Mariana
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Dolly Parton
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Coisas de final de verão?
Perante tanta chuva, hoje dei comigo a pensar no Natal!
Por cá, costumamos dizer: vem a festa do Rosário (em outubro), os Fiéis (em novembro) e logo estamos no Natal.
Ontem e hoje, aqui no Norte, a chuva é tanta que parece outono. Daí eu pensar nos presentes para o Natal - presentes que posso fazer ou comprar sem ser em lojas. Não estarei a contribuir para a economia, mas será um estímulo para quem tem talentos, habilidades, podendo, assim, ganhar algum dinheiro e ver o seu trabalho manual reconhecido.
Mas esta semana, em que se prevê intempérie, terá vindo estragar planos de quem contava com um tempo tranquilo de quase final de verão.
Felizmente temos a capacidade de nos adaptarmos às situações. E há muitas ofertas, porque, mesmo vilas ou cidades pequenas vão preservando e embelezando o seu património.
Ontem, eu estava com a família na bela festa da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, mas a chuva era tanta pela manhã, que fomos parar Ponte de Lima. As crianças andaram felizes no museu do brinquedo e nós, adultos, pudemos recordar brinquedos que tivemos ou que muito gostaríamos de ter tido na nossa infância.
Portugal é pequeno mas bonito e variado. Que também não escapa a intempéries de vária ordem.
Que haja, pelo menos, boas alternativas!
Continuação de bom verão! Seja ele seco ou molhado!
sábado, 22 de agosto de 2026
Coisas de verão - casa amada!
Hoje, 22 de agosto, a minha mãe faria 100 anos. Partiu aos 96. A família pensava - e julgo que ela também - que a vida lhe permitiria festejar o centenário. As maleitas não eram de monta, apesar de algumas persistirem.
Hoje dei comigo a pensar em coisas que ficaram da vida da minha mãe: o gosto pelas flores, pela vida calma, pelas palavras poéticas, pelos sabores da comida que tão bem confecionava …
E o amor por tudo que entendia ser criado por Deus.
E o amor pela casa - o seu reino e o seu paraíso.
A casa era o lugar das pequenas coisas que só lá encontrava e lhe davam a feliz tranquilidade de que precisava: as linhas e lãs, a máquina de costura; os livros sobre santos e os jornais que lembravam diferentes santidades; os versos que fazia e tantos outros que sabia de cor; as plantas que lhe mostravam a sua sede e as suas necessidades…
Tanto a minha mãe amava a casa que a família repete a expressão que também ela repetia inúmeras vezes: minha casinha meu lar!
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Coisas de verão - o antes e o depois
Quando tenho qualquer festa em casa, como aniversários, fico bastante stressada, embora tente disfarçar. Alguma coisa pode correr mal, a comida pode não estar como eu gostaria, pode faltar alguma coisa, pode haver algum esquecimento…
Ah! Se alguém não vier, penso que houve desinteresse; se vierem em grande número, sinto desconforto!
Valha-me Deus!
Vem o dia. Vêm as pessoas: a família é grande. Alguns amigos. Uns de perto, outros de longe.
Tudo se vai abrindo como pequena nuvem que dá lugar a mais luz do sol.
Desta vez, no aniversário da Clarinha, como em tantas casas portuguesas nesta altura do ano, falaram-se várias línguas, e uma delas foi o italiano.
Todos à mesa, vieram à baila canções italianas na memória de muitos, títulos de filmes, expressões conhecidas…
Apesar do trabalho que as festinhas em casa dão sempre, como foi bom ver as solidariedades, as linguagens e boa disposição partilhadas.
Afinal, o mundo é uma bola em que todos cabemos e na qual entramos com forças e fragilidades.
E, com a leveza possível dos dias, tudo se torna mais querido, neste ‘querido mês de agosto’.
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Coisas de verão - a mulher do pôr do sol
A cena repetia-se. Ao pôr do sol, quando o calor amainava e ficava mais espaço no areal para as gaivotas, ela chegava à praia com os seus óculos escuros e chapéu de abas largas. Sentava-se no muro em frente à esplanada, com meio corpo inclinado para o pôr do sol e balbuciava algumas palavras não muito percetíveis.
