúdicos: flutua

o jogador, gravado no ar

— afinal, o corpo triunfante

da triste lei da gravidade.

 

Carlos Drummond de Andrade, In Poesia errante

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Hoje


Ainda estão quentes as brasas

Da noite de S. João

Não nos falte a alegria 

Para lançar o balão!


segunda-feira, 22 de junho de 2026

É São João!


Ó meu rico São João

Vê se desces cá à Terra

Há tanta desunião

E é tão mortífera a guerra!


E o desconcerto do mundo

Vai crescendo em cada dia

Uns não saem da tristeza

Outros só veem alegria!


E não sei se também sentes

Os gritos de sofrimento

Ouvidos dentro de casa

Em vez de paz e alento!


Não te peço, S. João,

Que venhas lutar por nós

Cada um pode fazer muito

Mas sentimo-nos tão sós!