Um dia, em conversa, disse a alguém que gostava dos pubs de Londres, A pessoa não conhecia Londres e fez cara de espanto, porque associava pubs a cervejarias pouco recomendáveis. Nada disso, pelo menos pelos pubs que conheço.
A palavra pub vem de public houses. Existem por todo o lado e eram antigas estalagens onde os caminhantes comiam e também pernoitavam, assim como os animais que os transportavam podiam descansar. É secular a tradição.
Hoje são restaurantes bonitos, muitos com flores garridas e viçosas em taças penduradas ou em canteiros, junto a mesas também no exterior.
Se muitos jovens os procuram para convívio, sobretudo ao domingo, veem-se diferentes gerações da família sentadas à mesma mesa. Quanto mais fora do centro de Londres, menos turistas se veem e são, aparentemente, residentes locais que os frequentam.
Em qualquer estação do ano, os clientes, sobretudo à noite, sentam-se ou ficam de pé cá fora com o seu copo, quase sempre de cerveja, em conversa animada durante muito tempo. Se chover, não há problema, entram no pub ou abrigam-se como podem e a conversa continua.
Num dos últimos domingos que fui a um pub almoçar, ia observando as pessoas que lá estavam (também havia dois cães) ou que entravam ou que saíam: famílias com crianças pequenas, mesas de amigos ou amigas… o ambiente era descontraído, de vozearia alta e de gargalhadas estridentes. Comentei até que em Portugal, não costumamos ser tão exuberantes. A família não concordou e houve logo exemplos de restaurantes do Porto, por exemplo, em que as pessoas se riem tão alto como falam.
O típico Sunday roast (o assado de domingo): carne assada com batatas, vegetais de várias cores (cenoura, pastinaca, couve…) e o yorkshire pudding (uma espécie de pão) tudo com um sabor de subir aos céus estava em muitas mesas, como é tradição ao domingo.
À noite, já em casa, estivemos a ver um episódio atrasado dos Traidores, uma série da BBC com enorme sucesso.
Com prazeres simples, como entrar num bonito pub londrino, nem nos lembramos de tantas traições que proliferam no mundo. Não convém esquecê-las, mas se lhes dermos um intervalo, para nós, comuns mortais, não será pior.
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