Os habitués da esplanada, para o último fino do dia com tremoços e amendoins, já se tinham habituado à presença dela, sentada de lado, no muro baixo e em frente. Houve até quem a fotografasse à sorrelfa apenas porque dava uma boa foto a contra-luz.
Porém, uma das crianças, naturalmente curiosa, aproximou-se da mulher para perceber o que dizia e ouviu-a repetir:
- Será que voltas amanhã? Será que voltas amanhã?
Logo que percebeu as palavras dela, veio, a correr, contar.
- Mãe, a senhora perguntou se voltava amanhã. Ela fala com o sol?
- Talvez, filho, ou dirigia-se a alguém.
- Mãe, mas eu não vi ninguém.
- Pois, filho, se calhar, é mesmo o sol que a senhora procura!
sábado, 15 de agosto de 2026
Coisas de verão - os palavrões
Fui cedo passear o cão ao passadiço. À hora em que pouca gente passa, a não ser os peregrinos. Ou pessoas que moram por ali e querem aproveitar as horas em que não chegam os banhistas com sacas e caixas de farnéis, com os guarda-sóis, tapa-ventos e muitos etecetras.
Ora, sentados, na beira do passadiço, estavam dois homens a conversar. Faziam-se ouvir e bem. O outro ruído era o do mar e, comparando com as vozes deles, era bem mais brando.
Apeteceu-me abrandar para ouvir o que diziam, não fosse o cão puxar-me com toda a força. Mas deu para ouvir algumas coisas.
Falavam de futebol e de política, tudo misturado. E não havia frase nenhuma - todas muito curtas - em que não entrassem palavras começadas por cê, por pê, por efe…
E como o cão puxava com tanta força, até pensei: será que o cão não gosta de palavras a que não está habituado? E ainda deu para ouvir: F…
Ou fui eu que pensei???
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Coisas de verão - à semana, sim; ao fim de semana, não!
É caso para dizer: quem nunca foi ao Castro Sampaio, em Labruge, Vila do Conde, não deixe de ir, se e quando puder.
Pode-se ir pela praia, por exemplo, a partir de Mindelo, havendo passadiços em muito do percurso.
Ao longe, avista-se a capelinha num vasto terreiro, donde se desfruta o mar imenso. Faz lembrar as cantigas de amigo - quando o namorado partia mar fora para ir para as guerras, das quais nunca se sabia se e quando voltaria.
As praias pequenas, cercadas de altos rochedos chamam e acarinham.
E o restaurante, que mais parece bar comum de praia, serve peixe bom e bem cozinhado. Saboreá-lo ao fim da tarde será como dar a mão em momento relaxado e confiante de prazer.
Porém, diz quem sabe que ao fim de semana é horrível pelas enchentes.
Ir de carro é outro frete, porque os acessos são apertados.
Durante a semana? Belo e tranquilo.
Durante o fim de semana? O melhor é ficar em casa, ou escolher outro lugar.
É que há mar e mar; muito motivo para lá ir: mas, com confusão, pode perder-se a vontade de lá voltar!
Coisas de verão - e depois do adeus
Vi em casa o eclipse. Abri a janela, pus os óculos e vi o sol em forma de lua. O tempo escureceu, mas não tanto como eu pensava.
Senti uma brisa a entrar pela janela. Suave e boa. Os ramos da camélia agitaram-se. Mas pouco. Os carros na rua passaram a ser raros. Senti a calma força da natureza.
Perto de casa, já tinha visto muita gente, uns de pé, outros sentados, óculos na mão, à espera do eclipse.
Na televisão, falava quem fez muitos e muitos quilómetros para chegar ao sítio em que o sol mais se esconderia. Como em Bragança. Havia pessoas comovidas, outras repetiam lugares comuns que era o que saía no momento…
Um brasileiro, emocionado, também me comoveu. Para ele, o eclipse era um fenómeno democrático que unia toda a gente, sem distinção.
Realmente há maravilhas da natureza que revelam maravilhas dos seres humanos.
E que perduram, mesmo depois do adeus!