Para muitos, o que se está a passar com a correção dos exames do ensino secundário é um caos, para outros - onde o governo se inclui - é um percurso quase natural porque a entrada no digital está a acontecer pela primeira vez.
Na disciplina de Português, por exemplo, há professores que recebem composições incompletas, ou com páginas de letra diferente, logo pertencendo a outro aluno.
E muitas questões são colocadas pelos professores mas a plataforma não responde.
Mesmo assim, os professores continuam a corrigir os itens que podem. Para além do seu brio profissional, muitos fazem-no a pensar nos seus alunos - que também fizeram exames - e não querem ver prejudicados com mais prolongamento de prazos.
Enquanto isto, o ministro da educação desdobra-se em entrevistas com respostas às vezes vagas e outras tantas culpabilizadoras de outrem, como é o caso de professores terem culpa no atraso, por agrafarem as provas no sítio indevido, o que se provou não ser verdade.
A vontade do senhor ministro era tanta de mostrar serviço moderno que acabou por prestar um mau serviço - pior do que o antigo.
E pergunto: se não houvesse o zelo e o trabalho dos professores? Já se diz que noutras profissões as pessoas sairiam à rua para se manifestarem contra um trabalho que chega às pinguinhas ao computador e tarde e a más hortas.
O primeiro ministro, esse lá aparece de vez em quando em sítios públicos, com sobrolho carregado ou com cara de quem está acima de todas as perceçoes, relativizando o que acontece e pedindo que os deixem trabalhar. Só que se esquece de dizer que quem o está a fazer são os professores. Queria ver se não fossem.
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