segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Uma história do João Ratão - vídeo

 

Bom dia! Como o prometido é devido, partilho aqui o pequeno vídeo com um excerto da pecinha de teatro Uma história do João Ratão.

E, só por curiosidade, quando no sábado passado, passámos o vídeo, fez-se silêncio, mesmo os mais pequeninos que estavam presentes.

Oxalá gostem também.

domingo, 27 de novembro de 2022

Um pouco da história de ontem

 

 Antes de mais, obrigada pelas mensagens amigas e carinhosas - tão boas nas histórias dos nossos dias.

Ontem estava sol e foi bonita a tarde com a apresentação de Uma história do João Ratão. Partilho o texto que escrevemos e lemos.

Em breve, partilharei também o vídeo com um excerto da pecinha de teatro.

 

Boa tarde a todos e muito obrigada por terem vindo. Eu e a Maria Clara Miguel estamos felizes neste dia em que partilhamos um livro que escrevemos com tanto gosto, que a Ana Bessa ilustrou de forma tão colorida e criativa, e que teve o apoio da Editora Lugar da Palavra.

Pessoalmente, também me sinto muito feliz e reconhecida pelo apoio, e carinho da minha família e dos meus e nossos amigos.

Muito obrigada também à Dr.ª Teresa Couceiro, que, em nome da Câmara Municipal de Gondomar, gentilmente nos cedeu e organizou este espaço, onde hoje nos reunimos para celebrar os livros, a literatura, para celebrar o teatro, para celebrar a infância…

E muito obrigada também aos jovens e aos colegas que estiveram tão carinhosamente ao nosso lado e ao lado do João Ratão, cuja vida quisemos recontar à nossa maneira, partindo da história que todos nós já ouvimos ou lemos.

 

Boa tarde a todos e muito obrigada por terem vindo. Continuando o que a minha grande e querida amiga Maria Dolores começou por dizer, prossigo: pegámos na história tradicional da Carochinha, mas inventámos a possível infância do João Ratão, com acontecimentos que se vão ligar a um final diferente da história tradicional.

Daqui a bocadinho, vamos poder ver um trabalho de representação de alguns excertos da peça que escrevemos e que alguns estudantes prepararam para todos nós com a ajuda do Clube de Teatro da Escola Secundária de Gondomar, “As três pancadas”, estudantes esses que passo a elencar com muito carinho e reconhecimento: Celso Antunes, Dinis Cunha, Inês Constante, Joana Pereira e Mariana Barandela.

Muito obrigada à professora Albina Dinis, que lhes lançou este desafio a nosso pedido e que, infelizmente, por motivos de saúde não pode estar hoje connosco. Muito obrigada ao ator residente do Agrupamento de Escolas de Gondomar n.º1, António Portela, que os orientou na dramatização de uma passagem do livro que vê hoje a luz do dia.

A Escola, centro de muitas destas sinergias, simpaticamente, cedeu instalações para os ensaios, o António Portela, presencialmente, e a Albina Dinis, à distância, foram orientando os 4 ensaios e do trabalho de todos foi surgindo mais beleza, que se registou em filme no dia 9 de novembro de 2022. Por tudo isto também, o nosso agradecimento à Direção do agrupamento de que faz parte a ESG e que permitiu que esta encenação filmada fosse possível.

 

 

Estamos muito reconhecidas a todos pela vossa colaboração, pelo vosso talento, pela vossa disponibilidade, e por terem revelado tanto empenho.

E nestas palavras de agradecimentos tão merecidos, deixem-me dizer como foi bom e estimulante este trabalho de parceria com a minha querida amiga de longa data, Isaura Afonseca, ou seja, com a Maria Clara Miguel. Foram numerosos e divertidos os encontros de trabalho à mesa de uma pizzaria da marginal de Gondomar, mais ou menos ano e meio antes da Covid 19 fazer parte das nossas vidas. Só afastávamos o computador quando nos dava fome e saboreávamos umas fatias deliciosas de pizza.

Depois voltávamos ao trabalho de escrita  presencial que cada uma de nós continuava ou repensava em casa para voltarmos a aferir o texto em conjunto.

Em maio de 2019, tínhamos o texto concluído e enviámo-lo ao nosso grande amigo Manuel Maria, também ele escritor, que durante muitos anos, foi o responsável pelo Grupo TESG (o antigo grupo de Teatro da Escola Secundária de Gondomar), que nos deu a sua opinião sobre a nossa pecinha de teatro: teria ela pernas para andar em palco? A resposta foi afirmativa. Muito Obrigada, Manel, por também teres contribuído para o nascimento deste nosso João Ratão!

