sábado, 22 de junho de 2013

S. João, pois então!



S. João, és tão alegre!
Reduz a nossa tristeza;
Ajuda a descobrir
Maravilhas da Beleza!


S. João,  és manjerico
Alho porro, erva cidreira
E também o martelinho
A dar cor à barulheira!


O Porto é luz e é bruma
Na tua festa, S. João,
E no mar a sua espuma
Sem arder é clarão!

Ó meu rico S. João,
       Vou-te fazer um pedido:
Indica a direção
Pra quem anda tão perdido!



                                                             Imagem da net

COMPOTA DE AMEIXAS COM CHÁ E CHEIROS




Ingredientes:

500 g de ameixas frescas e maduras

Um bule de chá com açúcar

Quatro colheres, das de sopa, de rum

Algum tempo, muito afeto

Acessórios essenciais: uma cesta, ervas aromáticas, um bloco, uma caneta, luz do Sol



Se tiver quintal, percorra-o pela manhã. Lá pelo meio de uma manhã de Sol. Esqueça as ervas daninhas e tudo o que houver de mais rasteiro. Os olhos devem ser levantados para além da sua cabeça, junto das ameixoeiras. Use as duas mãos que ajudarão na procura de ameixas rijas e maduras. Não importa a tonalidade. Podem ser brancas, rosadas ou vermelhas. Tenha consigo uma cesta. No fundo, pode pôr hortelã-pimenta, alecrim, manjericão, lúcia-lima, erva cidreira… Colha os frutos ainda com algumas folhas. Utilize uma tesoura pequena de poda. Usada mas não enferrujada.

Se não tiver árvores de fruto, procure as ameixas num mercado tradicional. Se a vendedeira quiser aldrabar no preço, é por uma boa causa. Porém, não deixe de regatear. E de escolher os frutos bem frescos, perfumados, coloridos.

Chegando à cozinha, ponha a cesta – mesmo que vá ao mercado, prefira-a ao saco de plástico – sobre a mesa. Retenha as cores e os aromas. Pode até fotografar e registar, por escrito, as suas impressões, porque a memória muitas vezes é curta; as imagens amontoam-se, esbatem-se, apagam-se.

Utilize um bloco que tenha comprado numa viagem com momentos de luz e descoberta. Ponha-o sobre a mesa e vá escrevendo frases soltas. Poderá reutilizá-las, recortando-as e colando-as no frasco. Evite tapar os frutos.

Não desligue o telefone nem o ponha em silêncio. Se alguém telefonar, partilhe o momento.

Lave depois as ameixas, já sem pé nem folhas. Faça-o numa vasilha grande, sem pressa, mexendo os frutos delicada e amorosamente.

Ao lado, tenha outra vasilha. Antiga de preferência. Que lhe traga boas recordações de alguém que gostava de si, que se preocupava consigo, que lhe mostrava sempre um sorriso e que também contava histórias doces.

Misture e ajeite bem as ameixas nessa vasilha. Sobre elas, deite devagar o chá. Use um bule que viu sobre a mesa em dias de festa ou em momentos felizes. Cubra todas as ameixas, independentemente da forma ou do conteúdo. Ponha a tigela num sítio fresco e tranquilo da cozinha. Dê-lhe espaço e visibilidade. Vá à arca e procure uma toalha de estopa ou de linho. Pode ser grossa e enrugada. Aconchegue-a sob a malga. Deixe repousar durante a tarde e noite. Aproveite o silêncio aromatizado para escrever mais longamente.

No dia seguinte, levante-se cedo. Abra a janela. Espreguice-se, esquecendo que a vizinha é madrugadora e curiosa.

Já na cozinha, escorra as ameixas e passe-as para uma compoteira transparente. O rum irá para o lume com um pouco de açúcar e a calda que ficou. Logo que tome ponto, deite-a sobre as ameixas, deixando macerar duas horas. Coloque a compoteira num sítio onde dê o Sol. Vá rodando o frasco para iluminar todos os frutos e poder observá-los melhor na sua unidade e diferença. Saboreie o momento. Guarde a cesta.

Por fim, ofereça as ervas aromáticas à vizinha. Ela disse um dia que não gostava de ameixas.


Nota: Já partilhei, há tempos, esta "receita". Na verdade, nunca a fiz. Interessou-me mais pelo compor das palavras do que a compota em si. Mas confesso que, quando tiver ameixas, irei fazê-la.  Fica a promessa?

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Haverá vidas inúteis?

Título do livro: A Vida Inútil de José Homem

A autora: Marlene Ferraz
Nasceu em 1979. É psicóloga e escritora.
Pode ler-se que "assume um enamoramento imprudente pela escrita".

 Uma das páginas do livro que ganhou o Prémio Literário "Revelação Agustina Bessa-Luís 2012".


 Num dos últimos sábados à noite, vi, no canal 2, o programa "Bairro Alto". A entrevistada era uma jovem escritora, nascida em Viana do Castelo. Fiquei seduzida pelo diálogo e fui ficando porque gostei do que ia ouvindo. Marlene Ferraz, a escritora e também psicóloga, falava sentida e pausadamente, de muitas coisas e do seu amor por obras literárias e personagens para ela inesquecíveis. Deu o exemplo de Blimunda, que via por dentro das pessoas e das coisas. E, curiosamente, achei que ela tinha um olhar que fazia lembrar essa personagem criada por José Saramago e que mais nos chama para o Memorial do Convento.
 
O primeiro romance, publicado pela Gradiva, de Marlene Ferraz começa com uma
"MENSAGEM
Qualquer homem de coração cai. Unhas cravadas no chão duro, as entranhas da terra que o há de comer ainda não o chamam. É tempo de levantar-se, ir adiante. Assim se faz a nossa perfeita criatura".