Hoje, a minha cadela - a Castanha - foi vista pela veterinária. Apesar de ter sido sempre bastante saudável, tem alguns problemas de articulações, justificados pela idade. Nasceu em 2011, portanto já tem 15 anos.
Agora, que abri o computador, lembrei-me do texto que há pouco escrevi, para a coletânea proximidades (2025) sobre ela. Partilho-o agora.
Foi adotada depois de
recolhida, muito pequenina, fora de um portão tapado e fechado, numa rua de aldeia de
pouco movimento. Parecia ter caído, assustada, de uma árvore qualquer e ficado ali
muito quieta, com medo de ser calcada ou absorvida pela terra. Não tinha chip,
ninguém a conhecia, ninguém a procurou, estava com fome e tremia de medo.
Chegando a nossa casa, trazida pelo filho de uma amiga, que nome escolher para
ela? Olhando para a cor e tamanho daquela cadelinha, quase recém-nascida e que
lembrava uma castanhinha, logo surgiu: Castanha.
A Castanha cresceu, mas nunca
gostou de estar só.
Nos tempos de suposta
solidão, a Castanha arrasta o tapete, aninha-se sobre ele, junto ao portão de
grades, e ali fica à espera que alguém passe na rua, ou entre, ou comunique com
ela. Faz lembrar pessoas à janela, que se querem abrir aos outros e não ficar na
sua casca fria de fruto frágil e só.
É que há muitas janelas,
No sofá, prontas a abrir.
Mas por atuais sinais,
Melhor é olhar os demais,
Comunicar e sorrir!
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