segunda-feira, 6 de abril de 2026

E depois da Páscoa


Aberto o computador, e também as portadas para entrar a luz da manhã, olho os retratos das minhas filhas ainda adolescentes - feitos há muito tempo em viagem feliz a Paris -, o quadro pintado por uma colega e amiga pintora, um ovo de loiça com ovinhos da Páscoa, um saquinho de amêndoas que não foi aberto...

E escrevo sobre estes dias de Páscoa. Ter tempo traz também alguma doçura. Diferente mas igualmente boa como a que vamos ingerindo por estes dias. Apesar dos exageros que gostaria de recusar. Conseguirei cumprir algumas promessas que faço a mim própria? Vou ver se é desta. O que vale é que tenho ido ao ginásio e tenho feito yoga. Mas não basta, Maria, digo para mim própria, com calma e sem obsessões.

Ontem, domingo de Páscoa, recebi a visita pascal em casa. Não sabia a hora da vinda do compasso, mas ouvi o som da campainha festiva que o anunciava na rua. Como agora muita gente não está em casa ou não tem vontade de abrir a porta nesse dia, quase tive de ir chamar o grupo para que entrasse.

Por coincidência, um afilhado meu estava cá em casa e recebêmo-lo em conjunto. E lemos a oração, e rezámos o Pai-Nosso, e recordámos brevemente tempos passados de escola, onde eu então trabalhava, e que um dos elementos frequentava, e desejámos Boa Páscoa uns aos outros...

E gostei de ver a diversidade do grupo: pessoas de Gondomar, mas também brasileiros e de África, juntos num propósito de comunicar alegremente e afirmar valores em que acreditam.

Enquanto isto, Trump ia mostrando a sua ira ao Irão, país que também é conhecido pela sua ira. O presidente americano, usando insultos, fez mais um ultimatum que, como tantos outros, seria alterado. E, assim, a ira vai aumentando, perante o silêncio forçado e sofrido de tantos inocentes. E mortes. Muitas mortes. E muita destruição.

E, poucas horas antes, o homem que se julga senhor do mundo - ou, melhor, do seu petróleo - falava de Deus e de ser capaz de vencer o mal!

Hoje é segunda-feira de Páscoa, um dia (quase) normal de trabalho. E mais um dia de guerra, como, infelizmente, se vai tornando normal.

Porém, ser um pequeno grupo de homens, megalómanos, de loucura e ambição desmedidas a provocar tantos danos no mundo, isso é que não é normal.


Bons dias de Páscoa, enquanto for possível!


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