domingo, 2 de agosto de 2026

Coisas de verão - um café


Chego ao aeroporto e aproximo-me do setor das chegadas. Muita gente. Não admira: é verão e início de agosto. Umas pessoas olham com atenção o placard informativo das partidas e chegadas; outros parecem procurar alguém;  taxistas fora de regras arriscam a  cativar clientes: Táxi. Precisa de táxi?

 Um vai-vém de pessoas para cá e para lá com a sua mala de férias a correr sob rodinhas; crianças a esticar os braços para quem as espera com um sorriso de saudades interrompidas.

Em breve, também abraçarei a minha neta. Nem tomei café depois de almoço para não perder tempo. Quero estar na porta do desembarque para a ver sair e vê-la a correr para mim.

Olho de novo o placard. O avião que eu espero, e que vem de Londres, tem um atraso de 10 m. Será mais, com certeza, contando com a recolha das malas do porão que o ronceiro tapete rolante vai devolver, mais o tempo de controle de fronteira!

Ainda vai demorar um bocadinho o abraço que quero dar e receber logo que a minha neta transponha a porta de desembarque, desatando a correr até desaguar nos meus braços!

Olho de novo para o placard! Faço as contas entre o Landed e os minutos que todas as formalidades demoram!

Ainda tenho tempo de tomar o café, de que sinto falta, antes de chegar à porta de desembarque. 

Vou ao café em frente. 

Uma fila grande. Chega à minha vez na caixa:  Um café, por favor. Pago.

Pode pedir à minha colega aqui ao lado. Olho o relógio. E também as pilhas de copos de papel - uns pequenos, outros grandes. Não resisto e pergunto: costumam reciclar os copos?

A funcionária, com doce sotaque brasileiro, diz que não sabe, mas que todos os copos são ‘jogados’ nos contentores do papel e cartão.

Bebo o café em poucos goles. Com prazer mas com pressa. Pouso o copo no balcão. Volto-me para quase correr até à porta do desembarque para ver a minha neta sair. 

Já não é preciso. A sua voz sorridente está mesmo rente a mim: Avó!

E abraçamo-nos, enquanto vou dizendo: minha estrela, meu sol!

Gostava de lho ter dito à saída da porta do desembarque! 

Mas era tão bom vê-la chegar para passar as férias em Portugal que não valia a pena lamentar o café já tomado!


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