domingo, 28 de abril de 2024

Hoje procurei -te na cidade com mar ao fundo

 

Sabia que estavas lá 

Mas bem mais próximo do que há uns anos

Em que os comboios se enchiam de jovens para mergulhar em ti

No calor da idade e do verão 

Agora aproximas-te cada vez mais 

Quando tantas pessoas se afastam umas das outras

Talvez porque se sentem também afastadas

E não ousam aproximar-se

Com medo de mais um desencantado afastamento


Hoje procurei-te 

E sabia que estavas lá 

Com todas as pedras para que não avances mais

Havendo certeza de impossíveis recuos.


É muito difícil dizer amo-te

Mas abeirando-me de ti

Quero pedir-te

Que não te aproximes mais

Porque o amor não é invasão 

Eu sei que estragámos 

E continuamos a estragar muito do que te engordou

Fazendo-te penar

Peço-te desculpa pela parte que me toca

Mas não impeças ninguém de te vir visitar 

No lugar em que tu moras

Sem extravasares marés de culpabilidades

Ao fundo desta cidade pequena e ‘rural’


Perdemos muita coisa ao longo da vida

Mas a liberdade de te olhar onde moras será um ganho

Que nos ensinará a proteger-te e a dizer mais facilmente 

‘Amo-te, Mar!’


4 comentários:

  1. Respostas
    1. Tu darias outra profundidade mais bela ao texto.
      Sentei- me no sofá e foi o que me saiu e foi bom enquanto foi ondulando.
      Um beijinho e bom 1o de Maio.

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  2. Gostei de a ler Maria Dolores (muito) e até aposto as fichas todas na cidade de Espinho cuja presidenta ouvi há poucos dias falar com a sageza que as altas instâncias da nação não têm.
    Um bom dia.

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    1. Sim, Espinho é a ‘cidade com mar ao fundo ‘ aonde gosto de ir quando posso. Não conheço a presidente, mas confio no juízo que faz dela, Joaquim. Ainda bem que assim é, porque precisamos cada vez mais de bons exemplos na política.
      Uma noite feliz e bem descansada.

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