Hoje, o presidente da República eleito vai tomar posse. Votei nele e vou tentar ver pela televisão as cerimónias. Oxalá o Chega não chegue para estragar a festa, como tantas vezes gosta de fazer com muito ruído e aparato.
O presidente cessante, o homem dos afetos, dos abraços, das imprevisibilidades, das selfies, das matreirices, das palavras ditas a qualquer hora e a propósito de quase tudo, das dissoluções da assembleia, do imbróglio no 'caso das gémeas', das hérnias, dos gelados comidos com prazer, das viagens, das aulas dadas sem papel, das gaffes e momentos aproveitados por humoristas, do calor humano depois do gelo de Cavaco...
Tudo e mais alguma coisa, mas também o rei da empatia, da proximidade com os cidadãos, da prova de que os políticos não estão num pedestal, onde muitos se colocam, mesmo que a base estale de fragilidade e tenham sempre de se desviar para pôr os pés e não caírem.
Marcelo aparecia sempre sozinho, Seguro irá ter a companhia da mulher e dos filhos. E trocará muitos sorrisos. E será um homem feliz, porque os números não enganam: foi o presidente que teve mais votos. Mas, como homem consciente e sério que parece ser, também sabe que a vida no governo e no país não está fácil e a situação internacional está ainda mais difícil. Vai ter de dizer sim muitas vezes e não outras tantas. E sofrer as consequências das opções que tomar, sejam elas quais forem. Difícil, Tó Zé! Mas chegado aqui, há 'estrada para continuar'. Bora lá.
Dizem as notícias que a primeira visita oficial do novo presidente vai ser a uma aldeia do interior, onde mora uma dezena de pessoas e onde se instalou muita solidão e desamparo. Ontem, vi uma das habitantes dessa aldeia com um sorriso de sábia descrença nos políticos que a visitam, habituada a que está ao esquecimento ou a receber visitas e promessas de políticos apenas em campanhas eleitorais. Essa descrença é partilhada por muita gente, porque, infelizmente, são demasiados os casos de políticos que se servem em vez de servirem as pessoas e que falam, falam, falam, mas que, chegados ao podium do poder, se remetem ao silêncio.
O Seguro trará segurança e confiança ao país? Deus queira que sim. E que seja capaz de trabalhar para que haja menos solidão e desamparo em tantos setores da nossa sociedade.
A cerimónia já começou. Os trabalhos de Seguro também.
P.S. Senhor Professor Marcelo, apareça de vez em quando. O Tó Zé é fixe, mas o senhor também foi. Cada um à sua maneira, é claro.
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