segunda-feira, 24 de junho de 2019

Conversa descansada com sotaque brasileiro

- Gostaste do quarto e da cama?
- Adorei. Foi a primeira coisa que agradeci antes de adormecer.
- Como assim?
- Antes de deitar, lembro três coisas boas que me aconteceram durante o dia e que agradeço.
- Que tipo de coisas?
- Sei lá, coisas simples e concretas. Não pode ser nada ruim.
- Boa ideia.
- Assim, adormece-se bem melhor. Experimente. Você vai ver!



domingo, 23 de junho de 2019

Bom S. João!

Quando acordei, ouvi chuva.
Julguei sonhar acordada;
Foi ela que veio à festa
E não a fresca orvalhada!


sábado, 22 de junho de 2019

Dublin - não fui lá, mas gostava!

Oscar Wilde (1854-1900)

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Num jantar de amigos




Ontem, num jantar de amigos,
para além de muitas conversas e gargalhadas
que ocorrem entre amigos
que são amigos de verdade e de carne e osso
porque podem falar e rir-se à vontade,
havia petiscos saborosos,                                                                      
rostos felizes à volta da mesa,
muitas histórias engraçadas...

E também flores
E poemas sobre a amizade.

Quando são bons os momentos,
nem se sabe dizer
qual o mais poético!



Para um Amigo Tenho Sempre


Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.


António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa"

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Enquanto há futuro


Postal enviado pelo Clube das Histórias


 

Depois da chuva


terça-feira, 18 de junho de 2019

Cristina Branco - Eu


Por tantos eus que existem em cada Eu.

Conversa no autocarro

- Que bom ter-me sentado ao pé de si.
- Fico contente.
- Precisava de falar sobre essas coisas e não encontrava quem me pudesse ouvir.
- Também gostei muito de conversar consigo.
- Desculpe, posso visitá-la um dia destes?
- Claro que sim. Moro no convento ao fundo da rua.


domingo, 16 de junho de 2019

Conversa doce em casa

- Mamã, do que gosto mais são  doces e leite.
- Como é que sabes que gostas de doces se nunca comes?
- Já comi.
- Quando?
- No Halloween, deixaste-me comer um e adorei.

Conversa ao pé da porta

- Hoje ouvi coisas importantes numa homilia na televisão.
- O padre falou de quê?
- Do papel de cada um na preservação do planeta.
- Julgava que só tinha falado do céu.
- Se a terra não for sustentável, não há céu que resista.


quinta-feira, 6 de junho de 2019

Conversa ao pé da porta

- Hoje quero ler um conto do princípio ao fim.
- E acha que consegue? Há sempre tantas solicitações!
- Vou tentar e talvez desligue o telemóvel.
- O pior é que o pensamento não desliga do telemóvel que está desligado.


O Dia D está a ser comemorado. "Quelle connerie la guerre"!

Elisabeth Sohier-Poirier : « Barbara » de Jacques Prévert

Do princípio ao fim

Não tenho o hábito de telefonar por tudo ou por nada. Penso sempre que a outra pessoa pode estar ocupada (ou queira estar desocupada) e a chamada possa incomodar. Faço-o, portanto, quando o assunto é urgente e com vantagens de ser conversado. Recorro, por isso, com mais frequência às mensagens.
Mesmo sendo curtas, verifico que muitas mensagens de telemóvel ou de whatsapp (não tenho facebook) não são lidas até ao fim. E não o critico porque também o faço, às vezes. Infelizmente.
A mensagem é enviada e são lidas apenas as primeiras linhas, sobretudo as que aparecem logo no ecrã e passa-se a outra ou a outra coisa que se quer fazer.
Às vezes, penso que o melhor é enviar uma mensagem por cada assunto, mas também fica mais caro, para além de outras poluições, incluindo a sonora, porque há quem prefira ter o som alto sempre ligado. 
Moral da mensagem: por mim, vou tentar ler sempre as mensagens do princípio ao fim. Espero é que não sejam muito longas !!!!

