Tal como na frase «Da
minha língua, vê-se o mar», de Vergílio Ferreira, do meu mundo, vejo o Mundo. E
o meu mundo é a minha casa.
Nele, busco a paz, mas são
imparáveis as imagens e as notícias que me chegam de conflitos e guerras.
Olho os meus livros, sabendo
que muitas histórias reais são de violência, discriminação, miséria, destruição,
morte, atingindo muitas crianças e quem delas queria cuidar.
Sei de velhos que ficam nos hospitais sem
ninguém os ir buscar, porque já não fazem falta a ninguém e à família falta
dinheiro, tempo, espaço, paciência.
Vejo pessoas de todas as
idades que sofrem de solidão, porque não são ouvidas, nem olhadas, nem
abraçadas, nem reconhecidas.
Oiço vozes de seres ditos
humanos, que se consideram messiânicos, e que tecem a sua vida de mentira, de arrogância,
de egocentrismo, de ganância, de cinismo, de ódio, de vingança.
Escolho palavras para os
meus pequenos textos, buscando sentido, correção e beleza, enquanto multidões desesperadas
procuram ajuda, comida, refúgio.
Sinto o cheiro queimado
de terras incendiadas e ruídos revoltados de rios e mares maltratados.
Felizmente, existem muitas
pessoas que, dentro ou fora do seu mundo, ajudam a melhorar muitas vidas, estejam
elas próximas ou distantes.
São inúmeros esses casos, tantas vezes desconhecidos,
porque as televisões raramente os divulgam e não tik-tokam nas redes
sociais.
Será possível dizer que todos
veremos ainda um Mundo melhor?
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