Vi em casa o eclipse. Abri a janela, pus os óculos e vi o sol em forma de lua. O tempo escureceu, mas não tanto como eu pensava.
Senti uma brisa a entrar pela janela. Suave e boa. Os ramos da camélia agitaram-se. Mas pouco. Os carros na rua passaram a ser raros. Senti a calma força da natureza.
Perto de casa, já tinha visto muita gente, uns de pé, outros sentados, óculos na mão, à espera do eclipse.
Na televisão, falava quem fez muitos e muitos quilómetros para chegar ao sítio em que o sol mais se esconderia. Como em Bragança. Havia pessoas comovidas, outras repetiam lugares comuns que era o que saía no momento…
Um brasileiro, emocionado, também me comoveu. Para ele, o eclipse era um fenómeno democrático que unia toda a gente, sem distinção.
Realmente há maravilhas da natureza que revelam maravilhas dos seres humanos.
E que perduram, mesmo depois do adeus!