quinta-feira, 21 de maio de 2026

A menina que queria ser polícia!

 

Fiz parte do júri do concurso cujo cartaz mostrei no post anterior. Os concorrentes iam do primeiro ciclo ao ensino secundário e cada um já tinha sido vencedor no seu escalão e no seu agrupamento. Portanto, quem chegava à final das provas concelhias eram alunos muito bons. Uns com alguma timidez, outros com muita desenvoltura e à vontade, mas em todos se notava apoio da família e das professoras. Quando assim é, a 'obra nasce' com muito mais entusiasmo e convicção. 

Aos alunos era pedido que escolhessem um livro, que fotografassem objetos ligados à obra para serem apresentados ao público e, a partir deles, tecessem a sua argumentação. E um excerto, também à escolha de cada um, teria de ser lido. 

Muitas crianças encantaram, chovendo aplausos. Sobretudo os alunos do primeiro ciclo levaram os objetos que também fotografaram. E, antes da prova, algumas professoras ajudavam-nos a transportá-los, cheios de cor, bem desenhados e bem colados. Bonita e importante interação.

A propósito de A bicicleta que tinha bigodes, de Ondjaki, lá subiu ao palco um menino com um rádio vistoso, uma escola tipo casinha acolhedora...

Era um gosto ver os meninos e meninas com o seu livrinho na mão e a carinha muito próxima do microfone para que todas as palavras que diziam se ouvissem e se ouvissem bem.

A seguir, veio o segundo ciclo, depois o terceiro e, finalmente, o secundário. 

E a uma jovem do 12º ano, foi dito, no final da sua apresentação, que era uma belíssima contadora de histórias e que sobretudo muitas crianças gostariam  de a ouvir - pela dicção, pela expressividade, pelo amor com que contava... Ficou feliz com o elogio, disse que gostaria muito de fazer essa experiência, e que, no futuro, queria ser polícia! Foi surpreendente essa vontade expressa com um largo sorriso.

Quando ela descia do palco, surgiu-me o título para uma história: A menina que queria ser polícia!


domingo, 17 de maio de 2026

Ler para querer mais!

 


terça-feira, 5 de maio de 2026

Não é por ser meu neto!...

 

- Agora, meu amor, como acabámos o jogo, vamos contar as pecinhas. Pode ser?

- Sim, avó: uma, duas, três, quatro, cinco, sete…

- Achas que é sete? Depois do cinco é sete?

- Vou contar outra vez: cinco, seis, sete, oito, nove, dez!

- Muito bem! Esta peça foi a primeira, esta foi a segunda... Queres continuar?

- Quero, avó.

-  Terceira, quarta, quinta…

- Muito bem, meu amor. Continua.

- Avó, não sei mais. 

- Eu ajudo-te, vá lá!

- Quarta, quinta, sexta…

- Ótimo! E depois de sexta?

- Não me lembro, avó.

- Pensa bem! Quarta, quinta, sexta...

- Já sei, avó.

- Então, qual é?

- Sábado!!!!

domingo, 3 de maio de 2026

Mãe

 
A minha Mãe era Rosa



Feliz Dia da Mãe!


sexta-feira, 1 de maio de 2026

Meu querido mês de Maio!

 

Hoje, é o teu primeiro Dia e, por isso, é feriado! Levantei-me cedo, como acontece regularmente. Talvez não fosse necessário, mas, para mim, é e é bom. Assim, o dia rende mais e posso fazer as boas e preguiçosas pausas da hora do almoço e do fim de tarde. Ai que prazer sentar-me no sofá, ver as notícias, pensar, ler, crochetar, não fazer nada... 

Gosto de ti, mês de Maio. Vens, logo no teu primeiro Dia, ativo e reivindicativo para que os deveres e direitos de todos não sejam esquecidos. És festejado nas ruas, com muitas bandeiras, muitos slogans de alerta, muitas vozes que se querem fazer ouvir. Sabes, lembro-me muito bem do Primeiro Dia em que foste festejado em Portugal e em Liberdade. Ainda moram nos meus olhos as multidões em praças e ruas. A alegria e deslumbramento eram tão grandes!