Através da vida que procurámos dar a esta personagem e a outras, quisemos que houvesse alguma graça, mas também valores humanos cada vez mais importantes, como a amizade, o amor, a solidariedade, o respeito mútuo,  a entreajuda, etc

Como a música é essencial numa peça de teatro, sugerimos algumas canções que podem ser cantadas pelas crianças e das quais muitos professores, pais e avós se lembrarão.

Oxalá as crianças e os adultos gostem deste livro, como nós gostámos de o produzir e possam aproveitá-lo em família ou na escola.

Mais uma vez obrigada pela vossa presença e passo de novo a palavra à Maria Clara Miguel

 

Reitero tudo o que a Dolores, pelas duas, já referiu, mas, se me permitem, queria apenas expressar mais algumas breves palavras.

Agradecer antes de mais à minha família pelo apoio que me tem dado e aos amigos que sempre estiveram comigo quer presencialmente, quer à distância.

Quero agradecer à minha parceira de escrita que correspondeu 100 por cento ao meu desafio: “Dolores, vamos fazer as duas uma peça de teatro?”.

Já não sei muito bem os pormenores deste episódio. Lembro-me de que foi ao telefone na sequência de uma das nossas tantas conversas. Lembro-me de que a Dolores se riu e me perguntou qualquer coisa muito parecido com isto. “E vamos escrever sobre o quê?”. E com esta questão, o desafio foi aceite. Depois foi tudo muito rápido. Sei lá, disse eu, talvez reescrever uma história infantil! “É, pode ser. E que tal a história da Carochinha?, sugeriu ela. E foi a partir daqui que nasceu o nosso Ratãozinho feito peça de teatro.

Foram momentos muito felizes junto ao Douro que se prolongaram em casa. Não sei ao certo o contributo que o rio da nossa aldeia, parafraseando Caeiro, teve na criação da nossa história, mas sei que o teve. Nela também há um rio onde um certo Tonico Burrico costuma pescar e junto ao qual há um moinho onde vive uma Joaninha com a sua mãe. Um rio cruzado por uma ponte que o nosso João Ratão atravessa para ir ao moinho comer um rabinho de sardinha, alimento que na história detém um papel fundamental e que cruza os três atos que a constituem.

Mas não vou entrar em mais pormenores. Vamos ver agora o pequeno filme que temos para vós e lançar-vos um desafio.

E se neste Natal nas vossas casas houvesse uma representação de um momento desta nossa pecinha de teatro. Por que não criar momentos de interação entre família, reunindo miúdos e graúdos numa alegre e nostálgica fantasia? Por que não reavivar essa magia que é o Natal?... Por que não?...

Vamos então a este teatrinho feito filme!

Um outro desafio: Quem colaborou neste documento quer dizer algumas palavras?

Mais uma vez obrigada por estarem aqui.

Um feliz Natal para todos e boas leituras!

 


Dois dos atores do vídeo a falar da sua experiência.

sábado, 19 de novembro de 2022

Convite


 

Escrita antes da pandemia, vamos apresentar Uma história do João Ratão, no próximo sábado, dia 26, pelas 16 h, na Biblioteca Municipal de Gondomar.

Digo 'vamos' porque a história foi adaptada e escrita por Maria Clara Miguel (pseudónimo de Isaura Maria Afonseca) e por mim, em bastantes sessões bem dispostas de trabalho, quase sempre à mesa de uma pizzaria à beira-rio, a que se seguia uma releitura individual em casa, para aferirmos, de novo e mais tarde, em conjunto.

Temos agora, o 'nosso' João Ratão em diferentes situações - umas mais comuns, outras menos conhecidas. Esta pecinha de teatro, onde vivem agora, ajuda a contá-las e a cantá-las. 

As bonitas ilustrações são de Ana Maria Bessa e a publicação é da Editora Lugar da Palavra.

Oxalá gostem do livro e as crianças também.

Obrigada.

 



quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Privilégio?


Cada vez gosto mais de ouvir podcasts. Podem-se ouvir quando e onde quisermos e pudermos. Ajudam, na minha opinião, pelo menos os que gosto de ouvir, a conhecer diferentes visões do mundo, com tempo para dizer e explicar.

Numa manhã de um dia destes, deliciei-me a ouvir dois episódios de ‘A beleza das pequenas coisas’, podcast de Bernardo Mendonça. Sentada no sofá, a fazer crochet, ouvi as duas longas entrevistas com duas mulheres tão diferentes mas com vidas de uma imensidão de coisas para partilhar. 

