sexta-feira, 23 de julho de 2021

À volta das rotundas

 

De há uns anos a esta parte, não faltam rotundas. Quando começaram a aparecer, foram criticadas, tal como acontece com muita coisa que é novidade. Mas, pensando bem, dão jeito e organizam melhor o trânsito. Pelo menos, as que conheço melhor.

Só não gosto é quando têm erva daninha alta, arbustos secos, pedaços de terra ressequidos. ou plantas grandes que não deixam ver bem para o outro lado. Como acontece às vezes em espaços separadores de estradas. Podendo-se mudar de sentido, não se consegue ver bem os carros que vêm em sentido contrário, de tão altas que as plantas são.

Pois bem, tenho reparado ultimamente que muitas rotundas se estão a alindar. E de que maneira. Ele são flores, ele são cores e formas combinadas. O resultado dá gosto e os olhos gostam de espaços bonitos. Se gostam. Eu diria que também os corações.

Oxalá que assim continue depois das eleições autárquicas. Os olhos gostariam e os corações também. Ah, assim como a crença nas instituições.

 

quinta-feira, 22 de julho de 2021

O homem da gasolina

  

Vou com frequência a uma bomba de gasolina onde há um funcionário que põe o combustível, recebe o dinheiro, tem máquina multibanco à mão, passa o recibo, enquanto o cliente fica sentadinho no carro a fazer essas operações. 

Ora, nessa bomba de gasolina, há sempre alguns carros em fila de espera, como esteve o meu nesse dia.

Como estava parada à espera, fui observando que o funcionário não parecia muito satisfeito com o que estava a fazer. Ou com a vida, não sei. Era a primeira vez que o via naquele posto de abastecimento. Punha o combustível a correr na garganta do carro e entrava na loja para logo depois sair.  Eu não podia ouvir o que dizia aos clientes, mas parecia-me ser parco em palavras. Deve ser antipático ou estar de mau humor, pensei eu.

Bom, chegou à minha vez. Logo que ouvi aquela voz das bombas de gasolina: 'você pediu gasolina simples', chegou uma rapariga com um café, dizendo-lhe que ia pô-lo na loja com o pires por cima para não arrefecer.

Compreendi, então, que, coitado, o funcionário ia almoçando ao mesmo tempo que vendia o combustível. Daí as constantes entradas e saídas. Ah, parecia discreto e foi muito simpático. 

Às vezes, as lentes da distância desfocam a realidade, levando-nos a formular juízos sem juízo nenhum.


quarta-feira, 21 de julho de 2021

Desta vez, com rio ao fundo!

 

Ilusão, mas não mentira


terça-feira, 20 de julho de 2021

Neblina na cidade com mar ao fundo

 

Hoje de manhã, este pedaço de praia de Espinho era quase um deserto. Caía uma chuvinha miúda. No passadiço, havia, no entanto, quem corresse, quem caminhasse, quem olhasse as ondas quase silenciosas do mar, quem fechasse o guarda-chuva, quem procurasse um abrigo... E desejei que o sol brilhasse. E que aparecessem mais pessoas. E que as esplanadas se recheassem. E que a praia ganhasse cores. E que o mar fosse abraçado...

Talvez à tarde. Às vezes, é preciso esperar.

Marcas de dias com pés mais quentes

Cadeiras vazias e palmeiras do sol saudosas

O areal que já foi bem maior



segunda-feira, 19 de julho de 2021

Juliette Binoche - Et Si Tu N'existais Pas

 
E se a música não existisse? Ou o sorriso? Ou o amor? Ou a amizade? Ou a arte? Ou a boa comunicação? Felizmente, sim! 
Malgré tout!
BOA SEMANA!
 
 
Canção na voz de Joe Dassin 
Imagens da atriz Juliette Binoche

domingo, 18 de julho de 2021

Conversa mansa com teste dentro

 

- Por que tenho de fazer novo teste covid?

- Avó, porque esteve com o João e ele testou positivo.

- Eu já estou vacinada.

- Não é suficiente.

- Tinha de usar máscara?

- Também, avó.

- Só para falar com o João?

- Sim, avó. Ele não vive cá em casa.

- Como posso ter ficado infetada, se ele é tão querido e tão mansinho?!

 

sábado, 17 de julho de 2021

O apartamento - o consultório

 

Quando saímos do apartamento, as minhas filhas eram muito pequenas. Eu ia com elas a um pediatra que me disse ir mudar de local do consultório e deu-me a nova a morada. Que coincidência, pensei eu. Ele tinha alugado o nosso ex-apartamento, para espaço de trabalho. 

Na consulta seguinte, lá fui eu com as meninas. No que era sala de visitas e sala de jantar, funcionavam escritórios; a cozinha era a sala de espera para o médico e a casa de banho era comum. À entrada, ainda lá estava o papel que eu havia colado no armário do quadro elétrico e reconheci um autocolante engraçado na parede da cozinha (agora sala de espera), deixado pelas minhas crianças. Não podia conter alguma emoção, porque, apesar de estar tudo bastante diferente, via marcas do tempo em que lá tínhamos vivido.

Ora, o consultório era precisamente no lugar que tinha sido o quarto. Quando entrei com as minhas filhas, ainda quase de colo porque a diferença de idades é pequena, logo contei ao pediatra que tinha vivido naquele apartamento. Contudo, o que tem uma carga emotiva para uns pode não a ter para os outros, porque as vivências também diferem. Foi o que aconteceu. Para ele, seria apenas o novo espaço de trabalho. Mudámos de assunto e a consulta decorreu normalmente.

Quando saí, acho que ainda olhei para trás, sentindo, porém, que aquele espaço já se tornara para mim bem mais distante. Como vai acontecendo ao longo da vida. Embora permaneçam emoções à flor da pele.