Quando nasces, Maio, sobretudo nas aldeias, muitas vezes apercebes-te do perfume e das cores das maias em muitas portas e janelas. É bonito serem flores a proteger do mal, segundo a tradição. Porém, ontem não as pus, porque são difíceis de encontrar ou de apanhar. Escasseiam quando antigamente eram abundantes. E o ritual era engraçado: ir ao monte apanhar um raminho das giestas de flor amarela. Também cresciam e floriam à beira das ruas ou caminhos. Como agora são poucas, há quem as junte, criativamente, a outras flores. Como mostram estas fotos amigas que recebi.



Maio, o que nos trarás? São tantas as incertezas. São tantas as imprevisibilidades. São tantas as reviravoltas e ganâncias de quem governa o mundo que o mundo até entontece.

Quando eu era pequena, tinha medo de ti, Maio, por causa das trovoadas frequentes e previsíveis que te acompanhavam. Nesse tempo, o melhor boletim meteorológico era o meu avô. Olhava para o céu e acertava sempre. Hoje, já não seria bem assim, porque muitas tempestades chegam violentas e revolvem, de repente, os locais onde desabam. Tal como as guerras, atingem pessoas e espaços inocentes, sem dó nem piedade.

Meu querido mês de Maio, fico-me por aqui;

Vê se abrandas o sofrimento

que aumenta em cada momento.

Podemos confiar em ti?


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Manhã


Hoje está a chover!

Uma chuva macia e serena

Que me fez logo lembrar

Dias de quando eu era pequena!


Eu e a minha irmã


segunda-feira, 27 de abril de 2026

Na 'minha cidade com mar ao fundo'!

 

Ontem, fui à 'minha cidade com mar ao fundo' - Espinho. Cheguei pela hora da abertura das lojas. Depois de um cafezinho,  estava na rua 19. Uma das primeiras lojas aonde entrei foi a bonita Bertrand. Eu tinha uns livros em mente e um vale ainda do Natal que queria descontar.

Entrei e parei a ver os livros mais em evidência, aqueles que à entrada estão dispostos de modo a chamar logo a atenção. Um deles era de um apresentador da tvi. E outros que devem vender bem. Muito bem. E veio-me à cabeça a frase que agora muita gente diz: 'Toda a gente escreve livros'. E, se são figuras mediáticas, os livros vendem-se. E muitos. E se as editoras têm dinheiro para a publicidade, ainda se vendem mais. Muito mais.

Se calhar, alguém diz a mesma frase quando, modestamente, publico os meus livros. Já agora, estou a trabalhar numa história para crianças que gostaria de publicar ainda este ano e que está a ser ilustrada. Só que, como tanta gente que gosta de escrever, sou desconhecida, anónima e as editoras, que aceitam publicar, têm poucos recursos e são pequenas. Só é grande o prazer de escrever, ver ilustrado e concluído um livro, feito honestamente, com amor, com criatividade, que, de uma forma ou outra, também anda por aí.  

Pois bem, os livros que eu queria comprar eram da Capicua e cuja coleção, julgo, tem o titulo 'Mão Verde'. Ao balcão, estavam duas jovens, simpáticas e educadas, que me informaram que, pelo menos, um desses livros só estava à venda online. Perguntei por outros livros de Capicua, também para crianças. Para além de ser muito talentosa e escrever muito bem, ela aborda temas importantes do dia a dia, como de ligação à natureza. Também compõe músicas muito bonitas e motivadoras para as crianças. 

Uma das jovens pesquisou livros da autora no computador e foi buscá-los a outro espaço que não estava acessível ao público. E pensei o óbvio: há autores e livros muito bons que não estão visíveis nas livrarias. E é pena. Muita pena. Os leitores ficavam a ganhar. 

Portanto, o que está logo à frente dos olhos de quem entra nas livrarias são muitas vezes livros que rendem muito dinheiro: à livraria, aos editores, a quem os escreve.

Não costumo interessar-me por esses livros e acho que o farei cada vez menos.