Gostei particularmente da entrevista a Lídia Jorge pela serenidade profunda que põe nas suas palavras, a propósito dos livros que escreve, do que se passa à sua volta, etc, expondo-se, embora com contenção. 

Fiquei com vontade de ler o livro que escreveu a pedido da mãe, já próxima da morte: Misericórdia. A escritora disse ter tido essencialmente a preocupação de lhe dar voz, um modo também de escutar quem é idoso e está num lar.

O episódio seguinte foi com Maria Filomena Mônica, que falou da sua vida e da sua obra num grau de maior de exposição. O pano de fundo foram quase sempre os livros e a vida pessoal e familiar que está por trás de vários: Bilhete de identidade,  Duas mulheres,   etc

A investigadora padece de cancro há vários anos e faz sessões de quimioterapia, que às vezes são longas. E foi bonito o elogio que fez ao marido, António Barreto, que sempre fez questão de a acompanhar.

Ora, a propósito destas sessões, disse que muitas mulheres, no hospital, só falam de doenças e referiu o privilégio que é gostar de ler e de escrever. Partilho deste sentimento. A vida teria bem menos beleza sem a leitura  e sem a escrita. Mesmo destas pequenas coisas.



terça-feira, 8 de novembro de 2022

Do parque infantil à reforma aos 56 anos


Não chovia, ao contrário dos últimos dias e, depois da escola, ainda deu tempo para irmos um bocadinho ao parque:

- Avó, podemos ir ao parque? Os meus amigas vão e eu gosta.

- Está bem, vamos então um bocadinho.

Muitos meninos ficam lá a brincar quando está sol  ou, pelo menos, não chove. Há país e mães que vão conversando, enquanto os veem e esperam. Um pai que eu já conhecia sentou-se próximo e começámos a falar. Como as brincadeiras no baloiço, escorrega, etc iam durando, íamos conversando. Eu não entendia tudo, ele sabia-o e falava de forma clara e pausada (eu estava contente comigo própria porque achava que não conseguia ter uma conversa prolongada em inglês e, afinal, conseguia). Falámos do Brexit, da imigração que muitos não aceitam mas que a ninguém rouba o emprego,  do trabalho que o satisfaz, da família, etc

Como o meu interlocutor era uma pessoa comunicativa, surpreendeu-me o que disse sobre o pai: tinha 56 anos quando se reformou e, nos anos que se seguiram, não tinha quaisquer interesses, para além de estar em casa a ver a televisão. Perguntei-lhe se ele convivia com alguns amigos. Não, só a família. Estranhei pela idade ainda jovem e pelo país cheio de possibilidades.

A tarde ia ficando cinzenta e voltámos para casa, de mão dada porque a rua era populosa. Quantas histórias nela caberiam?



domingo, 6 de novembro de 2022

Um vestido para a boneca

 



Fiz hoje um vestido...

                                                    

                                                  Fiz hoje um vestido

                                           para uma boneca da menina

                                             que também é uma boneca

Ela nela pegou
mostrando como gostou 
e foi assim que o disse:
- Que bonita a vestido
Eu gosta muito, avó
Eu então respondi:
- Não fiz ainda os sapatos
É difícil, meu amor
E a menina
que também é uma boneca
 logo logo acrescentou:
- Tu sabe, avó
Tu faz um de cada cor?

E agora terminei
mas o dia ainda não
Uma boneca tem o vestido 
e da outra boneca
quando regressar de uma festinha 
Quero ver a reação

sábado, 5 de novembro de 2022

Sábado de tarde

 

Na sala, a mãe ajuda a filha a fazer o trabalho de casa. Ouve-se o estímulo por palavras. De paciência e alento. Hoje é sábado, há mais tempo, vê-se a chuva que pinga por todo o lado e as folhas em queda pelo vento de outono amontoam-se no chão molhado.

Pela janela, olha-se o amarelo avermelhado das árvores que vão desprendendo as folhas que se tornaram supérfluas.

À tarde vai-se recolhendo, fria e fechando-se à luz do dia.

Nas casas à volta não se vê ninguém e um carro de vez em quadro reduz o silêncio mas só por instantes. No quarto ao lado, ouve-se uma música suave que não distrai  o silêncio da tarde.

Em horas quietas assim, sossegam as inquietudes, ruídos e pressas de tantos dias. 

Para muitas pessoas, esta serenidade é um luxo, por desábito (não sei se a palavra existe) ou impossibilidade.  

Deixem acreditar que não é luxo falar da beleza destes momentos.

Bom fim de semana para todos.

A beleza de um podcast. Ou da chuva. Ou da música.