Hoje, 22 de agosto, a minha mãe faria 100 anos. Partiu aos 96. A família pensava - e julgo que ela também - que a vida lhe permitiria festejar o centenário. As maleitas não eram de monta, apesar de algumas persistirem.
Hoje dei comigo a pensar em coisas que ficaram da vida da minha mãe: o gosto pelas flores, pela vida calma, pelas palavras poéticas, pelos sabores da comida que tão bem confecionava …
E o amor por tudo que entendia ser criado por Deus.
E o amor pela casa - o seu reino e o seu paraíso.
A casa era o lugar das pequenas coisas que só lá encontrava e lhe davam a feliz tranquilidade de que precisava: as linhas e lãs, a máquina de costura; os livros sobre santos e os jornais que lembravam diferentes santidades; os versos que fazia e tantos outros que sabia de cor; as plantas que lhe mostravam a sua sede e as suas necessidades…
Tanto a minha mãe amava a casa que a família repete a expressão que também ela repetia inúmeras vezes: minha casinha meu lar!