Logo que nos sentámos no café Velasquez, reparei numa senhora, que, sozinha, ocupava uma das mesas rente ao vidro que separava o interior da esplanada.
As mangas curtas do vestido lilás realçavam-lhe a magreza dos braços. O cabelo, cortado a direito, pressentia-se liso pela laca. Alguém da mesa também reparou nela e perguntou:
- Em que rua morará aquela senhora?
Logo veio a resposta:
- Numa das avenidas próximas, por certo.
Concordámos. Pela postura. Pela sobriedade.
Porém, durante o tempo que estivemos no café, a senhora do vestido lilás não tirou os olhos do telemóvel. Nem as mãos.
Não sei se estava a receber mensagens! Não parecia porque a expressão era sempre igual.
Saímos. Sem saber quanto tempo iria ficar no café a senhora do vestido lilás. A senhora que parecia viver numa das casas bonitas das bonitas avenidas. Talvez numa casa com flores e largas janelas.
Mas sem ouvir ninguém a tocar à campainha. Nem a ser chamada, amorosamente, pelo nome.
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