Tenho este bonsai há cerca de uns trinta anos. Foi oferecido por uma amiga das minhas filhas num aniversário. Julgo que ainda mora no mesmo vasinho pequeno e, de mim, ao longo deste tempo, recebeu apenas água, o corte de algum raminho seco, um olhar de vez em quando e pouco mais.
Há tempos, por esquecimento ou por ausência mais prolongada, deparei com a planta a soltar tristemente as folhas amareladas e sem vida. A planta morreu, pensei eu. Porém, não a deitei fora. Quebrei um raminho com os dedos e não me pareceu seca; mudei-a para um lugar mais fresco, passava por ela e olhava-a com a quase certeza de que não resistiria, mas com alguma esperança que desse sinais de vida, apesar de o tempo de morte aparente já ir longo.
Como o meu neto gosta de plantas e de animais, ficou condoído e foi dizendo que a plantinha estava doente e perguntando se ia ficar boa.
Eu não podia alegrá-lo afirmando que ia voltar ao que era, porque seria iludi-lo. Eu estava convencida de que o bonsai nunca mais mostraria as suas folhinhas verdes e viçosas, talvez demasiado grandes porque eu nunca soube como podar a arvorezinha como deve ser.
Pois bem, hoje olhei para ela e... vi folhinhas a aparecer. Fiquei contente. Ai se não fossem estas pequenas alegrias como estaria a nossa mente na confusão do mundo atual?
Em breve, o meu neto vem cá a casa e vou logo mostrar-lhe a nova vida do bonsai. Vai ficar feliz e chamar a mãe para ver. Vou-lhe pedir que conte as folhas para que as some daqui para a frente. Oxalá ele não perca a esperança nessa soma, porque estamos a perdê-la em muita coisa que se passa à nossa volta. Valha-nos uma pequena planta renascida! E o olhar limpo e feliz de uma criança.

Sem comentários:
Enviar um comentário