Cada vez há mais pessoas sós. Pela experiência que tenho, são mais as mulheres. Quando se vive só por opção, é uma coisa; se foi a vida que impõs tal condição, é outra coisa bem diferente.
Entremos nalgumas casas - salvo seja, que é uma forma de dizer. Durante muito tempo, a vida corre e nem se dá conta de que passa a toda a velocidade: há a família, o trabalho e a casa apenas está só durante umas horas.
Porém, se há filhos, estes crescem e, num ápice, seguem a sua vida e a casa esvazia-se, passando a ficar só durante muito mais tempo, tal como fica só quem lá continua a viver e já em tempo de reforma. Às vezes, os filhos voltam, mesmo em idade de terem o seu próprio poiso e de os pais estarem em idade de mais repouso. Voltam pelos mais diversos motivos: por separação do casal, por falta de dinheiro, por falta de trabalho...
E há casas que passam a ficar longamente silenciosas, por morte de alguém que lá viveu: um elemento do casal, irmãos, pais…
Quando assim é, na passagem dos dias e no repouso da noite, a solidão faz acordar o grande peso que traz consigo. Conversas pequeninas que apetecia descarregar ao final do dia ficam guardadas; vontade de sentir um abraço não se concretiza… Porém, se há filhos, netos ou outros familiares mais atentos, mesmo que vivam mais longe, é uma janela que se pode abrir mais facilmente. Se não os há, nem uma pessoa amiga e próxima, então a solidão é mesmo uma pedra que custa a remover.
Sem pretender encontrar escapatórias desnessárias, acho que muitos governantes - do país e do mundo - não diminuem a solidão que se vai instalando em pessoas de todas as idades; pelo contrário, até a aumentam. Parecem fazer muito mais por si próprios do que trabalhar afincadamente para o bem das pessoas comuns que sustentam o mundo.
Talvez porque a solidão ainda não lhes entrou na cabeça.
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