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Agustina Bessa-Luís (1922-2019)

Foi leitora compulsiva e observadora atenta dos comportamentos  humanos.
Deixou a longa vida, deixando uma obra imensa.


domingo, 2 de junho de 2019

Um domingo e um funeral

O funeral era de um rapaz de uns quarenta anos. Também pela idade, o ambiente era de consternação, de bastantes silêncios, de vozes baixas, muitas lágrimas e muitas flores.
Dei comigo a olhar à minha volta e a lembrar-me de outros velórios e funerais em que o telemóvel tocava de forma estridente, as pessoas falavam alto, riam-se... desprezando a vida e memória daquela pessoa que jazia ali bem perto depois de muito sofrimento.
E hoje, naquele ambiente de muita dor, ia pensando que o melhor é valorizar o que de facto é essencial na vida, que pode ser demasiado efémera, e não perder tempo com coisas menores que não valem a pena.
De regresso a casa, liguei o rádio na TSF. Falava-se de corrupção, tema que remete igualmente para formas de morte, neste caso, da democracia, desprezando também a vida e memória dos que trabalharam e trabalham honestamente durante a vida inteira. E que tubarões e advogados da mesma espécie ignoram e de quem se riem, mostrando os dentes ávidos da ganância.
 


sábado, 1 de junho de 2019

O berlinde - Matilde Rosa Araújo

Era uma vez uma pomba
Sem um ninho, sem um pombal,
Era branca como a Lua
E os seus olhos de cristal.

Era uma vez uma pomba
Que não sabia chorar:
O seu choro trrru… trrru…
Era um modo de cantar.

Era uma vez uma pomba
Que noite e dia voava:
Fosse noite, fosse dia,
Nunca a pomba descansava.

Era uma vez uma pomba
Que nos céus, longe, voava,
Seu coração um berlinde
Grande segredo guardava.

Era uma pomba tão estranha
Que voava noite e dia:
Quanto mais alto voava
Mais da terra ela se via.

Era uma vez uma pomba
Com penas de seda real:
Era uma pomba do Mundo
Com seus olhos de cristal.


Seu coração um berlinde
De vidros de sete cores,
Que do sol tinha o brilhar,
Um espelhinho de mil flores.

Um dia longe nos céus,
Viu um menino a chorar
Sentadinho sobre um monte,
Numa noite de nevar.

Não era branco nem negro
Assim na neve o menino,
Seu chorar era triste,
Tornava-o mais pequenino.

E a pomba logo o viu
Com seus olhos de cristal:
Logo desceu para o monte
– Era aquele o seu pombal.

Poisou nas mãos do menino
Com seu corpo, seu calor:
Mãos por debaixo da neve,
Ninguém lhes sabia a cor.


Dorme, dorme, meu menino…
Branco ou negro tanto faz:
Meu coração é um berlinde,
Tem o segredo da Paz.

E o menino já ria,
Podia dormir sem medo,
Sonhava com o berlinde,
Coração feito brinquedo.

Há quem diga que uma estrela
Fugiu do céu a correr,
Atravessou todo o mundo
Para o segredo dizer.

Escutaram-na os meninos,
Têm um berlinde na mão:
Seja noite de Natal,
Seja noite de S.João.


Matilde Rosa Araújo
Mistérios
Lisboa, Livros Horizonte, 1988

Os brinquedos diferentes



Os brinquedos da Clarinha
Têm nomes engraçados,
Todos, todos diferentes,
Todos muito apreciados!

É a boneca-carrapito,
O peixe de boca aberta,
O boneco narigudo,
A bonequinha-risota,
O panda que é sortudo
E o cãozinho sem casota.

A bola  do Cristiano,
A outra dos coelhinhos,
A bela caixa de música
E o jogo dos peixinhos.

Tal como estes brinquedos,
As pessoas diferentes são.
E o mundo só é bonito
Se todos derem a mão!



Era uma vez uma Casa e um Museu Botânico...

Fica no Porto, no Campo Alegre. Nos seus jardins, correu e brincou
Sophia de Mello Breyner. E o seu primo Ruben A., também poeta.
A casa, por dentro e por fora, é inspiradora e foi-o magnificamente para a grande Poeta, que nasceu há cem anos. 
Ainda lá está a estatueta que deu origem ao conto/livro O rapaz de bronze.
Para além da beleza da casa e dos espaços exteriores, vale a pena a visita ao Museu Botânico 
que nela funciona. 
A exposição sobre Biodiversidade mostra como todos os seres são diferentes.
Quando lá fui, havia poucos visitantes, mas, felizmente, uma turma de crianças de Barcelos
enchia a escadaria exterior, depois da visita.
É, de facto, uma Casa que conta muitas histórias, 
umas imaginárias, outras bem reais, mas todas importantes nas nossas vidas.
Partilho algumas imagens do muito que lá podemos ver e conhecer.