quinta-feira, 26 de março de 2026

Abertura

 

Hoje, a minha cadela - a Castanha - foi vista pela veterinária. Apesar de ter sido sempre bastante saudável, tem alguns problemas de articulações, justificados pela idade. Nasceu em 2011, portanto já tem 15 anos. 

Agora, que abri o computador, lembrei-me do texto que há pouco escrevi, para a coletânea proximidades (2025) sobre ela. Partilho-o agora.

 

Foi adotada depois de recolhida, muito pequenina, fora de um portão tapado e fechado, numa rua de aldeia de pouco movimento. Parecia ter caído, assustada, de uma árvore qualquer e ficado ali muito quieta, com medo de ser calcada ou absorvida pela terra. Não tinha chip, ninguém a conhecia, ninguém a procurou, estava com fome e tremia de medo.

 Chegando a nossa casa, trazida pelo filho de uma amiga, que nome escolher para ela? Olhando para a cor e tamanho daquela cadelinha, quase recém-nascida e que lembrava uma castanhinha, logo surgiu: Castanha.

A Castanha cresceu, mas nunca gostou de estar só.

Nos tempos de suposta solidão, a Castanha arrasta o tapete, aninha-se sobre ele, junto ao portão de grades, e ali fica à espera que alguém passe na rua, ou entre, ou comunique com ela. Faz lembrar pessoas à janela, que se querem abrir aos outros e não ficar na sua casca fria de fruto frágil e só.

 

É que há muitas janelas,

No sofá, prontas a abrir.

Mas por atuais sinais,

Melhor é olhar os demais,

Comunicar e sorrir!

 


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