sábado, 17 de janeiro de 2026

Mundo


Tal como na frase «Da minha língua, vê-se o mar», de Vergílio Ferreira, do meu mundo, vejo o Mundo. E o meu mundo é a minha casa.

Nele, busco a paz, mas são imparáveis as imagens e as notícias que me chegam de conflitos e guerras.

Olho os meus livros, sabendo que muitas histórias reais são de violência, discriminação, miséria, destruição, morte, atingindo muitas crianças e quem delas queria cuidar.

 Sei de velhos que ficam nos hospitais sem ninguém os ir buscar, porque já não fazem falta a ninguém e à família falta dinheiro, tempo, espaço, paciência.

Vejo pessoas de todas as idades que sofrem de solidão, porque não são ouvidas, nem olhadas, nem abraçadas, nem reconhecidas.

Oiço vozes de seres ditos humanos, que se consideram messiânicos, e que tecem a sua vida de mentira, de arrogância, de egocentrismo, de ganância, de cinismo, de ódio, de vingança.

Escolho palavras para os meus pequenos textos, buscando sentido, correção e beleza, enquanto multidões desesperadas procuram ajuda, comida, refúgio.

Sinto o cheiro queimado de terras incendiadas e ruídos revoltados de rios e mares maltratados.

 

Felizmente, existem muitas pessoas que, dentro ou fora do seu mundo, ajudam a melhorar muitas vidas, estejam elas próximas ou distantes.

 São inúmeros esses casos, tantas vezes desconhecidos, porque as televisões raramente os divulgam e não tik-tokam nas redes sociais.

 

Será possível dizer que todos veremos ainda um Mundo melhor?


 Texto publicado em proximidades, Seda Publicações, 2025


Sem comentários:

Enviar um comentário