quarta-feira, 1 de maio de 2024

O primeiro Primeiro de Maio

 

Estava um belo dia de sol e todos nós ainda estávamos tomados pela surpresa festiva do 25 de Abril de 74, pela estupefacção perante ruas que se enchiam espontaneamente quando, até aí, qualquer pequeno grupo era entendido como subversão.

Quando chegámos ao Porto, nesse primeiro Primeiro de Maio, a grande praça, diante da Câmara Municipal, enchia-se de gente, de bandeiras, de cartazes, de palavras de ordem, de cravos vermelhos, de canções revolucionárias, de alegria, etc.

Era o tempo das calças à boca de sino, de grandes bigodes, de cigarros, de muito espanto perante o que estava a acontecer.

Não sei se fomos de mão dada ou de braço dado, mas tenho bem vivo e presente o mar de gente que tinha vindo até ali, porque as amarras que até aí apertavam e magoavam davam sinais de se desatarem, mesmo para quem não tinha consciência política.

Não esquecerei nunca aquela tarde de sol e de festa do primeiro Primeiro de Maio celebrado no país.

Cinquenta anos depois, não irei para a rua, mas saber que podia ir em Liberdade é sinal de que o 25 de Abril  e o primeiro Primeiro de Maio valeram a pena. 

Oxalá a Festa verdadeira possa continuar.


4 comentários:

  1. São duas datas que jamais serão esquecidas 👏🇵🇹😘

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    1. Concordo consigo, Gracinha. Marcaram e mudaram as nossas vidas. Para muito melhor, sem dúvida nenhuma.
      Um beijinho

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  2. Era miúda mas lembro-me bem que a partir deste dia começaram a a fazer jantaradas nas fábricas. Porém, tudo acabou...
    .
    Ausência Silenciosa, liberdade suspensa
    Beijos. Um ótimo mês de Maio.

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  3. Bom dia, Cidália. Não acabou, apesar de todas as voltas que a vida é os governos vão dando. Vivemos em Liberdade e ela é que não nos pode fugir.
    Um beijinho

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